PCP apresenta conjunto de propostas referentes à administração local

O PCP apresentou a 13 de Novembro, um conjunto de propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2019 referentes à administração local. 

As propostas vão no sentido da recuperação da autonomia do poder local, da eliminação e/ou minimização de constrangimentos para a realização de investimento público, do reforço da contratação de trabalhadores e da introdução de normas que criam um quadro de procedimentos que facilitam, sem perder rigor e transparência, a gestão autárquica, permitindo assim melhorar as condições de vida das populações e potenciar o desenvolvimento local.

Das propostas apresentadas destacam-se as seguintes: no respeito da autonomia do poder local dispensa-se a autorização dos membros do Governo em decisões de gestão de trabalhadores e recursos, bastando a autorização dos respectivos órgãos autárquicos; a contratação de trabalhadores pelas entidades públicos gestoras do abastecimento público de água, saneamento de águas residuais urbanas e de resíduos urbanos; alarga-se a possibilidade de utilização de todo o saldo de gerência antes da aprovação do documento de prestação de contas; facilita-se o recurso à linha de financiamento disponibilizadas pelo BEI para financiar a comparticipação nacional de projectos aprovados no âmbito dos fundos europeus estruturais e de investimento; exclui-se do cálculo da amortização média dos empréstimos de médio e longo prazo os empréstimos excepcionados para o cálculo da dívida total; excepciona-se para o cálculo do limite de endividamento os empréstimos ao financiamento de projectos no âmbito do Plano Estratégico para os Resíduos (PERSU 2020) e do Plano Estratégico de Abastecimento de águas e Saneamento de Águas Residuais (PENSAAR) e possibilita-se que os acordos de regularização de dívidas às entidades gestoras de sistemas multimunicipais de águas sejam alargados a sistemas intermunicipais e ao sector de resíduos urbanos.

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Mais salário, menos exploração – Tiago Cunha

A política de recuperação de rendimentos e a reposição e conquista de direitos possibilitaram, não só uma redução da pobreza, como uma inversão na parte da riqueza que vai para quem trabalha e trabalhou.

Travou-se a tendência de apropriação crescente da riqueza por parte do capital, mas ainda assim, a percentagem das remunerações no Produto Interno Bruto (PIB) está longe da verificada no início da crise estrutural de 2007, ao mesmo tempo que esta subida está mais influenciada pelo aumento do emprego, que por via de uma subida generalizada dos salários.

Numa altura em que o governo minoritário do PS se prepara para apresentar a sua proposta de Salário Mínimo Nacional (SMN) para 2019, surgem os «avisos» do patronato (que há uns meses indiciava que ia surpreender com um valor acima dos 600€ 1, sol de pouca dura 2) e de um sem número de economistas rendidos aos encantamentos do capital, nada preocupados com as dificuldades económicas que são vividas por milhares de famílias, mas muito preocupados com os «perigos» que uma subida do SMN pode causar. Uns enfatizam mesmo, não escondendo o insulto, que «subir o salário mínimo vai ser mau para os pobres» 3. Sempre que há uma perspectiva de aumento dos salários, nomeadamente do SMN, lá vem o coro dos que vivem à custa da exploração do trabalho e que não olham a meios para intensificar a acumulação de capital.

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Quem semeia ventos colhe tempestades – Francisco Gonçalves

D. Quixote com alucinações

O debate público, político no seu sentido mais lato, tem vindo, pouco a pouco, a transformar-se em conversa de café. A comunicação faroleira, o registo agressivo, o recurso ao insulto, à sentença instantânea, a crença em soluções simples para problemas complexos ganharam adeptos. A má educação e a boçalidade tomaram conta do espaço público.

Ao mesmo tempo que se reclama da política e do político carroceiro que disputa e vai chegando às Chancelarias, o indivíduo e a portentosa sociedade civil dão exemplo … fazendo o mesmo no espaço público (nas antenas abertas, no comentário ao noticiado, nas redes sociais, na blogosfera). A santa trindade da conversa da treta (fanfarronice, superficialidade e vulgaridade) instalou-se.

