Juro-vos. Dou-vos a minha palavra de honra. Aconteceu mesmo. Eu estava lá e vi. E como eu, 600 outros.

Ali estivemos, durante um sábado inteiro, na bela sala do Fórum de Setúbal, a debater o País.

E juro-vos que, durante esse período, por aquela tribuna passaram os problemas e as aspirações dos trabalhadores e do povo e as propostas dos comunistas portugueses para responder a uns e outros.

E se aqui faço esta jura é apenas porque eu próprio me questiono se aquilo foi verdade, tal foi o silenciamento a que foi votada pela generalidade da Comunicação Social.

Produção Nacional? Soberania? Direitos? Alternativa? Isso é para quê? Saídas para os défices estruturais? Caminhos para a defesa dos serviços públicos? Papel da banca no desenvolvimento do País? Respostas para a Segurança Social? Isso interessa a quem?

O saldo das referências à Conferência do PCP na Comunicação Social fica pouco além de zero.

Para que ninguém me acuse de ser tendencioso, sempre registarei que, na RTP, durante 13 longos segundos mostraram o Secretário Geral do PCP, ouvindo-se um extracto da sua intervenção sobre a banca, a propósito das eleições do Montepio Geral.

E os outros partidos? Também não apareceram nesse sábado nas rádios, televisões e jornais? Nada disso. Cobertura das iniciativas onde estiveram os seus principais dirigentes, imagens dinâmicas, fotografias, declarações.

O que leva a Comunicação Social a este tratamento desigual face a outros partidos, mas igual ao tratamento de sempre das iniciativas do PCP?

O que os leva a esconder essa grande iniciativa, que apontou caminhos e soluções para um Portugal com futuro?

Já Marx percebeu que «a ideologia dominante é, em cada momento, a ideologia das classes dominantes». E as classes dominantes não aceitam que haja um Partido que, do alto dos seus 97 anos, continue a afirmar, e não apenas afirme como mostre que é possível e como é possível, uma alternativa. Patriótica e de esquerda!

 

in “Avante”a 29 de Novembro