A exaltada reacção dos falcões em Washington, logo seguida pelos seus arautos de guerra espalhados pelo mundo, face ao anúncio por Donald Trump da retirada de milhares de soldados norte-americanos que ocupam ilegalmente cerca de 30% do território da Síria expõe a agressão levada a cabo pelos EUA e seus múltiplos aliados contra este país do Médio Oriente.

Depois de terem promovido directa e indirectamente a criação dos grupos terroristas que espalharam a barbárie e a destruição contra o povo sírio, e perante e a pretexto da iminente derrota da sua hedionda «criação», os EUA e os seus aliados – como o Reino Unido, a França ou Israel – incrementaram a sua intervenção militar directa na Síria, continuando a violar a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, desrespeitando a soberania, independência e unidade e integridade territorial da República Árabe Síria, ocupando militarmente e de forma ilegal parte do seu território e ambicionando impor de facto a sua partição.

Na complexa e intrincada situação criada, a retirada das tropas norte-americanas, a concretizar-se efectivamente, constituirá a anulação de um importante factor de desestabilização política e militar que vinha obstaculizando o avanço das negociações em curso – facilitadas pelo processo iniciado em Astana – com vista a abrir o caminho a uma solução política que só ao povo sírio cabe soberanamente encontrar. No entanto, como quase oito anos de agressão à Síria demonstram, há que estar atento quanto aos desenvolvimentos que decorrerão da actual manobra dos EUA, que evidenciou, uma vez mais, fracturas e contradições no establishment norte-americano.

Não nos iludamos, a escalada agressiva dos EUA, nas múltiplas formas que assume – política, militar, comercial, financeira, diplomática ou ideológica –, a que os seus aliados, incluindo da NATO, apesar de contradições, se associam, prossegue e representa a maior ameaça que os povos do mundo actualmente enfrentam.

Os EUA protagonizam uma perigosa espiral armamentista, incluindo a armas nucleares, a que a sua decisão de abandono do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio ou a sua insistência na militarização do espaço estão associadas. Os EUA anunciam o significativo aumento do seu orçamento militar para 2019 e 2020, totalizando cerca de 1500 mil milhões de dólares nestes dois anos. Os EUA estão no cerne dos maiores focos de tensão, de desestabilização e guerra que têm lugar no mundo.

Uma multifacetada escalada agressiva que, apontada estrategicamente à República Popular da China e à Federação Russa, é dirigida contra todos os povos e países que defendam e afirmem os seus direitos, soberania, desenvolvimento e independência.

Uma estratégia belicista – reafirmada na rejeição pelos EUA e seus aliados da proposta de resolução em defesa do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, apresentada pela Federação Russa na Assembleia-geral das Nações Unidas – que coloca a exigência da mais ampla convergência na defesa da paz, do desarmamento, nomeadamente do desarmamento nuclear, do direito à auto-determinação dos povos e da soberania e independência dos Estados, na solidariedade com os povos vítimas da ingerência e agressão do imperialismo.

 

in “Avante” a 27 de Dezembro