O desligamento dos noticiários, nos seus vários suportes, que muito prezo no Augusto mês que ao de Júlio segue, não é, nunca, completamente estanque. Desta vez foi a ECOLOGIA ROSA (pelos vistos muito apreciada, também, nas chancelarias) que me entrou ouvidos e olhos adentro.

Como, também, neste período de Verão aproveito para pôr o Sport em dia, coincidências da vida, percorri trechos do PR 7 e do PR 15 de Arouca e do PR 1 de Vale de Cambra, o que me deu mais uns elementos pelos quais vou começar.

Da meia encosta da Freita até às cumeadas a crua natureza dá-nos uma bela paisagem, da meia encosta para baixo é uma desgraça, pela intervenção humana, matagais e matagais, rios poluídos e interditos a banhos e muito abandono, aldeias e campos incluídos.

Falharam completamente as políticas da União Europeia destinadas a salvar o mundo rural e a pequena agricultura, floresta incluída, falharam as políticas e os políticos portugueses, leia-se os que tiveram poder para fazer alguma coisa (PS, PSD, CDS), que cederam aos grandes interesses e destruíram as estruturas do Estado de apoio à floresta e à agricultura. Há quem diga que isto não tem conserto nem concerto.

Lá para o sul, entre o mar e o Mira, parece que o conserto chega pelas mãos da agricultura intensiva, estufas e estufas a perder a vista e um fenómeno demográfico curioso, uma comunidade asiática significativa, aos trabalhadores agrícolas junta-se um comércio com expressão, sendo hoje parte significativa da população da região. Faz lembrar uma das mil estórias do Chatwin, no seu périplo pela Patagónia, chegado a uma povoação lá nos confins austrais deparou-se com a utilização de duas línguas escritas, o inglês … e o gaélico.

Voltando ao título, parece que a Tia Europa anda muito preocupada com a floresta, ao que dizem, porque um certo capitão moto-serra estimula incêndios lá para a Amazónia.
Para sossego da Tia, o belo e jovem Monsieur Le President indignou-se com o ataque ao “pulmão da Terra” e a menina Greta, que quer salvar o planeta e é da Suécia, cruzou os oceanos, no catamaran do Príncipe Casiraghi, para tratar da Ecologia sem recurso a aviões, pois têm uma pegada ecológica infinitamente pior, imagine-se, que a da vaca.

Não sendo a mesma coisa as políticas de Bolsonaro e Macron defendem os mesmos Interesses. As divergências da concorrência não apagam as convergências da natureza. Estranhos tempos estes!

Arouca, Setembro de 2019