Nos tempos que correm, só há um tema, o que não nos ajuda a passar o tempo nem a libertar a mente. Vírus, corona, Covid-19, formas de contágio, infetados, internados, cuidados intensivos, mortes, são as palavras do momento. E, para aqueles que dizem ver mais além, as palavras não soam melhor: crise económica, falências, desemprego, recessão…

Pelo meio, são muitos os exemplos que nos mostram que o ser humano, no meio de todas as suas imperfeições, é, de facto, humano. No sentido de humanista, como o atesta a multiplicidade de estórias comoventes e comovedoras de dedicação ao bem comum, de amizade, de fraternidade, de solidariedade a que também vamos assistindo. Que nos fazem acreditar que, afinal, há futuro para a humanidade!

Mas, ao mesmo tempo, assistimos (os mais atentos e que diversificam as fontes de informação…) a episódios que mostram que o lado mais negro do Mundo continua a “brilhar”. Só assim se pode classificar o facto de, nos tempos que correm, estar a decorrer, na Europa central e nos países bálticos, uma operação de grande envergadura da NATO, apelidada “Defender Europe 20”. Que visa enviar 20 000 soldados diretamente dos EUA para a Europa, na maior mobilização de forças em mais de 25 anos. Ao mesmo tempo que milhões de pessoas são colocadas de quarentena em suas casas. Quando há falta de materiais e equipamentos básicos nos hospitais. Quando assistimos a diversos países, designadamente os EUA, a proibirem a entrada de cidadãos da Europa no seu país. Ao mesmo tempo, dizia, milhares de soldados dos EUA, acompanhados de equipamentos e material de guerra (e, presumo, acompanhados de hospitais de campanha bem apetrechados) cruzam o Atlântico para desembarcar na Europa onde, juntamente com militares de outros países da NATO, desenvolvem exercícios militares de grande envergadura. Que não foram suspensos devido à pandemia, apenas foram “ajustados”. Porque, apesar de nos dizerem que esta pandemia se equipara a uma guerra, os verdadeiros “senhores da guerra” não podem abdicar dos seus exercícios militares!…

Simultaneamente, a União Europeia, um dos pilares da NATO, manifesta total incapacidade de apoiar os seus estados-membros, particularmente a Itália, cujo povo é o que mais tem sofrido os efeitos do Covid-19. Bem pode a UE, face aos tempos que vivemos, dizer que “alivia” as regras orçamentais – e era o que faltava se tal não acontecesse! Porque, de facto, nesta crise não houve UE! Situação que é ainda mais vergonhosa quando vemos a desembarcar, nessa mesma Itália, médicos e equipamentos chineses. Ou equipas de médicos cubanos que, apesar do selvático embargo económico ao seu país, dizem presente nos momentos em que a solidariedade se impõe…

Engenheiro