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Já próximo das eleições para o Parlamento Europeu (PE) é com grande determinação e confiança que a CDU enfrenta esta batalha e desenvolve a sua campanha de esclarecimento e mobilização. Para tanto não faltam razões, desde logo pelo incomparável património de trabalho dos deputados comunistas eleitos pela CDU em defesa dos interesses do povo e do País, mas também pelo seu projecto distintivo igualmente sem paralelo por um Portugal soberano e desenvolvido, de progresso e justiça social. É tudo isso que emana desta entrevista concedida ao Avante! por João Ferreira, 1.º candidato da lista da CDU às eleições para o PE.

João Ferreira – 1º Candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu

– Que importância atribuis a estas eleições para o PE?

Estas eleições constituem uma oportunidade para, através do reforço da CDU, dar mais força a quem defende o povo e o País no Parlamento Europeu para afirmar a necessidade e a possibilidade de uma ruptura com o rumo de desigualdade, dependência económica e subordinação política imposto ao país e ao povo português. Para dar mais força a quem, no PE, tem enfrentado sem hesitações a submissão às imposições e condicionalismos da União Europeia – particularmente os associados ao Euro – e afirmado a necessidade de recuperar para Portugal os instrumentos necessários ao seu desenvolvimento soberano.

– Em que é que se diferencia o trabalho dos eleitos da CDU no PE?

Sendo um trabalho que se destaca de um ponto de vista quantitativo, ele diferencia-se das demais forças políticas sobretudo do ponto de vista qualitativo: pela inigualável ligação que evidencia à realidade do País, pelo conhecimento que demonstra das variadas esferas da vida nacional, pela denúncia das consequências das políticas da UE, pela identificação com os problemas concretos sentidos pelos trabalhadores e pelo povo, pelos agricultores, pelos pescadores, pelos micro, pequenos e médios empresários, e finalmente pelas soluções e propostas concretas avançadas para ir ao encontro dos seus anseios e aspirações.

– Queres dar exemplos concretos de como a acção dos eleitos pela CDU foi útil e vantajosa para Portugal e os portugueses?

Poderíamos dar variados exemplos de situações nas quais, mesmo com a composição extremamente adversa que o Parlamento Europeu tem – e que faz com que a maioria das decisões ali tomadas tenham um impacto negativo na vida dos trabalhadores e do povo –, foi possível, graças à iniciativa e intervenção dos eleitos pela CDU, aprovar medidas positivas: desde a mobilização de apoios concretos ao sector das pescas (por exemplo, em caso de paragem forçada da actividade); ao accionamento de cláusulas de salvaguarda para defesa de sectores agrícolas específicos (caso da produção de arroz) face a importações agressivas; passando pela alteração da regulamentação de vários fundos da UE, no sentido da eliminação de determinadas formas de condicionalidade e do alargamento das áreas susceptíveis de receber apoios (exemplos da ferrovia e da habitação, entre outros); até à mobilização de apoios em situações de catástrofes, como incêndios e tempestades. Vale a pena assinalar também a aprovação de recomendações relevantes em domínios como o combate à pobreza ou a promoção da igualdade entre homens e mulheres, e ainda a aprovação de projectos-piloto de apoio ao comércio tradicional e à pesca de pequena escala, artesanal e costeira.

São alguns exemplos, entre outros possíveis.

– A realidade comprova que os interesses e a vontade dos trabalhadores e povos da Europa não são defendidos com este processo de integração capitalista

Não são, de facto. O tempo e a vida demonstraram-no já sobejamente.Numa sociedade percorrida por antagonismos de classe, entre capital e trabalho, entre grandes grupos económico-financeiros e a massa de trabalhadores, entre as grandes corporações transnacionais e os povos, a União Europeia constitui a resposta do grande capital para defender os seus interesses de classe, contra os interesses dos trabalhadores e dos povos.

– Como comentas a tese segundo a qual é o voto nos partidos que defendem a UE que permite travar a ascensão da extrema-direita?

É uma tese que pretende apresentar aos povos um falso dilema: ou a extrema-direita, ou a integração capitalista que está a abrir caminho ao avanço da extrema-direita e, mais do que isso, a assimilar nas suas próprias políticas visões e concepções próprias da extrema-direita.

A verdade é que ambos os termos desta falsa dicotomia defendem, ainda que por vias neste momento diversas, os mesmos interesses de classe e a manutenção de uma mesma ordem social iníqua. Não se equivalendo, do ponto de vista das suas consequências, há claramente que recusar uma e outra. Rejeitar este falso dilema.

– O Partido tem dito que esta UE não é reformável na sua essência. Se assim é, significa que a opção está entre sair ou ficar e aceitar as suas regras?

A luta por um desenvolvimento soberano, de acordo com os interesses dos trabalhadores e do povo, leva inevitavelmente a um confronto com as políticas, as orientações e as imposições da UE.

Nesse confronto, a defesa dos trabalhadores e do povo, do seu direito a um desenvolvimento soberano, deve prevalecer face aos condicionamentos ou constrangimentos impostos pela UE, e deve assumir, a cada momento, as exigências, caminhos e opções que a situação coloque como necessários. Num quadro em que, como temos afirmado, a ruptura com a submissão às imposições da UE é inseparável da luta pela ruptura com a política de direita no nosso País.

– A declaração programática é um extenso documento de compromissos eleitorais. Enquanto primeiro nome da lista da CDU, como encaras a responsabilidade que é saber honrar todos esses compromissos assumidos com os portugueses?

Com a segurança e a confiança de quem sabe ser parte de um amplo, combativo, empenhado e generoso colectivo, que se apresenta nesta batalha com a coerência de posições a que a vida deu razão e que sempre soube honrar os compromissos que assumiu com os trabalhadores e o povo português.

A mobilização de todo o colectivo partidário, de todos os activistas da CDU, para o voto no PCP/PEV é fundamental, nesta, como noutras eleições. Para além do que já disseste, queres resumir em meia dúzia de palavras três razões para votar na CDU?

É o voto que conta de forma mais decisiva para avançar na melhoria das condições de vida e na resposta aos problemas do país: na valorização do trabalho e dos trabalhadores, das reformas e pensões; na dinamização e apoio à produção nacional – na agricultura, na indústria e nas pescas; na recuperação para o País das suas empresas e sectores estratégicos; no assegurar dos direitos à saúde, à educação, à cultura, à habitação, à protecção social, aos transportes; e na libertação do País da submissão ao euro e às imposições da União Europeia, aspecto essencial para assegurar tudo o resto.