A Vaca – Francisco Gonçalves

“A vaca bebe muita água e faz muito cocó.”
Tobias Alecrim, 5 anos, pré-estudante e pan-activista
A turma da Greta, Ensaios.

Cento e sessenta anos depois da publicação de “A origem das espécies” de Charles Darwin e noventa e dois após Werner Heisenberg ter postulado “O princípio da incerteza” um sobressalto varreu a ciência no passado mês de Setembro, a funda reflexão de Tobias Alecrim sobre a vaca, as emissões de carbono e a pegada ecológica.

Reconheço a minha irritação após notícia de que o Magnífico Reitor da vetusta Universidade de Coimbra tinha decretado a proibição do consumo de carne de vaca aos alunos mais desfavorecidos da sua instituição. Contudo, a leitura da obra, cuja citação abre este texto, deu-me um novo olhar (inovador, moderno e feliz) sobre a matéria, que vê a abstinência da carne como o fim da história, a salvação do planeta e o nirvana dos indivíduos (todos).

Tobias Alecrim disseca: “as pessoas não devem comer carne de vaca” porque “a vaca bebe muita água” e depois “as pessoas não têm água para beber” e porque “a vaca come muita soja (através da ração)”, o que obriga a “queimar floresta e acaba com o tofu”. Numa consubstanciação invulgar num texto desta natureza, é-nos dado saber, em nota de rodapé, pela pena do pai do Tobias, professor universitário com 3 doutoramentos, que 200gr de Tofu Fumado Biológico Joya custam 2,49 euros nos hipermercados Continente.

Continuar a ler

Sobre mais um escandaloso aumento de Comissões Bancárias

1 – A divulgação dos novos aumentos das Comissões Bancárias praticadas na Caixa Geral de Depósitos, a partir do início do próximo ano, configura um assalto aos utilizadores do banco e confirma, mais uma vez, que o Banco Público é gerido como se de um banco privado se tratasse, com um único objectivo: aumentar os lucros não olhando aos meios para o atingir.

As decisões agora anunciadas, para além de uma prática abusiva, são injustas e de duvidosa admissibilidade porque em simultâneo passam a cobrar pela conta de serviços mínimos bancários, que não tinha qualquer custo, e premeiam os clientes com maiores rendimentos com uma redução dos custos.

2 – Não sendo uma prática apenas da Caixa Geral de Depósitos, ao Banco Público exige-se uma intervenção que sirva de referência ao conjunto da banca e impeça neste sector práticas que, para além de abusivas, são cartelizadas e que por isso devem ser eliminadas. O argumento da necessidade de garantir resultados para a banca como justificação destas comissões é falacioso porque em 2008, já em plena crise, com os bancos a obterem lucros significativos – só os 4 maiores bancos privados tiveram lucros de 1.270 milhões de euros – as comissões bancárias representavam já 21,3% do produto bancário. Valor que em 2018 atingiu cerca de 31,7% do produto bancário – cerca de 3.000 milhões de Euros.

Continuar a ler

Comunicado do Comité Central do PCP de 8 de Outubro de 2019

O Comité Central do PCP, reunido a 8 de Outubro de 2019, analisou os resultados das eleições para a Assembleia da República e das eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, e o quadro político delas decorrente. Apreciou elementos da situação internacional, e estabeleceu linhas da acção, iniciativa política e do reforço do Partido, para responder às exigências que se colocam.

I – Quadro político resultante das eleições

1. A não obtenção pelo PS da maioria absoluta, num quadro em que PSD e CDS vêem confirmada a sua condenação, não é por si só condição suficiente para garantir um percurso de novos e mais decisivos avanços e para prevenir o perigo de andar para trás no que se alcançou.

Honrando os compromissos assumidos com os trabalhadores e o povo o PCP não faltará com a sua disponibilidade, iniciativa, determinação e independência políticas, para fazer o País e a vida dos portugueses andarem para a frente, para lutar por uma política alternativa patriótica e de esquerda que, em ruptura com a política de direita, desamarre o País dos constrangimentos que, por opção do PS, limitam e impedem a resposta aos problemas nacionais e às aspirações populares.