A fanfarronice lembra o camiliano tenente-coronel Cerveira Lobo, cuja coragem subia à medida que esvaziava a garrafa de genebra. Quando a coragem atingia o climax, sempre que chegava ao fundo da garrafa, saía a cavalo, bramindo espada, campos fora, qual Quixote, matando “Malhados” imaginários, a “Brigada Vermelha” desses tempos miguelistas.

A superficialidade é marca deste tempo. A rapidez, as tecnologias da informação e comunicação, a multiplicidade de estímulos visuais dominam o quotidiano. Comportam potencialidades mas, também, perigos. Não é possível em matérias complexas, e as relações sociais são complexas, fazer análises rápidas em frase bombástica. Não há  inovação que permita meter num MEME “A República” de Platão.

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Afinal balança – Anabela Fino

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«Sou contrário às tendências de Bolsonaro, mas tenho que torcer pelo Brasil. Tenho que torcer para que ele acerte e não para que erre». Esta declaração de Fernando Henrique Cardoso (FHC) em entrevista à RTP3, na semana passada, bastaria para definir o posicionamento político do ex-presidente eleito pelo PSDB, sociólogo, cientista, professor universitário, tido como democrata, face a um presidente eleito que se assume como admirador da ditadura, racista, homofóbico, xenófobo, machista. Um presidente que se apresenta como «restaurador da ordem», com um discurso que apela aos princípios mais retrógrados da tenebrosa triologia Deus, Pátria e Família. Um presidente calorosamente saudado por Trump e Netanyahu e que logo anunciou a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

Mas FHC não se ficou por aqui. Assumindo que entre Fernando Haddad, o candidato do PT, e Bolsonaro o seu coração «não balança», que é uma forma de dizer que não vê diferença entre um democrata e um fascista, HFC foi mais longe ao dizer que o que mais teme é que Bolsonaro não seja capaz de retirar o Brasil da crise económica em que se encontra, já que não acredita que a democracia esteja ameaçada. É uma questão de fé… ou a esperança encapotada num novo «milagre económico» como o produzido nos «anos de chumbo» da ditadura, o tal que provocou uma concentração da riqueza geradora de profundas desigualdades sociais que se mantêm até hoje e que terminou no crash de 1971. A recessão económica que se seguiu, como FHC tem obrigação de saber, durou até à última década do século passado, e nem as maiores e escandalosas privatizações da história do Brasil levadas a cabo justamente pelos governos de Fernando Henrique Cardoso contiveram o aumento brutal da dívida pública.

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A surpresa de Cavaco – Manuel Rodrigues

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Em recente entrevista à TSF, Cavaco Silva disse ter ficado surpreendido pela facilidade com que o PCP se «curvou» perante as imposições ditadas ao País pelo Ministro das Finanças, acrescentando que não esperava que o PCP se «curvasse» com tanta facilidade às exigências de redução do défice.

Ora, sabendo nós que os governos do PSD que tiveram Cavaco Silva como primeiro-ministro e o governo do PSD/CDS que contou com o seu apadrinhamento como Presidente da República foram campeões no corte de direitos, no abate de serviços e na privatização de empresas e sectores com dramáticas consequências para o povo português, não ficamos espantados com tão descarada e hipócrita afirmação.

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Manuel Loff: “O cavaquismo foi uma recuperação de muitos dos valores do salazarismo”

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Um dos autores do livro “Espectro dos Populismos – Ensaios Políticos e Historiográficos”, editado recentemente pela Tinta-da-china, Manuel Loff dedica-se a estudar o fascismo do século XX. Historiador e professor universitário, alerta que nos dias que correm o fascismo não avança sob as mesmas vestes de outrora, usando antigas narrativas mas diferentes instrumentos. “O fascismo do século XXI evita o golpe militar, a ruptura da ordem constitucional, opta pela transição autoritária”.


No livro os autores recusam sempre a existência de um populismo, afirmando existirem vários, mas quais são as diferenças?

