Mais é menos – Anabela Fino

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O estudo «Igualdade de Género ao longo da vida», coordenado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e divulgado esta segunda-feira pela agência Lusa comprova que as mulheres são discriminadas em toda a Europa e que esta realidade é particularmente acentuada em Portugal.

De acordo com os dados apurados, apesar de as mulheres serem, em média, mais escolarizadas do que os homens, a sua entrada no mercado de trabalho faz-se em desvantagem, traduzida em salários mais baixos e empregos mais precários, a que acresce a acumulação das horas de trabalho doméstico ou de assistência à família.

«As mães portuguesas são as que mais trabalham na Europa», afirmou a coordenadora do estudo, Anália Torres, que em entrevista ao Jornal Económico sublinhou o facto de não obstante Portugal ter uma taxa de mulheres a participar em cursos tradicionalmente masculinos muito mais alta do que em muitos países do Norte da Europa, como é o caso dos cursos de engenharia, e uma percentagem de mulheres em cursos científicos muito maior do que em outros países europeus, a diferença salarial ser «brutal».

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A raposa no galinheiro – Miguel Viegas

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BlackRock é hoje o maior fundo financeiro do mundo. A sua carteira de activos representa uma soma superior a cinco biliões de dólares, qualquer coisa como 30 vezes o PIB português. O fundo detém participações maioritárias em empresas tão importantes como Deutsche Bank, BASF, Siemens, Apple, Microsoft, McDonald’s, Allianz, BMW, Daimler AG, Intel, HSBC Holdings, British American Tobacco (BAT), Vodafone, sem esquecer os três maiores bancos nos Estados Unidos, JPMorgan, Citigroup e Wells Fargo. Em Portugal, o gigante norte-americano tornou-se accionista dos principais bancos durante a crise (BCP, Banif indirectamente através do Santander, BPI, através do CaixaBank e, no passado, também o Banco Espírito Santo onde chegou a ser o terceiro maior acionista).

Dois episódios ilustram a teia de interesses sob a qual repousa o sucesso do BlackRock. O primeiro diz respeito ao Banco Espírito Santo (BES) e à forma pouco ou nada transparente como o Fundo vendeu a sua participação no BES onze dias antes da sua resolução, evitando assim uma perda total do seu capital. Ninguém, nem da parte do Banco de Portugal nem da CMVM, sabe como foi feita a venda nem a quem nem por quanto. A história repete-se cerca de três anos depois, desta vez em Espanha. Dias antes da resolução do Banco Popular, o BlackRock vende 98 milhões de acções que detinha naquele banco, salvando assim 100 milhões de euros. Mais uma vez ficamos sem saber como e onde conseguiu ter a informação privilegiada que lhe permitiu evitar a sorte dos 350 mil accionistas que ficaram sem nada. Quanto ao lucro da operação é fácil. Vendeu as acções do Banco Popular antes das mesmas ficarem reduzidas a nada e depois comprou indirectamente a totalidade do banco por um simbólico euro, através do Santander onde detém 5% do capital.

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Requiem por uma Primavera . . . e por uma Virgindade – Álvaro Couto

