Mantemos a apreciação que fizemos por altura do Jantar de Natal da CDU, pela positiva, a aparente abertura do Executivo ao contributo e opinião  populares, e de negativo,  a manutenção da acção política centrada em  “Eventos & Espectáculo”,  apresentando Arouca como um espaço (e com um viver) paradisíaco.

Temos, é certo, um valioso património e potencial de desenvolvimento,  mas existem problemas estruturais, e muito sérios, da desertificação ao encerramento de serviços, dos baixos rendimentos ao ordenamento do território.

Três exemplos concretos. A demografia, em 2004, eram 24.019 os arouquenses residentes, em 2016,  21.211, uma quebra de 11,7%, agravada, ainda, pelo facto dos óbitos terem sido 200 e os nados-vivos 168.

O ordenamento  dos espaços naturais fica muito aquém do desejável. Questione-se um visitante dos passadiços sobre o que viu – Ah, é bonito, de facto, mas o eucaliptal contínuo é que não (e não sabe o forasteiro da qualidade da água do Paiva ou do Arda)!

Os transportes colectivos não respondem às necessidades da população, seja nas ligações concelhias (Canelas-Arouca, por exemplo) ou metropolitanas (Arouca-Porto), seja nas condições de segurança e conforto dos transportes escolares.

Há, portanto, muito para fazer. Dizer que tudo vai bem e que não podia ser de outro modo, não só não ajuda como ilude. Sublinhamos, positivamente, os horários das Assembleias Municipais,  potenciam a participação dos munícipes, cumprindo melhor o espírito do poder local democrático.

.

Arouca, 16 de Março de 2018

 

in “Roda Viva”

.

.