O populismo é muito mal usado, muito mal aplicado. E com a mesma falta de rigor como se usa ‘terrorismo’ ou ‘totalitarismo’. Nele pode caber de tudo e tem-se popularizado a ideia de que existe um populismo de esquerda e outro de direita. À escala europeia, discordo da ideia dos dois populismos. Entendo que, no passado, o conceito foi concebido, desenhado e aplicado com rigor e de forma correta a fenómenos que são considerados populismos de esquerda e que têm uma relativa unidade entre si, como o varguismo no Brasil depois da ditadura de 1945; o peronismo na Argentina; no final dos anos 60, o regime de Velasco Alvarado no Peru. Na Europa, de toda a época contemporânea, a ideia de um populismo de esquerda parece-me inaplicável. O populismo emerge sempre à direita, entre aqueles que recusam a distinção esquerda/direita, que evitam posicionar-se no ponto de vista da discussão entre a prioridade dada pela igualdade social ou à da liberdade económica. A realidade europeia diz-nos isto. Um dos líderes políticos mais tipicamente populistas da direita foi Cavaco Silva com toda a sua retórica do antipolítico, da desconfiança dos intelectuais e promoção da ideia de uma liderança forte que quer trabalhar contra os entraves do regime democrático do Estado de Direito.

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Do Armistício e do 7 de Novembro – Manuel Gouveia

Que dizer, um ano depois do centenário, que não tenha sido já dito e redito? Provavelmente, pouca coisa. Mas é impossível fugir à pura necessidade de a cada ano recordar o maior acontecimento da história, e de sublinhar a sua actualidade, a sua importância na luta que travamos todos os dias.

Vivemos no ocaso capitalista, num tempo onde o desespero de uma classe dominante incapaz de continuar a dominar como dantes faz renascer das trevas todas as bestas e todos os medos.

É neste quadro que a burguesia comemora o armistício de 1918 com tanta pompa e circunstância, tratando de esconder a verdadeira faceta da guerra de 14/18: a brutal carnificina em que o capitalismo mergulhou a Europa, com dezenas de milhões de proletários e camponeses enterrados vivos nas trincheiras, a gasearem-se uns aos outros, a matarem-se uns aos outros, para decidir quem – se os imperialistas alemães, se os imperialistas ingleses ou franceses – iriam explorar um conjunto de colónias e de mercados.

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101 anos depois: a luta continua

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A Revolução de Outubro, cujo aniversário hoje se assinala, marcou o século XX e a luta dos trabalhadores e dos povos, concretizando a aspiração secular do homem – a sua libertação social e humana.

Novo Planeta, Konstantin Yuon, 1921

Após as experiências como a Comuna de Paris, onde durante 72 dias a bandeira vermelha da classe operária flutuou hasteada no município de Paris num primeiro exercício do poder pelo proletariado, a que se seguiu a Revolução russa de 1905, a primeira grande revolução popular com a intervenção organizada da classe operária e dos trabalhadores, surgiu a Revolução de Fevereiro de 1917, que marcou o fim do poder czarista na Rússia.

Mas o século XX viria a ficar marcado pela Revolução de Outubro, cujo 101.º aniversário hoje se assinala, pelo poder político dos trabalhadores e pela construção duradoura de uma sociedade sem exploradores nem explorados, concretizando a aspiração secular do homem – a sua libertação social e humana. É o tempo em que o sonho e a utopia dão lugar a um projecto político e de transformação social, no sentido da eliminação de todas as formas de exploração e opressão.

De uma Rússia semi-feudal, dominada pelo poder repressivo dos czares e da mais alta nobreza, e fustigada pela exploração, a repressão, a pobreza, a fome e o analfabetismo, nascia a 7 de Novembro de 1917 a Revolução de Outubro, com o proletariado russo, liderado pelo Partido Bolchevique, a liderar o seu destino.

