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As forças do bem continuam a sua saga contra o ditador Maduro, do Presidente Trump à União Europeia, dos partidos políticos ao noticiado na comunicação social, do comentário televisivo ao radiofónico, da coluna de opinião à mesa do café. São raras as vozes que destoam do coro, por cá apenas me apercebi do PCP e do sociólogo Boaventura Sousa Santos.

Sobre a matéria em concreto, não sei se por razões de idade ou feitio, tendo a olhar para estes problemas como o da Venezuela (ou o do Brasil) numa crua perspectiva marcial. Afinal, é de uma guerra que se trata. Sendo verdade que estamos perante uma república não das bananas mas do petróleo, de existir uma corrupção larvar no aparelho de Estado, dos níveis de vida dos mais pobres terem melhorado significativamente com o “Chavismo”, da queda deliberada do preço do petróleo e a consequente recessão económica, o que está verdadeiramente em causa é a luta pelo poder.

Há dois órgãos de soberania democraticamente eleitos, o Presidente Nicolás Maduro e a Assembleia Nacional, que procuram anular o projecto e o que o outro faz. Há, objectivamente, um impasse.  Para o vencer, a maioria da Assembleia Nacional e os interesses que a sustentam tudo fazem para apear o Presidente e o seu projecto, o Presidente e os interesses que o sustentam, por seu lado, avançam para uma Assembleia Constituinte.

Alguns de esquerda dizem: já foi ultrapassada a linha do aceitável. Discordo, apesar de todas as críticas que o “Chavismo” me mereça, até porque a alternativa, a oposição e os interesses, oligárquicos e geoestratégicos, que a sustentam  não me inspiram nenhuma confiança. E, já agora, tenho muitas da reservas sobre a cobertura noticiosa que é feita.

A título de reflexão deixo os dez mandamentos com que Anne Morelli sintetizou  os mecanismos essenciais da propaganda de guerra, descritos por Sir Arthur Ponsonby (1871-1946), aristocrata e pacifista inglês, membro do Partido Liberal e mais tarde do Partido Trabalhista, membro da Câmara dos Comuns e posteriormente da Câmara dos Lordes, Sub-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Ministro dos Transportes.

1 – Nós não queremos a guerra.

2 – O campo adversário é o único responsável da guerra.

3 – O inimigo tem o rosto do diabo.

4 – Defendemos uma causa nobre e não interesses específicos.

5 – O inimigo provoca conscientemente atrocidades; se nós cometemos erros, é involuntariamente.

6 – O inimigo utiliza armas não autorizadas.

7 – Sofremos muito poucas perdas, as perdas do inimigo são enormes.

8 – Os artistas e intelectuais apoiam a nossa causa.

9 – A nossa causa tem um carácter sagrado.

10 – Os que põe em dúvida a propaganda são traidores.

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Boas férias e boas leituras.

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Arouca, 18 de Agosto de 2017