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(a Byung-Chul Han)

Porquê este teu homem de hoje se agora ele há-de ser o que é?
O homem do futuro renasce onde hoje morre.
Constrói no seu interior a norma nova
para viver, em colectivo, muito dentro de si mesmo,
feito perenidade, verdade talhada,
com a sabedoria humilde de aceitar
o limite enviesado de quanto o acompanhe.
O homem de hoje crê no inamovível
do supérfluo, o que rege e brilha
no jogo aparente do exterior.
Ainda quer impor-nos as suas utopias mortas,
ambições bastardas da sua cruel insensatez.
O homem do futuro é pai do passado
e avô do amanhã que não viu.
Com os seus mortos conversa na rotunda
do recolhimento, no diálogo
do ser com a cidade entre os seus tempos recorrentes.
Por isso (como dizia Marx) não é instante, espaço limitado
no acontecer do acaso ou da felicidade.
É uma árvore tenaz, farol do universo,
cara, elo e reverso de uma longa cadeia
através dos tempos sucessivos.
Ele ilumina o humano reflexo de qualquer gemido
Ou da escravidão, ou da liberdade, ou dos afectos,
pois escuta o coração de todos os que o foram.
O homem do futuro é solidário
porque ama e respeita o de ontem e o de amanhã,
porque não se conforma com um único presente,
porque é uno e múltiplo, porque respira e pensa
com o afã unânime da sua vida no tempo.

Álvaro Couto

16 de Abril de 2018