Vieste de longe, de muito longe,
o que andaste para aqui chegar;
cantaste para longe, para muito longe,
sem que ninguém pudesse escutar;
censuras que, somadas e divididas,
multiplicaram-se por muitas;
canções que, por mais que furadas,
ainda hoje se repetem na tua voz grave,
como eco nas abóbadas do verão
mordendo essa inquietação
de «jovens almas censuradas»,
«sem pecado nem inocência»,
só com «um livro e um canivete
e uma alma para ir à escola
e um letreiro que promete»
neste mundo ainda todo por perceber.
Tu vais para longe, para muito longe,
«com o corpo preso à cabeça»;
tu cantarás para longe, para muito longe,
sempre e sempre «dar à corda»
nessa «forma da alma que procura»,
naquilo que é «a vida e é a morte»;
para que «espetando os cornos no destino»
«não nos pareçamos connosco quando estamos sós»;
pois nessa «revolução» é que está a questão!

Arouca, 19 de Novembro