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Refere a Lusa que o deputado socialista da Madeira, Carlos Pereira, criticou o PCP por felicitar Nicolás Maduro: «É inaceitável que um partido em Portugal tenha a ousadia de felicitar Nicolás Maduro no contexto actual. É uma provocação quase gratuita em troca de algo difícil de compreender».

Saberá o indignado deputado que:

1.º – a postura do PCP de solidariedade internacionalista com os trabalhadores e os povos em luta em defesa da democracia, da soberania e do legítimo direito a decidir do seu futuro não é de agora. Faz parte da sua identidade comunista. É intrínseco à sua natureza de classe. Atravessa, coerentemente, a sua história;

2.º – a solidariedade do PCP à República Bolivariana da Venezuela e ao povo venezuelano também não é de agora. Afirmou-se sempre ao longo dos 20 anos que já dura a revolução bolivariana, rejeitando ingerências, pressões, ameaças, agressões e até um golpe por parte da poderosa oligarquia venezuelana com o apoio do imperialismo norte-americano. E afirmou-se muito antes quando essa oligarquia associada ao imperialismo explorava, reprimia e assassinava brutalmente aquele povo;

3.º – nesta sua atitude solidária, o PCP nunca deixou de considerar que é o respeito pela soberania daquele País, o fim da desestabilização, chantagens, pressões, sanções que melhor pode defender os interesses da comunidade portuguesa na Venezuela, de Portugal e do povo português, que só terá a ganhar, aliás, com o integral cumprimento da Constituição da República Portuguesa.

A ter que se indignar com alguém, devia o senhor deputado indignar-se com a atitude de submissão do Governo do seu partido à UE, com a atitude de ingerência, essa sim provocatória e desestabilizadora, dos EUA, UE e Brasil (entre outros) para com uma nação cuja soberania deviam respeitar.

Quanto à atitude do PCP, não confunda, senhor deputado, provocação com princípios, coerência e natureza de classe. Será que dá para entender?…

In “Avante” a 17 de Janeiro