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Domingo o povo brasileiro será chamado a uma decisão de transcendente importância para o seu futuro colectivo e do seu País, com inevitáveis repercussões regionais e mesmo internacionais.

O que está em causa no Brasil é muito mais do que uma «mera» escolha entre dois candidatos a presidente da República. O perigo do fascismo, de uma direita revanchista, ligada de forma umbilical aos mais reaccionários sectores do grande capital e do imperialismo, é real e não nasceu agora no Brasil. Trata-se de um longo processo que tirando partido da própria crise do capitalismo e instrumentalizando reais problemas, erros e contradições dos governos progressistas, visou, por via da judicialização e da manipulação política à escala de massas, recuperar o espaço perdido, no Brasil e na América Latina, pelo grande capital e pelo imperialismo desde a primeira eleição de Lula da Silva.

Foi isso que esteve em causa com o golpe que levou à destituição de Dilma Roussef, com a perseguição política a Lula e agora com a tentativa de intimidação e demonização de todas as forças revolucionárias, progressistas e democráticas do Brasil.

Olhando para o caminho percorrido pelo Brasil desde 2003 seria possível identificar inúmeras questões onde as opções políticas e soluções poderiam ter sido outras. Tudo isso é verdade. Mas há uma outra verdade, imediata e fundamental: o que está a ser tentado neste momento é barrar toda e qualquer possibilidade de o Brasil continuar a encontrar caminhos que afirmem a sua soberania, defendam a democracia, avancem na batalha contra as desigualdades e inúmeros problemas sociais e que alterem um sistema político que alimenta o poder do grande capital e estimula a corrupção.

Perspectivas opostas

O que está em causa no Brasil não é «apenas» a luta contra a misoginia, a homofobia, o racismo, a violência, a tortura, e isso já é muito. Também não é «apenas» a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores ou dos direitos à saúde, educação ou habitação, e isso também já é muito.

O que está em causa no Brasil é também a questão central das condições de luta do povo brasileiro em torno dos seus direitos, aspirações e emancipação social, bem como em defesa da soberania da sua pátria e do seu papel no contexto latino-americano e mundial. Trata-se, no fundo, de perspectivas – imediatas, intermédias e históricas. Apoiar Haddad e Manuela é não permitir que um dos maiores países e a oitava economia do Mundo seja entregue a um poder de natureza fascista que tem como programa a mais violenta exploração e tenebrosa opressão capitalista e a mais submissa entrega do Brasil aos interesses do imperialismo.

O projecto de Bolsonaro é um Brasil de exploração, privatizado, injusto, intolerante e violento, extensão latino-americana do imperialismo norte-americano. Haddad e Manuela representam o contrário. Face à crise institucional, social e económica brasileira, à tentativa de massificação da violência, de institucionalização do medo e de militarização e judicialização da política, eles representam a esperança de o povo brasileiro e as suas forças revolucionárias e progressistas, fazerem a reflexão necessária e prosseguirem, em liberdade, a luta por um Brasil desenvolvido, soberano, justo, democrático, solidário, irmão maior de uma América Latina que dele precisa para resistir à violenta contra-ofensiva do imperialismo naquele continente. É isto que está em causa no Brasil, e nesta batalha não há neutralidade nem hesitações possíveis, é isso que nos ensina a História.

 

in “Avante” a 18 de Outubro