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Marcha solidária pela Cristina – 19 de Janeiro

Eis aqui, neste pequeno mundo de Santa Maria de Lamas,
todo um mundo de injustiças, que neste mundo aparece e acontece,
entre doces cartões-de-visita de amos e frias fábricas cheias de damas,
onde passeiam exemplos, que só o fundo das cortiças conhece.

Eis aqui, também, tudo o que é ímpeto, força, garra,
luta de classes na madrugada,
voo de uma andorinha, num corpo de mulher,
que, mesmo coberta de mentiras, não se deixa ser uma qualquer.

Eis então, que o amo, vivendo em palácio de mármore pura,
chama dama Cristina e pergunta-lhe: «Sabes quem és?».
Dama Cristina que vive só, com seu filho, no sótão de um duplex,
em seu simples modo, assim responde: «Sei, sou a Cristina!».

Eis que o amo diferentes modos não tolera: «Não, não és ninguém!» –
fiando já a sua vingança nas suas patas verdugas.
Assim, dama Cristina carrega todo o dia a mesma palete
mas palete, saída da fábrica não tem.

Eis que, ao dano, se acrescenta que mesmo assim ela acaba despedida.
Na sua ira de gigante, fundindo aromas de caminhos no calor da luta,
com seu pequeno corpo fazendo-se em tamanha envergadura,
dama Cristina faz-nos alcançar, então, toda a verdade que a este mundo vem.

Álvaro Couto

Arouca, 19 de Janeiro de 2019