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(ao camarada Quintino)

Luís Quintino – Lisboa, 9 de Junho de 2018

Ao sol da sua pátria
dardejando em comunismos de luz
camarada Quintino encostou seus ossos cansados

há camaradas no seio dos camaradas
cujo espírito é maior que o corpo
compreendamos os que não sabem

há também pátrias no interior da pátria
pequenas terras perdidas como ovar
compreendamos quem nunca as viu

era por aí que amanhecia Quintino
em cada dia tocava esse fim do mundo
que sempre viajava com ele

pouco lhe interessava se era feliz ou não
as suas dentaduras diziam-lhe muito pouco

não recordava traidores e desleais
esquecia quem desistia por entre os caminhos

não se importava com quem faltava
não acordava quem dormia em seus divãs

Quintino só quis conhecer o mar e as rochas
cheios de vidas e segredos

Quintino entregou-se apenas ao todo o ofendido
o que come toda a injustiça

era por aí que fazia a sua profissão terrestre
operário que tocava a terra com a alma

para fazer da vida uma revolução entrelaçada
para transformar a terra num mundo melhor.

 

Arouca, 27 de Junho de 2018
Álvaro Couto