O tipo é megalomaníaco! Está completamente doido!»
in Zé Ninguém, Wilhelm Reich

Fora do poema é que surge teu rosto
Na fronteira da manhã e do sol posto
Nesses dias de intensa intensidade
Em que vejo o tempo e a eternidade.

Mas é dentro do poema que está a realidade
História entre o sagrado e o profano
Exemplo cuja presença aqui reclamo
No calor sonhado de, outra vez, te adiantares.

No mais fundo de mim te meto
No lago obscuro da consciência
Amada neste canto da confidência

Pois ao dobrar-te em cada verso
Pois ao beber-te em teu segredo mais submerso
És tu, Arouca, que sempre encontro no fim do soneto.

 

Arouca, 28 de Julho de 2018
Álvaro Couto