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Joseph Stiglitz

O Nobel da Economia em 2001 e assessor do ex-presidente Bill Clinton, defende que o aumento do salário mínimo tem um impacto “insignificante ou até mesmo positivo” no emprego.

O economista esteve esta semana e Madrid, para uma conferência organizada pela Mastercard e não evitou um dos temas da agenda política espanhola: a impressionante subida de 22% do salário mínimo. E aplaudiu a medida de aumentar em 165 euros o salário mínimo espanhol.

Em 2019, o valor mensal em Espanha passa para 900 euros (600 em Portugal), multiplicado por 14 meses. A actualização de 20 euros em Portugal foi bem mais modesta:3,4%.

“Os dados são impressionantes. Aumentar o salário mínimo não prejudica o emprego”, diz Stliglitz citado pelo El País, justificando a sua opinião com “centenas de estudos” realizados nos Estados Unidos.

EFEITO POSITIVO

O Banco de Espanha receia que a medida do governo de Pedro Sanchez destrua 150 mil empregos, uma visão mais catastrofista do que a da Comissão Europeia que aponta para 70 mil empregos.

O efeito no emprego da subida do salário mínimo “pode mesmo ser positivo”, diz o Nobel.

Nos Estados Unidos, houve casos, como Seatle, em que o aumento “foi de 100% e não 22% como em Espanha”. Segundo Stiglitz, a visão dos críticos da medida do governo radica “na ideia errada de que o mercado de trabalho baseia-se na oferta e na procura, como qualquer outro mercado”.

Essa ideia “é do tipo de crença religiosa”. Os estudos “mostram que o mercado de trabalho não funciona assim”.

 

AMEAÇA ITALIANA

Outro tema controverso que o economista americano abordou foi o caso do orçamento italiano: o confronto entre Bruxelas e o governo de Roma.

Stliglitz reconhece que a Itália, a terceira economia europeia, ” é um perigo real para a Zona Euro, no curto e no médio prazo”.

E deixa críticas a todos. O governo italiano comete “o equívoco de acreditar que a redução de impostos impulsionará a receita”. Se com Reagan “isso não aconteceu, provavelmente, não vai acontecer agora”, diz o professor da Universidade de Columbia.

Stliglitz insiste nas críticas às políticas de Bruxelas e defende que “as regras orçamentais” da Comissão Europeia estão erradas e precisam de ser reformadas – neste ponto, a Itália tem razão.

Na leitura de Stliglitz, o governo italiano não vai recuar, como fez o grego. No seu “cenário central”, Roma desafia a Comissão Europeia, forçando-a a escolher entre expulsar o país da Zona Euro ou aceitar que o Orçamento não cumpra as regras. “Matteo Salvini e o povo italiano apostam que será Bruxelas quem vai recuar. E eu acho que é uma boa aposta”, antecipa.

in “Expresso” a 13 de Novembro