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Era Maio do ano 68, num tempo
em que na cidade se votava à direita e as pessoas pensavam à esquerda,
num tempo em que todos os sonhos também eram de esquerda,
mas de uma esquerda à esquerda da esquerda, tal como as contas de multiplicar
em que três vezes três são nove noves fora nada, num tempo
em que o nada também era alguma coisa, pois empurrado pelo vento
a outras cidades e pessoas chegou, inclusive a minha casta e burguesa namorada
que de um dia para o outro passou a ser igualmente de uma esquerda
que se podia multiplicar por outras esquerdas até não ser nada, e daí
recomeçar novamente à esquerda, num tempo
em que tudo era assim mesmo.
Com efeito, ela tanto dizia ao mesmo tempo uma coisa
como o seu contrário, o que desembocava em qualquer coisa
como um materialismo subjectivo, embora ela recusasse o sujeito –
e tinha razões teóricas para isso – queixava-se de que a vida era um tédio,
sendo certo que o que ela queria (e, já agora, eu também) era festa,
o que a fez atirar decisivamente para os braços da reacção – sim, eu!
Quantas agendas perdemos, enquanto nos debruçávamos sobre a relva,
a fumar cigarros atrás de cigarros e a ouvir música de protesto vinda da rive gauche do Tejo!
Quantos números errámos na cabine do infinito, ocupando
as mãos no corpo um do outro e desocupando as nossas cabeças
com filosofia vegetal e pensamentos eróticos!
Eu próprio começava encontrar razões para rupturas existenciais entre a teoria e a prática.
O problema é que a ligeireza da realidade das nossas existências já tinha teorizada por alguns ortodoxos – depois do falhanço dos que tinham tentado praticar a teoria.
E o drama estava aí: nessa incapacidade (do real para se adaptar à perfeição das ideias).
Não sei se fiz isso de propósito: o que é certo é que não pude evitar
os conflitos improdutivos da carne. Então refugiei-me no território do espírito.
Impus-me regras morais. Cedi ao Hegel, como se o caminho do homem
avançasse no sentido do progresso de forma automática, sem pôr problemas a quem vive.
Quantos sermões de montanha tive de engolir para chegar ao jejum da mística?
O que eu andei para conseguir colar o meu primeiro cartaz: mas, em boa verdade,
os cartazes nunca me convenceram. Por fim, refugiei-me na linguagem.
Pensava que ela me libertaria das contingências do ser.
Avancei por dentro da palavra como se ela fosse um café, à procura
de um balcão limpo de fumo e de conversas, onde não tivesse outro espelho
para além desse emoldurado pela palavra espelho.
Tropeçava sempre à entrada: ou não me deixavam passar. “Está fechado”, diziam.
E voltava atrás, para essa rua cheia de sol, com o calor insuportável do verão,
sem saber onde encontrar os caminhos que me pudessem levar à revolução.
O Inverno seguinte, porém, as ruas já estavam todas limpas:
a velha ordem regressaria rapidamente à cidade, e até a minha Dandy que,
às três pancadas, me roubou a virgindade na Política, na Arte e no Sexo,
era já a mais esquecida das amadas, para hoje ser a mais lembrada!
É que, cinquenta anos depois, ainda me ficaram alguns porquês:
Dandy, porque não me roubaste também o cigarro da eternidade, porque
não o apagaste no chão da vida, porque não me abriste o caminho do erro,
que é o mais certo dos caminhos?

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A Corrupção em Portugal, versão infanto-juvenil – Francisco Gonçalves

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Recentemente foram noticiadas novas investigações judiciais a ex-governantes do governo de José Sócrates: Manuel Pinho, Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos. Quanto aos casos em si, mais não há a dizer que: apurem-se as responsabilidades criminais, onde houver prova condenem-se os prevaricadores e apliquem-se penas  exemplares, pois o exercício de funções governativas acarreta responsabilidades acrescidas.

Mas, o que aqui se pretende abordar é a estória que, com estes casos, se está a construir. Cinco teses da urdidura, quatro explicitas e uma das entrelinhas.

I – A origem da Corrupção está no Governo Sócrates e no PS.

II – A Corrupção é um fenómeno de Esquerda.

III – Este fenómeno só existe no Estado e nos Organismos Públicos.

IV – É um fenómeno que tem crescido devido ao peso excessivo de Estado na Economia.

V –  Para regenerar a Pátria é preciso um Salvador, um espírito austero e frugal.

Às cinco teses da estória deixo cinco interrogações:

– Os casos “Submarinos”, “BPN”, “Tecnoforma”, “Vistos Gold” e o elegante  “Jacinto Leite Capelo Rego” também tiveram origem no Governo Sócrates e no PS?

– É verdade que a teia da corrupção – segundo alguns,  matriz identitária da Esquerda – envolve Sócrates, Lula,  Chaves, Maduro, aquele senhor de Gori que tem um bigodaço histórico, o barbicha de Petrogrado e o pequeno judeu hirsuto de Trier?

– Como é que este fenómeno chegou ao Futebol onde não há Estado, nem Organismos Públicos, apenas empreendedores vários do negócio da bola, o que não se percebe uma vez que o empreendedor é a pedra angular  da eminente sociedade civil?

– Qual é a explicação para os países nórdicos terem um grande peso do Estado  na Economia e poucos casos de corrupção?

– Será que, não estando no mundo dos vivos o senhor Presidente do Conselho nem na política activa aquele que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, devemos chamar o  virtuoso Rio para salvar a Pátria da teia de corrupção com que a Esquerda aprisiona a Lusitânia?

