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Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são ‘oito dias’. O Governo PS, pela voz do MNE Santos Silva, não quer esperar tanto: o Presidente eleito e constitucional da Venezuela «tem de se ir embora». Não ficou saciado com a Líbia, Ucrânia, Síria, Iraque. O BE diz que «tem estado em contacto» com o Governo, cuja posição «é sensata». O PS diz que «este é o momento para responder à manifestação da vontade clara dos venezuelanos». Mas alguém pode negar que o momento foi escolhido por Trump? Até o Wall Street Journal (25.1.19) confessa: «O plano secreto do Governo Trump para dar apoio ao chefe da oposição Juan Guaidó foi previamente concebido e coordenado de forma estreita» durante várias semanas. A luz verde chegou na véspera da auto-proclamação do homem que o povo venezuelano não elegeu, através dum telefonema do Vice-Presidente Pence. «Vontade clara do povo da Venezuela»? Não: vontade clara do imperialismo esmagar um país e povo independentes e lançar mãos das maiores reservas petrolíferas comprovadas (24,9% do total mundial, segundo o Boletim Estatístico da OPEP, 2018), maiores que as da Arábia Saudita. Já começou o saque dos bens da Venezuela no estrangeiro.

Estamos perante uma tentativa de golpe, comandada de fora. Mais uma. É assim desde a eleição de Chávez em 1998. O problema não é ‘Maduro’, nem uma suposta ‘ditadura’. O problema é que o imperialismo não tolera países soberanos. A Arábia Saudita pode até esquartejar impunemente nos seus consulados, porque é um vassalo. Alguém acredita que Trump, Bolsonaro, Macrí ou Macron se preocupam com a democracia ou os povos?

Na Venezuela a oposição tem televisões, jornais, representação política (quando quer). Ganhou dois dos 25 actos eleitorais destes 20 anos. São os que os EUA/UE reconhecem. Perdeu os restantes 23, mas as grandes potências capitalistas fazem como nos referendos da UE: ignorá-los e seguir em frente. Com a sabotagem e bloqueio económico, o terror nas ruas, as infindáveis mentiras, as tentativas de assassinato do Presidente. Preparando o golpe e, se possível, a invasão. É o guião do «Assad tem de partir». Maduro foi reeleito há 9 meses, em eleições concordadas com a oposição – após negociações mediadas pelo ex-PM espanhol Zapatero – que à última hora não assinou os acordos. O veto veio de Washington: já preparava o golpe. Aguardava Bolsonaro. Mas o povo da Venezuela, face a enormes adversidades, tem sabido mobilizar-se e resistir. Como nas manifestações destes dias em apoio ao seu Presidente, silenciadas na comunicação social golpista e belicista que nos submerge com mentiras de guerra. É um testemunho da vitalidade, base popular e conquistas da Revolução Bolivariana. Mas a revolução precisa da solidariedade dos povos e dos seus amigos.

Em Portugal, confirma-se o pior da história do PS e das suas alianças com a direita mais extrema e o imperialismo. O BE segue no encalce. Mas não é óbvio que o monstro fascista alimentado por cada nova guerra e golpe não se vai querer ficar pela Ucrânia, o Brasil ou a Venezuela?

in “Avante” a 31 de Janeiro