Co pena m’ pegâ na pena
(Com pena, peguei na pena)

Pa nha pena m’ bêm contá-bo
(Para a minha pena, vir te contar)

Co más pena m’ largâ pena
(Com mais pena, larguei a pena)

Co pena m’ ca podê odjá-bo
(Com pena, não te posso ver)

N’sta na gas horas ki n’odja pa traz
(Está na hora em que olhamos para trás)

maguas ta aumenta mas, lágrimas cai di más
(As mágoas aumentam mais, lágrimas caiem mais)

forti nha tran padaz, ma nha força é gossi ki ais
(Força eu tenho para dar, mas minha força é agora ais)

Camarada cata fulha bota não…
(Camarada, não sujes tua bota não . . .)

Ta poi pé na poça, brow…
(Não ponhas o pé na poça, irmão . . .)

ta aguenta ti ultimo grito…
(aguenta-te até ao último grito . . .)

Ca ta espera pa nha resposta não…
(Não estás à espera da minha resposta não . . .)

Lembra ma vida ka ta dura . . .
(Lembra-te que a vida não dura . . .)

Mae morré ta sonhá . . .
(Mãe morreu a sonhar . . .)

Cedo dimas . . . gossi discansa em paz!
(Cedo demais . . . agora descansa em paz!)

 

Arouca, 11.01.2019
Álvaro Couto