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Redução dos horários de trabalho e emprego com direitos

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O Grupo Parlamentar realizou esta tarde a Audição Pública «Desenvolvimento científico e tecnológico ao serviço do progresso social: redução dos horários de trabalho e emprego com direitos» que contou com a presença de Jerónimo de Sousa.

Esta audição vem no seguimento da preparação da discussão do projecto de lei do PCP para a redução das 35 horas de trabalho para todos os trabalhadores do sector público e privado, que será realizada, em plenário, no próximo dia 18 de Maio. Este projecto tem como objectivo a defesa dos direitos dos trabalhadores e também a dinamização da economia, pois esta mudança permitiria a recuperação de mais de 440 mil postos de trabalho e uma redução de 240 horas de trabalho por ano a cada trabalhador.

Maio 68, a não-revolução – Manuel Augusto Araújo

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O impulso revolucionário é desviado para o território do espectáculo. Os mitos dadaístas e anarquistas na política e na arte aterram, com a Internacional Situacionista, em Paris, no Maio 68.

Maio 68 faz cinquenta anos. A 13 de Maio a França assistiu à maior greve geral de sempre, que paralisou o país. Uma greve só comparável à greve de 1936 e à que antecedeu a Comuna de Paris. A maior greve geral que alguma vez aconteceu na Europa ou em qualquer parte do mundo.

Era o culminar de lutas operárias que se tinham intensificado desde os princípios dos anos 60, com lutas enquadradas, algumas desenquadradas, pelas estruturas sindicais, e das lutas estudantis desse ano.

Estudantes e operários confluíram nesse dia numa batalha contra o poder gaulista, corporizado por um general reaccionário que até aí tinha a maior oposição em Miterrand, um político oportunista.

Maio 68 destrói o jogo de xadrez em que esses dois filibusteiros se enfrentavam. Destrói o jogo mas não destrói o tabuleiro. O jogo irá continuar com outros gambitos e, como os lances imediatos e os seguintes a curto e médio prazo mostraram, são eles que acabam por sair triunfantes.

Triunfo no quadro político e comunicacional que também é verificável nos percursos dos principais intervenientes no Maio 68. Uma das ilustrações da imagem desse triunfo, é ler na M Magazine du Monde (revista do Le Monde de 6 de Janeiro) que Daniel Cohn-Bendit e Romain Goupil estão a fazer um filme para a televisão comemorativo dos 50 anos de Maio 68.

Dois soixante-huitards, dois destacados lideres estudantis, um anarquista o outro trotskista. Cohn-Bendit, que mediaticamente se tornou na cara de Maio 68, a partir da década de 70 aproximou-se dos Verdes alemães, foi eleito em 1994 deputado europeu e co-presidente do grupo parlamentar Verde no Parlamento Europeu, que abandonou em 2014 com um discurso inflamado a favor do federalismo.

Romain Goupil é um cineasta que rapidamente evoluiu para posições da direita. Ambos foram apoiantes de Macron, esse meteorito fabricado pelos media, um reaccionário que se apresentou ao eleitorado acima dos partidos tradicionais afirmando o propósito de reformar a política, uma linguagem recorrente de direita que muito seduz os chamados independentes e também muito tem seduzido algumas esquerdas.

É um percurso de distanciação a quaisquer resquícios revolucionários que já tinha sido trilhado por outros distintos dirigentes estudantis como Alain Glucksman, Bernard Henry-Levy, Guy Lardeau, Christian Jambert, Jean Paul Dulié, que formaram a corrente dos Novos Filósofos que desenvolveram e desenvolvem as teorias mais conservadoras, nos antípodas do que defendiam em Maio 68.

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Descentralização de responsabilidades, centralização de recursos – Bernardino Soares

A descentralização constitui uma obrigação constitucional. O Artigo 6.º da Constituição da República Portuguesa inscreve a «descentralização democrática da administração pública» como um dos princípios fundamentais de organização do Estado.

Descentralizar é uma exigência democrática, de transparência e de participação.

A consagração do poder local, uma das principais conquistas da Revolução de Abril, foi, ao longo das últimas décadas, responsável por ganhos essenciais na qualidade de vida das populações e no progresso geral do país, constituindo igualmente um importante factor de aprofundamento e vitalidade do regime democrático.