O Comité Central do PCP reafirma neste quadro que os votos confiados à CDU, associados à luta de massas, são força que vai contar para fazer avançar as condições de vida e o desenvolvimento do País. Da parte do PCP é esta a garantia que os trabalhadores e o povo têm como certa.

Continuar a ler

Acordai! – Jorge Cadima

A vergonhosa resolução aprovada pela maioria do Parlamento Europeu sobre a II Guerra Mundial (19.9.19), não é apenas grave pela tentativa de reescrever e falsificar a História. É grave por aquilo que representa para a actualidade e o futuro. Apenas oito dias mais tarde, o Ministro da Defesa da Letónia, país da UE, discursou numa cerimónia comemorativa dos legionários letões que combateram durante a II Guerra Mundial nas fileiras das SS – o braço militar do Partido Nazi responsável por muitos dos seus piores crimes, incluindo massacres como os de Pripyat, Oradour, Marzabotto, Fosse Ardeatine. A revista inglesa New Statesman chama às Waffen-SS «a maior máquina de matar judeus da História do mundo» (16.3.12). No seu discurso, o Ministro Pabriks apelou a que «honremos os legionários caídos, e que ninguém despreze a sua memória! Os legionários letões são o orgulho do povo e do Estado da Letónia» (notícia de 27.9.19 na página oficial do Ministério da Defesa). Na Letónia, a quase totalidade da população judaica foi exterminada e «unidades nativas de auxiliares foram responsáveis por muitos dos assassinatos» (‘O império de Hitler’, do historiador inglês Mazower). Muitos letões recusaram o colaboracionismo e até o combateram de armas na mão. Mas o Ministro orgulha-se dos que combateram a URSS integrados nas SS. Não há notícia de que os deputados no PE que votaram a favor da resolução (todos os do PSD, CDS, PAN e – com uma única abstenção – do PS) se tenham indignado com as palavras do Ministro.

A reabilitação da pior escória fascista não é novidade. Os veteranos letões das legiões das Waffen-SS e seus admiradores desfilam todos os anos, desde 1998, nas ruas da capital Riga, tal como sucede noutras repúblicas bálticas que integram a UE. Os massacres dos fascistas ucranianos (como o da Casa dos Sindicatos de Odessa, 2 Maio 2014) passaram na indiferença cúmplice da comunicação social e do poder na UE. O italiano Tajani, Presidente do Parlamento Europeu até às eleições de Maio passado, declarou a uma estação de rádio (14.3.19) que «até às leis raciais [1938] e a declaração de guerra [Junho 1940]» Mussolini tinha feito muitas «coisas positivas para a Itália». Todos os anos, moções anti-nazis são aprovadas na ONU, mas com os votos contra dos EUA e a abstenção dos países da UE. Os familiares antepassados de muitos dos actuais dirigentes de países de Leste eram fascistas – salvos pelos EUA no fim da II GM e trazidos de volta pelos EUA há um quarto de Século.

Continuar a ler

O «milagre» das PPP – Vasco Cardoso

Os encargos líquidos com as Parcerias Público Privadas – PPP voltaram a subir. É a própria Unidade Técnica de Apoio Orçamental – UTAO que o diz, revelando que os custos com as PPP tiveram um acréscimo em 2018, face a 2017, de 2,8%, ou seja, mais 46 milhões de euros. Ao todo, o País despendeu neste tipo de contractos (a UTAO avaliou 35), em 2018, 1.678 milhões de euros, sendo que o grosso dessa fatia corresponde às PPP contratualizadas na rodovia. De registar, que a subida mais significativa verificou-se no sector da saúde, com os encargos líquidos a subirem em termos homólogos acima dos 5% durante o referido ano.

Um outro aspecto que importa também assinalar é que, o aumento dos custos com as PPP, se dá num período em que o investimento realizado por via deste mecanismo caiu. Diminui o investimento e aumentam as receitas para os grupos monopolistas donos das PPP, eis o exemplo da «eficiência» do sector privado. Assim também eu, diria o outro.

