À boleia da «descarbonização» da economia, conceito com costas largas para justificar toda uma fileira de políticas de agravamento fiscal e favorecimento de determinados interesses monopolistas o Governo, pela mão do ministro Matos Fernandes, decretou a redução para metade do número de bovinos em Portugal. Tudo porque a «pegada ecológica» dos bichos é um perigo para a humanidade e porque um quilo de bife emite tanto CO2 como andar 150 Km de carro! Ainda o PAN congeminava um qualquer projecto de lei para criminalizar o bitoque de vaca em nome do bem-estar das vacas e de uma dieta herbívora, e aí temos Matos Fernandes na liderança da «neutralidade carbónica». Questões como o défice agro-alimentar de que o País já padece não inquieta o ministro. Segundo ele, coisa de somenos até porque «a carne vai chegar ao país a preços muito mais competitivos» devido a essa maravilha da «maior liberalização do comércio». Para lá irresponsável irrelevância que dedica à soberania alimentar e ao futuro de uma importante fileira produtiva, Matos Fernandes que invoca a salvação do planeta para tal objectivo não reponde a uma óbvia questão: se vacas importadas não têm «pegada ecológica» associada, venham de onde vierem, ou se simplesmente propõe a proibição de consumo de carne bovina. Não acreditando que pelo prato do ministro só passem leguminosas, a verdade é que para muitos a questão está em não poder aceder a um bom bife e, creia sr. Ministro, não propriamente por razões «ecológicas». 

in “Avante” a 13 de Dezembro