Descentralizar implica aproximar os recursos, o poder e a decisão, das populações, servindo-as melhor e garantindo uma maior e mais eficaz participação das mesmas.

A iniciativa do Governo de alteração das competências das autarquias locais, está longe de se poder qualificar como uma verdadeira descentralização. Desde logo, porque continua a pôr de parte a instituição em concreto das regiões administrativas, prevista na Constituição, que desde 1997 está dependente de decisão favorável em referendo nacional, condição imposta por acordo de revisão constitucional entre o PS e o PSD, liderados por António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa. Por outro lado, porque rejeita reverter o processo antidemocrático de extinção de freguesias do Governo anterior de Passos, Portas e Relvas, continuando a exigir-se a devolução da decisão às populações e órgãos autárquicos locais, na correcção da anormalidade política e administrativa então produzida.

Para uma efectiva descentralização é preciso garantir várias condições. Dela deve resultar a melhoria efectiva do serviço prestado às populações; a garantia da universalidade de direitos fundamentais como o acesso à educação, à saúde ou à protecção social; a aplicação das novas competências a todas as autarquias; a real autonomia para o exercício das competências; e, claro, a garantia de meios financeiros adequados.

Nada disso está em condições de ser garantido neste processo, que é por isso um mero processo de transferência de responsabilidades e de desresponsabilização da administração central e do Governo, em importantes matérias para a vida dos portugueses.

De resto, as transferências de competências para algumas autarquias, designadamente na área da educação, em particular durante o Governo Sócrates, como aconteceu com o município de Loures, são disso um bom exemplo. Acontece hoje que as verbas para trabalhadores auxiliares de acção educativa e administrativos transferidas pelo Ministério da Educação, relativamente às escolas que passaram para a responsabilidade do município, são comprovadamente insuficientes. A autarquia suporta o custo acrescido, contratando mais trabalhadores para fazer face às evidentes necessidades, desde logo para compensar situações de baixa, licenças e outras circunstâncias. E isto já para não falar de todas as necessidades de suporte nos serviços de recursos humanos, saúde ocupacional, entre outros, para acompanhar e apoiar mais umas centenas de trabalhadores.

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PCP requer lista de todos os devedores dos bancos portugueses que tenham tido apoios públicos

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Em declarações à comunicação social, Miguel Tiago informou que “o Grupo Parlamentar do PCP apresentou hoje um requerimento na Comissão de Orçamento e Finanças para que através do Banco de Portugal seja dada a conhecer à Assembleia da República a lista de todos os grandes devedores dos bancos portugueses que tenham tido apoios públicos.”

O PCP reafirma que desde as comissões de inquérito do BPN e BES, BANIF e CGD, sempre requereu o acesso às listas, porém nunca foram entregues ao Parlamento porque o Banco de Portugal entendia que não devia divulgar as respectivas listas.

Da parte do PCP entendemos que é importante saber quem é que levou o dinheiro dos bancos, quem é que levou o dinheiro e não pagou e por isso o Estado teve que intervir com capital e ainda quem foram os responsáveis por permitir o crédito aos devedores.

Assembleia Municipal de Arouca – 27/04/2018

Questões colocadas por Tadeu Saavedra no período destinado à intervenção dos munícipes.

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal Arouca e restante Mesa,
Ex.ma Senhora Presidente da Câmara Municipal de Arouca e restante Vereação,
Senhores Deputados,

Senhora Presidente da Câmara,

São dois os assuntos que me trazem aqui.

O primeiro está relacionado com o Centro de Camionagem. Quem utiliza diariamente os transportes públicos, concretamente os primeiros autocarros da manhã, depara-se com a falta de iluminação do Centro de Camionagem. Trata-se de um problema que urge em ser resolvido.

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Assembleia Municipal de Arouca – 27/04/2018

Questões colocadas por Francisco Gonçalves no período destinado à intervenção dos munícipes.

Boa tarde a todos.
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal Arouca,
Senhores Secretários da Mesa,
Ex.ma Senhora Presidente da Câmara Municipal de Arouca,
Senhores Vereadores,
Senhores Deputados,

Queria começar por sublinhar a comemoração do 44º aniversário do 25 de Abril. Estamos na assembleia magna do Poder Local Democrático, Poder Local Democrático que é uma das conquistas de Abril. Portanto, parece-me justa esta referência.