Era o princípio da construção de uma nova sociedade onde, a par de grandes dificuldades e obstáculos, se deram avanços históricos, nomeadamente ao nível dos direitos dos trabalhadores e dos povos em geral. Passaram a ser assegurados os direitos à habitação e ao ensino, com instrução geral e politécnica gratuita e obrigatória até aos 16 anos. Conquistaram-se direitos à jornada de trabalho de oito horas de trabalho e a férias pagas, mas também à assistência médica e a um sistema de segurança social universal e gratuitos.

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Eu proponho o Chuck Norris! – Francisco Gonçalves

Faixa da Manifestação contra a Corrupção em frente à Assembleia da República, Outono de 2018

Abriu a época da caça ao herói que precisamos. Assume-se, aqui e acolá, que faltam lideranças,  sebastiões, salvadores pátrios. Estrelas mediáticas são promovidas a heróis imaginários, há uma fé inabalável na sua capacidade de resolver os problemas do mundo. Ideia juvenil, tão só, sinal da demissão (individual e colectiva) dos humanos na procura de soluções  para os problemas do seu tempo. Tal como a economia de mercado deu lugar à sociedade de mercado o consumidor tomou o lugar do cidadão. A prática parece estar a dar razão à ideia avançada, em 1944, pelo filósofo húngaro Karl Polanyi, de que a economia de mercado auto-regulada tende a transformar-se de meio em fim.

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A besta, da Ucrânia ao Brasil – Adriano Miranda

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Todos devemos uma vénia. Aos homens e às mulheres que fizeram o mundo um pouco melhor. Que nos fizeram acreditar na liberdade. Na democracia. Que nos devolveram a vida.

As marcas estão lá e Maria não gosta de se ver ao espelho. Nua, olha o corpo que já foi perfeito. Perfeito até ao dia em que foi espancada, violada. Por dias e noites. Homens com riso de hiena e grunhir de rinoceronte, vestidos de fato e gravata, faziam de Maria uma diversão. Maria não falou. Maria não fala. Olha-se ao espelho e vem à memória a vida feliz que teve. Com as marcas na sua maior intimidade, Maria, ainda assim, acha que teve uma vida feliz. Maria não teve uma vida em vão. Maria teve objectivos. Maria viveu com o coração. Maria viveu para os outros. Os outros, os esfarrapados, os rejeitados, os outros, homens e mulheres à procura da dignidade. Maria não fala. Olha-se ao espelho. As marcas estão lá, gravadas a ponta de cigarro. Gravadas a lâmina. Maria passa as mãos pelas cicatrizes e ri baixinho. Valeu a pena enfrentar as bestas. As pobres bestas. Cheiravam a merda. O cheiro vinha da boca. E Maria ri baixinho. Valeu a pena. 

Vestiam de preto como se andassem sempre de funeral em funeral. Gostavam de ofender. Tinham orgasmos ao fazer sofrer. Humilhavam. Mentiam. Torturavam. Eram lacaios e bufos. Traiçoeiros. Rastejantes. Ignorantes. Estendiam o braço em adoração. Comungavam. Faziam faustosos banquetes. Orgias de criminosos. Conspiravam e assassinavam. Depois rezavam. Fomentavam o ódio e a miséria. Cheiravam a sangue. Saqueavam e enriqueciam. Exploravam e prendiam. Faziam guerras para encher os cofres. Obrigavam as crianças a trabalhar. Violavam as mulheres. Chibatavam os negros. E pançudos, fornicavam até salivarem, fazendo dos outros os seus escravos. Quis a força da razão que fossem derrotados. Desapareceram ou aparentemente desapareceram. Uns esconderam-se e outros mascararam o discurso. 

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Bolsonaro e os seus mandantes – Albano Nunes

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O candidato da extrema-direita venceu as eleições brasileiras. As expectativas de uma «virada», que a dinâmica em crescendo nos últimos dias da campanha democrática autorizava, não se confirmaram apesar do expressivo resultado alcançado pala candidatura de Fernando Haddad-Manuela d`Avila. O processo golpista desencadeado dois anos atrás com a destituição da legítima Presidente da República, Dilma Roussef, e a prisão arbitrária de Lula da Silva para impedir uma candidatura popular que cortaria caminho aos projectos da reacção, deu um novo e grande passo em frente. O perigo de uma ditadura fascista é real. Como afirma o Partido Comunista do Brasil, «foi eleito um presidente da República declaradamente determinado a instaurar um governo de conteúdo ditatorial, para implementar, a ferro e fogo, um programa ultraliberal e neocolonial». A solidariedade com a luta das forças democráticas e progressistas brasileiras para derrotar um tal projecto é mais necessária do que nunca.

