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O imperialismo norte-americano tem somado fracasso sobre fracasso na sua criminosa ofensiva golpista contra a Venezuela Bolivariana. Como quase sempre acontece com os agressores (nunca esquecer os exemplos de Cuba, Vietname e mesmo Síria), mostrou desconhecer as raízes populares do processo encetado vinte anos atrás pela histórica vitória do movimento dirigido por Hugo Chavez, foi surpreendido pela resposta do poder político e militar bolivariano, encontrou pela frente a resistência patriótica e anti-imperialista do povo venezuelano. E ao contrário do que apregoa, não conseguiu isolar a Venezuela no plano internacional e viu os seus próprios aliados recusarem dar luz verde aos seus planos de agressão militar directa.

Os perigos que pesam sobre a Venezuela persistem. Os EUA e seus lacaios não desistiram dos seus objectivos subversivos que visam também, explicitamente, a Bolívia, Nicarágua e Cuba. Mas passados dois meses sobre a fantochada da auto-proclamação de um «presidente interino» (23 de Janeiro) e do desencadeamento contra a Venezuela de uma guerra em todas as frentes – mediática, político-diplomática, económica, militar – é oportuno medir o caminho de resistência e de solidariedade internacionalista já percorrido, um caminho que tem de continuar sejam quais forem as dificuldades a vencer.

E é muito o que já foi alcançado. Falhou aparatosamente o famoso «ultimato» para destituir Nicolás Maduro, ultimato que, não o devemos esquecer, teve no governo minoritário do PS um destacado promotor. Falhou a tentativa sediciosa de dividir e atrair os comandos militares para uma posição anti-constitucional. Falharam os cálculos de, com o garrote do boicote económico e de roubo dos activos no estrangeiro, provocar a ruína e a desestabilização do país e voltar contra o governo legítimo os próprios beneficiários das transformações democráticas e progressistas do processo bolivariano. Pela firmeza das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas e pelo extraordinário apoio popular, foi derrotada a ambiciosa operação (23 de Fevereiro) dita de «ajuda humanitária» que visava instalar em território da Venezuela uma testa de ponte da agressão estrangeira. Falhou a operação «regresso» do fantoche Guaidó à Venezuela após um périplo digno de figurar entre as traições mais abjectas, procurando no estrangeiro o apoio que lhe falta no país e apelando abertamente a uma intervenção armada imperialista. O próprio «apagão», provocado para materializar a ficção de «crise humanitária»e gerar a desorientação entre a população não teve o efeito pretendido e, tudo o indica, foi enfrentado com o sacrifício e a compreensão de um povo consciente de que trava uma guerra em defesa da liberdade e da própria dignidade.

O recurso aberto a acções terroristas, como a destruição dos alimentos no porto de La Guaira, a sabotagem na central hidroeléctrica de El Guriou os ataques a depósitos de combustível, são sem dúvida sinal de fraqueza no plano político. Mas mostra também até que ponto o imperialismo está disposto a ir nos seus propósitos subversivos e a necessidade de prosseguir e alargar a nossa solidariedade para com o povo da Venezuela.

 

in “Avante” a 21 de Março