As duas perguntas que gostava de colocar à Senhora Presidente da Câmara estão relacionadas com a chamada transferência de competências, uma de âmbito mais sectorial e outra de âmbito geral.

Um dos aspectos negativos da aplicação dos Quadros Comunitários de Apoio tem residido na troca da capacidade de produção nacional por dinheiro fácil. Este processo de destruição da produção nacional foi muito evidente na agricultura, nas pescas e na industria transformadora.

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Só dá pouco valor ao trabalho, quem não vale mesmo um cara***! – Álvaro Couto

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Já não sei o que vale o trabalho
quando já nem se respeita um contrato,
o patrão o rasga e o trabalhador vira então escravo:
Só dá pouco valor ao trabalho, quem não vale mesmo um cara***!

Ei-lo, assim, preso das fúrias de Medeia!
Assim fugiu de Circe o grego Ulisses,
assim fugiu de Dido o pio Eneias,
que é neste desassossego que começa a chatice.

A sociedade actual
chama ao trabalho “capital” e à democracia “liberal” . . .
Verbos sem predicado nem sujeito, tanto na Oikos como na Polis . . .

Mas o trabalho é, mesmo num mundo alterável,
uma cristalina força que vive estável.
Tu, trabalho, não és verbo, és raiz!

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Jantar de Comemoração da Revolução de Abril – 2018

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Mais de duas dezenas de camaradas e amigos do Partido Comunista Português e da CDU-Arouca juntaram-se no espaço adjacente à capela de Santa Luzia, em Arouca, para comemorar a Revolução do 25 de Abril de 1974.

Antes da intervenção do orador convidado, Filipe Guerra, da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, cuja intervenção pode ser lida na íntegra em www.cduarouca.wordpress.com, usaram da palavra Francisco Gonçalves, responsável pela organização concelhia de Arouca do PCP e pela coordenação concelhia da CDU e Tadeu  Saavedra da Comissão Concelhia de Arouca do PCP.

Tadeu Saavedra, para além da apresentação do orador da noite, agradeceu a cedência do espaço por parte da Comissão de Melhoramentos da Capela de Santa Luzia e sublinhou o facto do PCP e da CDU se manterem como os únicos, em Arouca, a comemorar politicamente a data.

Francisco Gonçalves começou por registar o pesar pelo falecimento recente do professor Mário Zé Ferreira Pinto, amigo, candidato e activista da CDU, de Santa Eulália, referindo de seguida a importância das comemorações populares da Revolução de Abril, que decorrem por todo o país, valorizando a iniciativa  da Banda e o concerto de amanhã na Praça, pois não só ninguém é dono de Abril como Abril é feito do contributo de muitos mil.

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Jantar do 25 de Abril – Intervenção de Filipe Guerra

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Reunimo-nos nesta sessão para assinalar a Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974 – Dia da Liberdade.

Assinalamos Abril, mais uma vez, e observamos na sociedade portuguesa, em diversas estruturas, institucionais e não institucionais, académicas, sociais, culturais e largamente na comunicação social dominante, persistentes tentativas de reescrita da História, de branqueamento do fascismo, de falseamento ou ocultação de papéis e responsabilidades, e, até, tentativas de denegrir a própria Revolução.

É necessário relembrar o fascismo, proteger a memória da Revolução e transformar esta memória numa força presente.

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Programa de Estabilidade 2018-2022 – Eugénio Rosa

– Diminuição do défice à custa da redução percentual das despesas com pessoal (cortes de 6.851M€) e com prestações sociais (cortes de 5.199M€) e de uma taxa de investimento público inferior à média da União Europeia.

O governo acabou de apresentar o seu Plano de Estabilidade para 2018-2022. A análise deste documento revela que o atual governo pretende reduzir de uma forma mais rápida o défice orçamental do que o inicialmente previsto (PE:2016/2020 : 2017:-1,4%; 2018: -0,9%; 2019:-0,1%; 2020:+0,4%; PE:2018/2022 : 2017:-0,9%;2018:-0,7%; 2019:-0,2%; 2020:+0,7%; 2021:+1,4%; 2022: +1,3%), à custa fundamentalmente da redução, em percentagem do PIB, das despesas de pessoal da Função Publica e das despesas com prestações sociais e também por meio de uma taxa de investimento público inferior à média dos países da União Europeia. Tal política, a concretizar-se, poderá agravar ainda mais o atraso do país e as desigualdades internas. É isto o que se vai mostrar neste estudo utilizando só dados oficiais. 

