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Não obstante ter participado em algumas iniciativas da campanha eleitoral, afazeres profissionais têm impedido uma participação mais ativa, designadamente em ações de contacto com as pessoas. Falta-me, portanto, esse “termómetro” para medir reações e sentimentos, condição essencial para “tirar o pulso” ao ambiente eleitoral.

Vou, no entanto, seguindo a campanha pela Comunicação Social. Em particular, assisti apenas a um debate, já há algum tempo e na SIC Notícias, com os primeiros candidatos de todas as forças políticas com representação no Parlamento Europeu. Não gostei do modelo (que praticamente impedia a interação entre os candidatos). Mas o pior foi o pós-debate com uns jornalistas a comentá-lo e a fazerem uma leitura completamente distorcida do mesmo, claramente influenciada pelas suas opções pessoais.

Apesar destas limitações, há coisas que me parecem evidentes. Pedro Marques e Paulo Rangel, conscientes de que em matérias europeias (e noutras…) o PS e o PSD pouco se distinguem (agora até Rio diz que podia ter sido do PS…) fazem uma campanha de soundbites em torno de questões pessoais e acessórias (tipo “foi de helicóptero” ou “tem medo de ir para a rua contactar as pessoas”) atacando-se pessoalmente para aparentarem diferenças profundas entre eles – que na realidade não existem, defendendo ambos um modelo europeu federalista que põe em causa, ainda mais, a soberania nacional e em que o “económico” se sobrepõe ao social.

Nuno Melo é, cada vez mais, a voz (será mais a vox…) da extrema-direita em Portugal, fazendo-me recordar os grupos do MIRN dos meus tempos de liceu. O seu discurso, falho de ideias (o que é natural para quem tão pouco fez como deputado europeu), baseia-se no “ataque aos comunas”. Ele é perorar contra o “assassino” Che Guevara, as “ditaduras comunistas”, vencer os “extremistas” de Esquerda e outras coisas que, nota-se, lhe tiram o sono mas prejudicam a “candura” da líder…

O BE aposta tudo na imagem da sua candidata que, sendo positiva, não disfarça algumas incoerências na posição do partido face à Europa e, particularmente, face ao euro (sair ou não sair). Procurando estar de bem com Deus e com o Diabo, como o demonstra a posição face à Venezuela, onde não tem a coragem de optar por calculismo eleitoral…

É evidente que eu tomo partido. Mas não posso deixar de dizer que essa opção, convictamente assumida, pelo programa e pela prática, é acompanhada por uma imensa alegria e um grande orgulho pelo facto de a CDU ter um candidato extremamente conhecedor, bom comunicador e com um pensamento extremamente estruturado. Que faz com que até Miguel Esteves Cardoso considere João Ferreira o melhor candidato…

Engenheiro