Continuar a ler

Sobre as eleições legislativas de 6 de Outubro de 2019

1. Os resultados conhecidos traduzem, ainda que com alterações de posicionamento e expressão eleitoral entre as forças políticas com representação na Assembleia da República, um quadro parlamentar com uma relação de forças semelhante ao de 2015.

Mas esse facto não ilude que a esta actual arrumação de forças no plano institucional corresponda uma conjuntura política distinta da de 2015.

Ficou claro nestes anos que foram importantes os passos dados na defesa, reposição e conquista de direitos, no seguimento da interrupção da acção de um governo e de uma política de desastre nacional com a decisão então tomada pelo PCP e o PEV de contribuir para uma solução institucional que fizesse corresponder à derrota imposta no plano social e eleitoral ao governo PSD/CDS a sua derrota política, fazendo gorar planos para prosseguir e intensificar a ofensiva que os PEC e o Pacto de Agressão haviam inscrito como orientação para o futuro da vida do País e do povo português.

Mas ficou igualmente claro que as medidas negativas que se evitaram e os avanços verificados, não são suficientes para a resposta necessária aos problemas nacionais e à concretização dum Portugal desenvolvido e soberano.

Continuar a ler

Nasceu o neoliberalismo climático – José Goulão

Salvar o planeta de quê? Das alterações climáticas, de que mais haveria de ser? Haverá mais coisas assim tão ameaçadoras com que tenhamos de nos preocupar?

Manifestação do grupo ambientalista Extinction Rebellion em Londres, a 15 de Abril de 2019.Créditos/ Sky News

Salvar o planeta! Ora aí está uma causa nobre, por certo não fracturante, à medida do mainstream, padronizada segundo as normas da opinião única, enfim polémica quanto baste porque os seus opositores são encabeçados por figuras que estão de passagem, como Donald Trump, por certo uma excepção na tão recomendável classe bipartidária e monolítica dos Estados Unidos da América. Atentemos nos casos de Obama, de Hillary Clinton, consabidamente tão amigos do planeta e do ambiente.

Salvar o planeta de quê? Das alterações climáticas, de que mais haveria de ser? Haverá mais coisas assim tão ameaçadoras com que tenhamos de nos preocupar?

Continuar a ler

Acerca do chamado “aquecimento global” – Jorge Figueiredo

A campanha de desinformação acerca do chamado “aquecimento global” de origem humana (antropogénica) vai de vento em popa.   Ela destina-se a confundir as pessoas, apagando a distinção entre verdades e mentiras.   Esta promoção do irracionalismo constitui uma impostura e um atropelo à ciência.   A fim de manter um mínimo de sanidade, convém recapitular o assunto e estabelecer factos. As perguntas e respostas que se seguem tentam fazer isso.

O ser humano é responsável pelo clima no planeta Terra?

A resposta é não. Não podemos controlar o clima do nosso planeta, o qual é determinado por factores totalmente fora do nosso alcance tais como intensidade da actividade solar, nuvens, ângulo de rotação do planeta, vulcões e muitíssimos outros.

Clima é a mesma coisa que ambiente?

A resposta é igualmente negativa. O ambiente refere-se à camada delgada de ar em que vivemos sobre a superfície da terra e do mar, ao passo que o clima abrange todo o planeta até à estratosfera. A confusão entre ambiente e clima é muito frequente, sobretudo por parte de jornalistas e políticos ignorantes. O ser humano pode (e deve) preservar o ambiente, mas nada pode fazer quanto ao clima.

O dióxido de carbono (CO2) é um gás poluente?

É um rematado absurdo dizer que o CO2 é um poluente pois trata-se de um gás não só inócuo para a saúde humana como também indispensável à vida no planeta Terra (indispensável à fotossíntese). No entanto, o IPCC resolveu erigir o CO2 como o grande vilão universal responsável pelo aquecimento global – mas tal relação de causa e efeito nem sequer está demonstrada. O CO2 não é o “botão de controle” do clima. Além disso, é igualmente absurdo reduzir uma ciência tão complexa como a climatologia – em que intervém uma multidão de variáveis – a apenas uma única variável, o CO2. Recorde-se que a proporção total de CO2 no ar que respiramos é de apenas 0,03% a 0,04% e que a parte do mesmo de origem antropogénica é absolutamente irrisória.

