Sem que nada o fizesse esperar, o Reitor da Universidade de Coimbra juntou-se à cruzada contra a produção de bovinos e anunciou que, para a descarbonizar, na vetusta instituição que dirige não se comerá mais carne de vaca. Não fosse trágico teria piada.

Sucede que, para além de não assentar em nenhum critério científico, apenas cedendo a uma agenda da moda promovida por obscuros interesses, a decisão da Universidade deita por terra todo o esforço que foi feito para elevar a Dieta Mediterrânica ao patamar de Património da Humanidade, que se deveria valorizar em toda a sua dimensão, até porque o papel da UC não é o de impor modelos de alimentação, mas antes fazer a pedagogia necessária aos hábitos alimentares sadios e a práticas amigas do ambiente.

Se o senhor Reitor quer mesmo ajudar o Planeta, devia anunciar que passaria a comprar apenas produtos locais provenientes de modos de produção sustentável, do arroz do Baixo Mondego à carne de raça Marinhoa, do porco Bísaro aos ovos de Lafões, ou ovelhas e cabras de montanha e, particularmente, produtos oriundos da agricultura familiar. Esta, sim, seria uma decisão que ao mesmo tempo defenderia a produção nacional e o emprego e contribuiria para ajudar o ambiente, reduzindo a pegada ecológica dos consumos da UC.

Ora tendo o PCP denunciado até à exaustão os métodos de produção intensivos, quase industriais do agro-negócio, que estiveram, por exemplo, na origem da crise das vacas loucas, não pode deixar de sublinhar que esta é uma decisão que contraria e põe em causa o esforço que as instituições de Ensino Superior, e designadamente em Coimbra, fazem por melhorar a produção animal no nosso país.

O que incomoda mesmo a sério é imaginar que milhares de comensais das cantinas da mais antiga Universidade do País vão assim ficar privados do bife do lombo e da vazia, com que, dia sim, dia não, eram presenteados no prato social.

 

in “Avante” a 26 de Setembro de 2019