A síndrome PSD do 24 de Abril é o conjunto de sinais e sintomas desta patologia crónica e da sua política. E é também uma doença congénita, já existia antes do PSD nascer, nos genes dos «pais fundadores», na simulação liberal da fase terminal do fascismo. Após a Revolução de Abril, fez-se doença crónica e mais agressiva. Uma das suas manifestações mais virulentas foi o governo PSD/CDS de P. Coelho e, no plano da mistificação ideológica, foi chamar «novo 25 de Abril» ao projecto de fazer o País voltar ao 24 desse mês libertador.

Rio foi um esforçado empreendedor desta patranha. E quando o Diabo «bateu as botas», na nova fase da vida política nacional, esta treta deu suporte a uma chefia do PSD recauchutada. Mas o PSD continuou em perda, com a derrota de elementos da política de direita, do PSD, CDS e PS, pela relação de forças do 4 de Outubro de 2015 e por acção do PCP e da CDU.

As propostas de Rio do «novo 25 de Abril» fizeram algum caminho, por exemplo, na legislação laboral, mas falharam muitos projectos reaccionários, como a subversão da autonomia do Ministério Público e da independência do sistema de Justiça, o tal que estaria agora «pior que com Salazar», porque faltou o «banho de ética» de Rio e houve avanços positivos no combate ao crime económico e à corrupção, mesmo de «notáveis» do PSD.

Hoje, o PS faz o possível para se livrar das «circunstâncias», em que a luta do povo e a proposta do PCP conquistaram direitos, e para voltar à plenitude da política de direita. E cada vez mais sectores do capital apostam no PS, para o confinar à sua opção de classe, com o PSD (e o CDS). A síndrome PSD do 24 de Abril poderia assim tentar fazer mais caminho pela mão do PS.

Também por isso – andar para trás não. Mais força à CDU.

 

in “Avante” a 4 de Julho