Anda a comunicação social dominante, concentrada no capital monopolista – o que a CRP exclui -, arduamente à procura «deles», dos «populistas» – quem são, o que têm a dizer, porque é que não chegam, corram que têm ajuda. A «notícia» começa às vezes crítica nos adjectivos, mas acaba na habituação e promoção objectiva.

Foi o que fizeram com o golpe proto-fascista no Brasil e a fabricação de Bolsonaro também por cá.

Mas eis que se fazem de cândidos «meninos de coro».

Os opinadores vendidos até ao tutano aos grandes interesses não vêem perigos no «populismo», que – dizem – só avança por culpa dos políticos que são «todos iguais» (quem?) e dos corruptos da democracia (nunca do sistema!).

O entretenimento assassino da Fox nas TV cabo, ou a perversão do futebol pelo grande capital, pela CMTV (e outras), com «comentaristas» como o Ventura do «Chega», não se consideram factor do problema.

O grande capital dos media, cujas holding se fundem com a cadeia imperialista das redes sociais, e que promove o fascismo na informação espectáculo, nada sabe, veio agora de Marte.

Mas, de facto, o que querem é levar PSD e CDS ao governo, ou o PS à maioria, para consolidar a política de direita e travar a influência do PCP e as medidas positivas, apesar das limitações. E visam, a prazo, mais poder ao capital monopolista, mais exploração e regressão social, menos democracia e uma «4.ª República» – será como a do fascismo?

O «atraso relativo» do populismo em Portugal levou no Público de dia 3 ao conjecturar sobre estados de alma do povo e dos «líderes» e a fugir às razões verdadeiras – a correlação de forças, a luta de massas e o papel do PCP, que intervém, luta e organiza os trabalhadores e o povo.

Assumimos esta «culpa».

 

in “Avante” a 13 de Dezembro