Continuar a ler

Semiologia Eleitoral – Álvaro Couto

Digo-te apenas: Vota. Há palavras que parecem sólidas,
ao contrário de outras que se desfazem nos dedos.
Por exemplo: Esquerda. Ou ainda: Direita. Os votos podemos
escolhê-los, metemo-los dentro de uma urna como
se fosse um sonho ou um caixão. Mas não escondê-los. Eles
ficam no ar, invisíveis, como se não precisassem
dos sons com que votamos.

Agora, o efeito dos votos. A sua rotação
na cabeça, e pelas artérias, até ao centro:
a Assembleia da República. Outras palavras com que se diz:
Democracia. E, com isto, fixadas ficam as eleições pelo número maior: o nº de deputados;
de resto também há geringonças eleitorais que escondem o contrário do que querem dizer,
e só os conhece quem ama e vive, quando o poder da política não leva os partidos
por caminhos diferentes, obrigando-os assim a encontrarem-se.

Continuar a ler

APELO AO VOTO

NO DIA 6 DE OUTUBRO VOTE CDU!

A solução política dos últimos quatro anos demonstrou que, afinal, era possível melhorar os rendimentos e condições de vida do nosso povo, melhorias insuficientes, mas melhorias: no salário mínimo e nas pensões; no descongelamento das carreiras e no alívio fiscal no IRS; nos passes sociais e nos manuais escolares gratuitos.

Mas isto só foi possível porque o PS não teve condições para sozinho governar com “mãos livres”. O PCP, logo na noite eleitoral, abriu esta possibilidade de solução, e os deputados do PCP e PEV, ao longo da legislatura, aproveitaram ao máximo o que ela permitia.

E só não foi possível ir mais além porque os compromissos do PS com o Capital e com a União Europeia não permitiram. São disso exemplo as alterações à legislação laboral e a obsessão pelo défice zero.

É esta obsessão pelo défice zero, e agora pela redução da dívida pública sem a renegociar, que desviam fundos tão necessários ao investimento público e ao reforço dos serviços públicos (por exemplo a contratação de pessoal na saúde). Sem investimento público continuaremos à espera da conclusão da Variante e que uma nova vaga de incêndios consuma uma floresta em crescimento desordenado, qual barril de pólvora.

Continuar a ler

CDU na Feira das Colheitas

Etiquetas

Miguel Viegas (PCP), Lara Pinho (PCP) e Francisco Gonçalves (PCP)

No crepúsculo do sábado das Colheitas, a candidatura da CDU às Eleições Legislativas do próximo dia 6 de Outubro visitou a Feira das Colheitas. Uma delegação que integrava o cabeça de lista ao círculo eleitoral de Aveiro (que elege 16 deputados) e os dois candidatos de Arouca, Lara Pinho, filha da terra e enfermeira em Aveiro e Francisco Gonçalves, professor do Agrupamento de Escolas de Arouca.

A Feira das Colheitas, criada por altura da carestia da II Guerra Mundial com o propósito de desenvolver a produção agrícola no concelho, teve, de facto, esse papel durante várias décadas. Hoje, apesar de ligada a esse imaginário, com o abandono da agricultura e da floresta, estimulado por décadas de políticas públicas de desprezo pela produção nacional, o mundo rural e as populações do interior, é ainda um espaço onde se pode encontrar uma amostra do que resta da agricultura local.

Continuar a ler

Mentira com perna curta – Vasco Cardoso

Primeiro em versão de cartaz de rua, depois como argumento recorrente nos debates televisivos, o PS tem vindo a difundir nestas eleições a ilusória ideia de que, nos novos contratos de trabalho que foram celebrados ao longo da legislatura, 92% são sem termo (com vínculo efectivo) e apenas 8% seriam contratos de natureza precária. Só mesmo o PS para, em vésperas das eleições, atirar uma vez mais areia para os olhos numa situação onde a simples observação da realidade e o conhecimento concreto da vida de milhares de trabalhadores é suficiente para desmontar aquilo que, quer António Costa, quer o PS, sabem ser mentira.