Entretanto, a comunicação social, que diabolizou as presidências do PT e favoreceu descaradamente a vitória de Bolsonaro sem poder esconder as suas boçais diatribes, aparece agora a disfarçar e a desculpar o seu comportamento trauliteiro e a minimizar a ameaça fascista. O discurso lido por Bolsonaro na noite das eleições, no quadro de uma encenação que até uma cerimónia religiosa envolveu – confirmando a vergonhosa instrumentalização dos sentimentos religiosos do povo brasileiro – está construído precisamente com esse objectivo. Ao proclamar que o seu «governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade» e acrescentando um conjunto de promessas em aberta contradição com as provocações e ameaças que multiplicou ao longo da campanha eleitoral, o seu objectivo é, por um lado, abrir espaço de manobra junto de sectores da direita e do patronato que, partilhando embora os mesmos objectivos, querem preservar uma fachada «democrática» e, por outro lado, desarmar a vigilância e procurar desmobilizar a resistência das forças democráticas e progressistas. Impõe-se alertar para tais manobras.

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«Este orçamento consagra propostas de valorização de carreiras porque o PCP se bateu por isso»

Durante a discussão na generalidade do Orçamento do Estado 2019, Rita Rato afirmou que “sabemos que quem praticou o retrocesso nunca apoiará o progresso mas quem defende o progresso e de forma intransigente o emprego com direitos estará sempre na linha da frente dessa batalha”.

 

Minimal Ensaio Sobre a Cegueira – Álvaro Couto

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(a José Saramago)

 

CEGO, lendo teu ensaio nobel,
vi entretanto, que nada de novel,
vivo ou morto, me pode ajudar
e que nada, de novo, posso esperar,
pois, entre mortos e vivos, não se ama ninguém,
já que em sombras todos calaram sua voz,
ou se afastaram, de vez, de nós.
Raízes de corpos, que uma vez nos viveram,
e que, em silêncio, se fizeram entretanto esfumar.

Porém, nesse mesmo teu texto,
passado entre caixões e suas tábuas,
que nos enche de abulia até ao desprezo,
convertendo-nos ao frio das estátuas,
fechados em ruídos, entre paredes azedas de tristeza,
condenados que estamos, sós e ignorados, à incerteza,
ante o vazio da vertigem que nos seca,
ou o pouco sangue que nos interroga,
sempre existe tua VOZ que , aqui e agora,
ainda assim permanece furiosa.

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Comunicado do Comité Central do PCP

O Comité Central do PCP, reunido a 28 de Outubro de 2018, debateu aspectos da situação internacional e da União Europeia, apreciou a situação política, económica e social nacional, o desenvolvimento da luta de massas e definiu linhas de trabalho e orientações para a intervenção e reforço do Partido.

I – Alternativa patriótica e de esquerda, por um Portugal com Futuro

A evolução no plano internacional e nacional exige a afirmação de um caminho verdadeiramente alternativo que continua adiado pelas opções do Governo minoritário do PS que, em convergência com o PSD e o CDS-PP, insiste nos eixos estruturantes de uma política contrária aos interesses nacionais.

A nova fase da vida política nacional, apesar das contradições que a caracterizam, confirma que o País não está condenado ao caminho da liquidação de direitos e do agravamento das condições de vida. Confirma-se que a reposição e conquista de direitos é um factor de melhoria das condições de vida das populações e de dinamização da actividade económica.

