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Já não sei o que vale o trabalho
quando já nem se respeita um contrato,
o patrão o rasga e o trabalhador vira então escravo:
Só dá pouco valor ao trabalho, quem não vale mesmo um cara***!

Ei-lo, assim, preso das fúrias de Medeia!
Assim fugiu de Circe o grego Ulisses,
assim fugiu de Dido o pio Eneias,
que é neste desassossego que começa a chatice.

A sociedade actual
chama ao trabalho “capital” e à democracia “liberal” . . .
Verbos sem predicado nem sujeito, tanto na Oikos como na Polis . . .

Mas o trabalho é, mesmo num mundo alterável,
uma cristalina força que vive estável.
Tu, trabalho, não és verbo, és raiz!

É cá da terra, que essa raiz vive e se agita incessante.
Nesta terra, em que cada um lança o seu destino,
com um liso arado e o ar enchendo o pulmão pulsante,
que o homem sempre blasfema ou ergue um hino!

D’ outra coisa não se constrói a vida . . .
nela pode habitar talvez um Deus distante . . .
cidades próximas e remotas, até ideologias cambiantes . . .
que, tendo como começo as leis da Natureza, somos o que esta dita.

O trabalho encarna-se assim em vivos sóis que palpitam . . .
a sua seiva ardente acaba em poeiras que se espalham . . .
não são meras relíquias, merdas ou outras tantas bagatelas!

Combate pois, bio-proletário, na terra árida e bruta,
‘té que a revolva o remoinhar da luta,
‘té que a fecunde o sangue de quem trabalha nela!

01.05.18
Álvaro Couto

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