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Visita a Bruxelas

Grupo de visitantes com João Pimenta Lopes – Bruxelas, 25 de Abril de 2018

A convite do Partido Comunista Português, uma delegação do Agrupamento de Escolas de Arouca, constituída por alunos, professores e auxiliares, deslocou-se a Bruxelas em visita de estudo a fim de aprofundar o conhecimento sobre os organismos e o modo de funcionamento da União Europeia. O anfitrião, João Pimenta Lopes (ao centro na imagem), é um dos deputados do PCP no Parlamento Europeu. A visita teve início segunda-feira e prolongar-se-á até 28 de Abril.

Viva a REVOLUÇÃO!

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AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Era uma vez um país 
onde entre o mar e a guerra 
vivia o mais infeliz 
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
um povo se debruçava 
como um vime de tristeza 
sobre um rio onde mirava 
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país 
onde o pão era contado 
onde quem tinha a raiz 
tinha o fruto arrecadado 
onde quem tinha o dinheiro 
tinha o operário algemado 
onde suava o ceifeiro 
que dormia com o gado 
onde tossia o mineiro 
em Aljustrel ajustado 
onde morria primeiro 
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país 
de tal maneira explorado 
pelos consórcios fabris 
pelo mando acumulado 
pelas ideias nazis 
pelo dinheiro estragado 
pelo dobrar da cerviz 
pelo trabalho amarrado 
que até hoje já se diz 
que nos tempos do passado 
se chamava esse país 
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
vivia um povo tão pobre 
que partia para a guerra 
para encher quem estava podre 
de comer a sua terra.

Um povo que era levado 
para Angola nos porões 
um povo que era tratado 
como a arma dos patrões 
um povo que era obrigado 
a matar por suas mãos 
sem saber que um bom soldado 
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém 
que dentro de um povo escravo 
alguém que lhe queria bem 
um dia plantou um cravo.

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Matança do Porco em Arouca – Álvaro Couto

Meus queridos e broncos conterrâneos (imitando Aquilino):
O porco engordou para além
das expectativas. A pança ultrapassa
o curral, o focinho parece subir
pelas paredes do voto. No quintal,
os outros animais sobrevivem, apenas, em canteiros.
Não se sabe, sequer, o tamanho
deste porco. Ao princípio, foi um pequeno
leitão indesejado pela maioria. Mas cresceu e engordou.
Por algum tempo, acolhemo-lo, alimentámo-lo e, até,
o protegemos dos dentes predadores de outros animais
que existem no quintal. Por fim, a sua gula tornou-se
obstinação, que se agarrou ao curral e,
agora, ao quintal. Alguém diz: “Este
porco há-de assegurar o nosso sustento!
Para nosso governo somos todos porco!” E mesmo
que não seja assim, ele
ganhou essa qualidade. Já não é fácil
desalojá-lo, como se morasse aqui
desde sempre. E de cada vez
que se entra no quintal, a sua presença
impõe algumas regras, como se nas suas patas
se impusessem antigos instintos de má memória,
e essa memória nos falasse de uma pobre existência
que teima em manter-se.
Assim, meus caros, está na hora da matança do porco!

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O Fio de Ariadne – Francisco Gonçalves

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Na mitologia antiga encontramos a intemporal  luta do humano em superar a besta que há em si e a incessante busca para a saída do(s) labirinto(s) da vida. Ao longo dos tempos, por vezes, a humanidade deixou agigantar dentro de si essa besta, perdeu-se no labirinto e achou-se sem  fio para a conduzir à saída. Da história vem a tese que, em tempos de decadência de impérios e ideias, o rasto do fio (de Ariadne) tende a desaparecer.