O PCP prosseguirá a sua intervenção, não desperdiçando nenhuma oportunidade para conseguir novos avanços. A luta pela concretização de uma política patriótica e de esquerda e de um governo que a realize é a questão central e decisiva para elevar as condições de vida dos trabalhadores e do povo português e dar resposta aos problemas nacionais.

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Pai Nosso – Álvaro Couto

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Pai nosso, que és brasileiro,
exaltados sejam o teu nome e a tua nação,
venha a nós o teu poder e a tua alienação,
e cheio de ódio estimules a abominação que transborda neste teu capitão,
para que consigamos aniquilar, com a tua sagrada violência justiceira,
aquelas mulheres e homossexuais, aqueles pretos, mestiços e vermelhos,
que assinalamos como inimigo.

Pai nosso, que estás acima de todos,
dá-te hoje a nós, abençoando este Brasil que está acima de tudo,
para que nunca mais se premeie,
nem se perdoe aos pobres e desgraçados deste mundo
e aos seus espúrios marginais, e tão pouco permitas
que tombemos sob a tentação da misericórdia,
nem que esqueçamos cumprir no momento propício,
mesmo através da nossa visão misógina,
a fiel vingança do teu diabólico desígnio.

Ámen!

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Sobre o resultado da segunda volta das eleições presidenciais no Brasil

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O resultado obtido pela candidatura de Bolsonaro nas eleições presidenciais no Brasil representa – na sequência do golpe de Estado institucional que destituiu a legítima Presidente Dilma Rousseff em 2016 e da prisão arbitrária e do impedimento da candidatura de Lula da Silva – um gravíssimo desenvolvimento da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro, corporizado num programa de intensificação da exploração e ataque aos direitos sociais, de agressão às liberdades e à democracia, de abdicação da soberania nacional e subordinação ao imperialismo, de promoção de valores profundamente reaccionários e de imposição de um poder de cariz ditatorial no Brasil.

Denunciando as responsabilidades dos grandes grupos económicos e financeiros, do grande latifúndio e dos sectores mais retrógrados e golpistas pela degradação da situação no Brasil, o PCP sublinha que este resultado é inseparável da sistemática acção de branqueamento dos reais objectivos e de apoio à candidatura de Bolsonaro promovida pelos grandes meios de comunicação social – incluindo em Portugal – e através das redes sociais.

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Pela Liberdade e Democracia, solidariedade com o Povo brasileiro

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Saudamos o povo brasileiro neste momento determinante na sua história.

Aí estaremos presentes no domingo, confiantes na tremenda luta que trava a frente unida das forças progressistas e democráticas e de todos, TODOS quantos não abdicam da liberdade, da democracia, da tolerância, da paz. De todos quantos não desistem de procurar e construir as soluções que deem resposta às necessidades e justas aspirações do povo brasileiro.

Apelamos à memória do povo brasileiro, dos trágicos anos de ditadura no Brasil.
No próximo domingo não há neutralidade.
A escolha é simples.
A democracia ou o fascismo.
A liberdade ou a barbárie.
Poder exigir o progresso ou sofrer o retrocesso.

Confiamos que é tempo ainda de fazer a virada para que o Brasil continue a ser o país da tolerância, da diversidade, da alegria!

Lembrando as palavras do poeta brasileiro:

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

É tempo de fazer! Fazer a virada para fazer a festa!

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Brasil: o que está em causa – Ângelo Alves

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Domingo o povo brasileiro será chamado a uma decisão de transcendente importância para o seu futuro colectivo e do seu País, com inevitáveis repercussões regionais e mesmo internacionais.

O que está em causa no Brasil é muito mais do que uma «mera» escolha entre dois candidatos a presidente da República. O perigo do fascismo, de uma direita revanchista, ligada de forma umbilical aos mais reaccionários sectores do grande capital e do imperialismo, é real e não nasceu agora no Brasil. Trata-se de um longo processo que tirando partido da própria crise do capitalismo e instrumentalizando reais problemas, erros e contradições dos governos progressistas, visou, por via da judicialização e da manipulação política à escala de massas, recuperar o espaço perdido, no Brasil e na América Latina, pelo grande capital e pelo imperialismo desde a primeira eleição de Lula da Silva.

