Propomos aos leitores um exercício simples: anotar os títulos maiores de um dos noticiários da CM-TV. Peguemos no das 19h45 de terça-feira passada, por exemplo: pai mata filha bebé, justiça incompetente, menina atropelada, incêndio, atropelamento, descarrilamento, despiste, adolescente desaparecido, morte, desaparecido viajou a convite de individuos de etnia cigana, táxi atirado ao rio, decapitada, colisão mortal, caos nas urgências, agressão no hospital, mata amante para roubar, escondia dinheiro nas cuecas, morte sem culpados, GNR sem luz, Estado condenado. Ufa. Mesmo poupando os leitores do Avante! à catadupa de notícias e alertas sobre futebol ou a viúva Rosa, só de ler, já disparam os níveis da ansiedade.

É isto, todos os dias, em versão papel, digital e televisiva, em casas, cafés e salas de espera por todo o país. Haverá quem se considere imune, mas são muitos os consumidores deste tipo de «informação» – que está longe de se esgotar no Correio da Manhã – que a recebem sem filtros e a integram na sua visão do mundo.

Vem isto a propósito do estudo divulgado recentemente que coloca Portugal como o terceiro país mais seguro do mundo, acolhido com surpresa por muitos, face ao bombardeamento diário de casos de polícia promovidos a espectáculo mediático. O PCP leva a segurança das populações muito a sério. Viver em segurança é um direito, e é necessário um sistema de segurança interna de proximidade, que previna e combata a criminalidade, com meios adequados e profissionais valorizados.

Medo, desconfiança, insegurança, a sensação permanente de perigo iminente, não são só a consequência de um certo estilo de jornalismo. Também são o objectivo de forças reaccionárias que procuram espaço para os seus projectos anti-democráticos. Dar-lhes combate passa também por responder aos problemas concretos das populações em matéria de segurança, promovendo a tranquilidade e o exercício dos direitos.

in “Avante” a 16 de Janeiro