O truque reside na comparação linear entre o número de contratos de trabalho existentes nos segundos trimestres de 2015 e 2019, para, a partir daí, chegar à dita conclusão. Uma mentira que cai por terra se tivermos presente que apesar de terem sido celebrados 838 043 novos contratos de trabalho (não considerando os contratos ultra precários de muito curta duração) neste período, destes, apenas a  396 840 foi garantido um vínculo efetivo. Na verdade, o que os números de Costa escondem é a altíssima rotação existente em cada posto de trabalho. Por exemplo, um trabalhador que esteja 6 meses numa empresa, 3 meses no desemprego, mais 2 meses noutra empresa e por aí fora, não conta para a estatística que o PS usa para mascarar a precariedade.

Continuar a ler

Nova legislação laboral escancara a precariedade

Promulgadas pelo Presidente da República em Agosto e publicadas pelo Governo a 4 de Setembro, as alterações à legislação Laboral que entram em vigor no próximo dia 1 de Outubro constituem um retrocesso nos direitos dos trabalhadores porque ampliam as possibilidades de recurso ao trabalho precário, ao contrário do que o Governo diz pretender.

A iniciativa partiu do Governo minoritário do PS, que a formalizou há cerca de um ano depois de ter levado a matéria a discussão na Concertação Social. Naquele fórum, a proposta inicial acabou por ser cirurgicamente alterada.

A CGTP-IN recusou a subscrição de um acervo normativo que acusa de escancarar ainda mais as portas à precarização das relações laborais, isto é, que acaba por concretizar um objectivo diferente daquele que proclamam os seus promotores.

Diversamente entenderam os demais parceiros sociais, tendo as associações patronais e a UGT concordado com a versão final das alterações que, no fundamental, resultaram na proposta legislativa levada à Assembleia da República pelo executivo liderado por António Costa, tendo sido aprovada com os votos a favor do PS, a abstenção do PSD e do CDS, e os votos contra do BE, do PCP, do PEV e do PAN.

PCP, BE e PEV anunciaram entretanto o pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional de três das alterações levadas a cabo, pese embora muitas mais merecessem ser confrontadas com a letra e o espírito da Constituição da República Portuguesa.

Continuar a ler

Bifes do lombo – João Frazão

Sem que nada o fizesse esperar, o Reitor da Universidade de Coimbra juntou-se à cruzada contra a produção de bovinos e anunciou que, para a descarbonizar, na vetusta instituição que dirige não se comerá mais carne de vaca. Não fosse trágico teria piada.

Sucede que, para além de não assentar em nenhum critério científico, apenas cedendo a uma agenda da moda promovida por obscuros interesses, a decisão da Universidade deita por terra todo o esforço que foi feito para elevar a Dieta Mediterrânica ao patamar de Património da Humanidade, que se deveria valorizar em toda a sua dimensão, até porque o papel da UC não é o de impor modelos de alimentação, mas antes fazer a pedagogia necessária aos hábitos alimentares sadios e a práticas amigas do ambiente.

Continuar a ler

«Sondagens» – ficção e realidade – Carlos Gonçalves

Ainda há sondagens rigorosas e isentas, mas são cada vez menos, e são ainda mais raras as notícias objectivas desta matéria nos media dominantes.

Uma verdadeira sondagem comporta uma limitação insuperável – apenas permite a previsão aproximada de uma tendência, num determinado momento e no intervalo de valores da margem de erro. E isto se forem utilizados o método aleatório, amostras bem estratificadas e dimensionadas – no plano geográfico, social, etário, de género e de voto anterior -, inquirição fiável e estimação complementar da abstenção e distribuição de não respondentes e indecisos conforme com a realidade.

É indispensável ter presente que hoje os interesses que comandam a ideologia e o sistema mediático instrumentalizam até as sondagens sérias, não esclarecem e escondem a informação nas letrinhas ilegíveis, destacam títulos «de encomenda», repetidos à exaustão, que visam «fazer a cabeça» dos mais frágeis e indecisos, para desta forma fabricar resultados eleitorais de sua conveniência.

Continuar a ler