Foi isso que esteve em causa com o golpe que levou à destituição de Dilma Roussef, com a perseguição política a Lula e agora com a tentativa de intimidação e demonização de todas as forças revolucionárias, progressistas e democráticas do Brasil.

Olhando para o caminho percorrido pelo Brasil desde 2003 seria possível identificar inúmeras questões onde as opções políticas e soluções poderiam ter sido outras. Tudo isso é verdade. Mas há uma outra verdade, imediata e fundamental: o que está a ser tentado neste momento é barrar toda e qualquer possibilidade de o Brasil continuar a encontrar caminhos que afirmem a sua soberania, defendam a democracia, avancem na batalha contra as desigualdades e inúmeros problemas sociais e que alterem um sistema político que alimenta o poder do grande capital e estimula a corrupção.

Perspectivas opostas

O que está em causa no Brasil não é «apenas» a luta contra a misoginia, a homofobia, o racismo, a violência, a tortura, e isso já é muito. Também não é «apenas» a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores ou dos direitos à saúde, educação ou habitação, e isso também já é muito.

O que está em causa no Brasil é também a questão central das condições de luta do povo brasileiro em torno dos seus direitos, aspirações e emancipação social, bem como em defesa da soberania da sua pátria e do seu papel no contexto latino-americano e mundial. Trata-se, no fundo, de perspectivas – imediatas, intermédias e históricas. Apoiar Haddad e Manuela é não permitir que um dos maiores países e a oitava economia do Mundo seja entregue a um poder de natureza fascista que tem como programa a mais violenta exploração e tenebrosa opressão capitalista e a mais submissa entrega do Brasil aos interesses do imperialismo.

O projecto de Bolsonaro é um Brasil de exploração, privatizado, injusto, intolerante e violento, extensão latino-americana do imperialismo norte-americano. Haddad e Manuela representam o contrário. Face à crise institucional, social e económica brasileira, à tentativa de massificação da violência, de institucionalização do medo e de militarização e judicialização da política, eles representam a esperança de o povo brasileiro e as suas forças revolucionárias e progressistas, fazerem a reflexão necessária e prosseguirem, em liberdade, a luta por um Brasil desenvolvido, soberano, justo, democrático, solidário, irmão maior de uma América Latina que dele precisa para resistir à violenta contra-ofensiva do imperialismo naquele continente. É isto que está em causa no Brasil, e nesta batalha não há neutralidade nem hesitações possíveis, é isso que nos ensina a História.

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O neoliberalismo está de regresso às origens – José Goulão

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O fascismo é o regime político por excelência do neoliberalismo. Pode ter várias caras, mas vive da supressão dos direitos sociais e humanos, liberdades políticas e garantias da maioria dos cidadãos.

A emergência do fenómeno Bolsonaro no Brasil arrasta consigo a crueza de uma realidade que há muito se vem desenvolvendo sob os nossos olhos, mas que nem sempre é olhada com a atenção merecida. A vaga populista que dia-a-dia ganha envergadura, principalmente na Europa e nas Américas, representa a entrada do neoliberalismo económico na última fronteira para tentar garantir a sobrevivência, à medida que os ventos de crise agravada sopram de todos os quadrantes. Fronteira essa que, uma vez cruzada, determina o reencontro da ditadura do mercado segundo os preceitos da «escola de Chicago» com o sistema político onde incubou: o fascismo.

É interessante e significativo o esforço do mainstream para detectar diferenças entre as diversas versões da extrema-direita que vão chegando aos governos de sucessivos países, como se cada caso tivesse particularidades susceptíveis de tornar abusiva a sua assimilação no mesmo ficheiro politico-económico. Este é de direita nacionalista, aquele é de tendência populista, outro é nacionalista populista, por sua vez diferente do vizinho que é populista nacionalista e não deve confundir-se com aqueloutro que é nacional-conservador. O que nenhum deles chega a ser, porque a tanto não permite o pudor, é fascista.

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