Olhando o curso dos dias, no mundo e no tempo que corre, lendo, vendo e ouvindo o noticiado ficamos com a impressão de ser época assim a actual. A loucura parece ter-se  instalado nas chancelarias, nos tribunais e nas urnas. Alguns exemplos:

SÍRIA – O chamado mundo ocidental, o outro nome dado às potências capitalistas (EUA, Reino Unido, França…), sobe a parada e cria o ambiente para uma intervenção militar na Síria. Já vimos isto na Jugoslávia, no Iraque e na Líbia. A diferença, na Síria, é que há tropas russas estacionadas. Ora, a Rússia não é a Jugoslávia, o Iraque, a Líbia ou até, se quisermos, o Irão, tem pistolas grandes, faz parte da Europa, chega ao estreito de Bering e vai do Ártico aos mares do sul.

BRASIL – O sistema judicial entrou na luta política, não por condenar políticos (não estão acima da lei, são cidadãos como os outros), mas pelo processo que vem desde a destituição política de uma presidente eleita, sem qualquer acusação ou condenação mas com recurso a “razões judiciais”, pelo discurso e híper-celeridade dado a uns processos em detrimento do tratamento e  híper-arrastamento de outros, sem que se perceba critérios mais que não políticos. Emergem justiceiros, na primeira fila magistrados pop stars, na penumbra botas cardadas.

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Outrora, faz muito tempo, a verdade era algo importante – Paul Craig Roberts

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Pergunto-me quantas pessoas, não apenas americanos mas aqueles em outros países, chegaram à conclusão de que hoje os Estados Unidos são menos livres e menos conscientes do que as sociedades em romances distópicos do século XX, ou de filmes como The Matrix e V for Vendetta . Assim como os personagens de romances distópicos não têm ideia da sua situação real, poucos americanos a tem. 

O que devemos fazer quanto aos extraordinários crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no século XXI que destruíram no todo ou em parte sete países, resultando em milhões de mortos, mutilados, órfãos e deslocados? Considere, por exemplo, o último crime de guerra em Washington, o ataque ilegal à Síria. Ao invés de protestar contra essa ilegalidade, os media americanos incitaram-no, aplaudindo a morte e a destruição iminente. 

Durante a totalidade do século XXI, Israel, o único aliado de Washington – em contraste com os europeus, canadianos, australianos e japoneses que não passam de vassalos do império de Washington – com o apoio, protecção e encorajamento de Washington continuou o genocídio do povo palestino. Basicamente, tudo o que resta da Palestina é um campo de concentração gueto conhecido como Gaza, o qual é rotineiramente bombardeado por Israel utilizando armas e dinheiro fornecido por Washington. Quando o bombardeamento de Gaza é anunciado, o Povo Escolhido por Deus leva suas cadeiras de descanso e farnéis de piquenique a uma colina com vista para Gaza e aplaude quando militares israelenses assassinam mulheres e crianças. Este é o único aliado da América.

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É sempre bom lembrar! – José Alberto Lourenço

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Fala-se em reposição de rendimentos e o patronato ameaça com o papão. Afinal, as despesas com pessoal não passam de 1/6 (14%) dos custos das empresas. A recusa dos patrões tem uma razão de fundo.

desigualdade

Agora que alguns invocam os papões do desequilíbrio externo, do défice e da dívida, sempre que se fala nos passos que lentamente, muito lentamente, vão sendo dados na reposição de rendimentos e direitos dos trabalhadores, vale a pena olharmos para a estrutura de custos das Empresas Portuguesas.

Para tal recorremos à Informação Empresarial Simplificada (IES) recolhida e tratada pela Central de Balanços do Banco de Portugal e que as Empresas Não Financeiras em Portugal têm que entregar até 15 de Julho do ano seguinte ao da referência dos dados. Apenas as Empresas em Nome Individual, as Actividades Financeiras e a Administração Pública estão excluídas deste tratamento estatístico.

Estrutura de custos operacionais em 2016

Ora em 2016 o universo destas Empresas Não Financeiras, constituído por cerca de 418 mil empresas, apresentava uma estrutura de custos operacionais – custos das mercadorias vendidas e matérias consumidas, fornecimentos e serviços externos (custos com energia, transportes e telecomunicações), custos financeiros, amortizações e gastos com pessoal – com a seguinte distribuição, de acordo com a dimensão das empresas:

Nas micro-empresas, empresas com menos de 10 trabalhadores, os custos das mercadorias vendidas e matérias consumidas representavam 45,9% do total dos custos operacionais, os fornecimentos e serviços externos 25,1%, os juros e amortizações 6,0% e os gastos com pessoal 16%;

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