Em nome da verdade e da cultura sem-fim,
onde grande é a selva e pequena a economia,
onde cada cento é distribuído por Centeno,
em orçamentos nacionais que, enfim,
encurralados em bancos, folhagens e outros afins;
muitos são os semelhantes que retrocedem e pululam,
e poucos são os que realmente avançam;
nada mais há para decifrar,
nada mais há para falar,
e isso é tudo!

PIM!

 

Eu, o homem, o mortal, está cansado de promessas,
de tanto a minha voz ser tão espessa como a terra;
de tanto ser coro com vossemecês;
de tanto a minha boca ser cada vez mais beijada;
de tanto fumo engolir em incessantes conversas,
que procuram dar sentido á vida, uma e outra vez;
de tanto abrir de portas para o sol,
quando a selva se fecha entre sedes de bancos e demais folhagens,
e a lua, pela noite dentro, entretanto sobe a pino,
enquanto o homem se acomoda ao seu destino.

PAM!

 

Talvez, num destes dias,
cada mortal perceba a importância
da diferença que há entre a sepulta ignorância,
e uma sílaba, um quadro, ou um compêndio;
entre a diferença que decorre do silêncio,
e o som insepulto da música, do museu, ou de alguma dança.
Aí, talvez, o homem não se acomode tanto.

PUM!

 

Daí, a pergunta:
Afinal, o que é 1% para a cultura?
Para já,
É POUCO! É MUITO! É ESCASSO! E É TUDO!

PIM! PAM!PUM!

 

Arouca, 21 de Novembro de 2018