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Intervenção de Francisco Gonçalves – Mandatário Distrital da Candidatura Presidencial de Edgar Silva

aveiro_02_francisco_goncalves-300x250Caros Camaradas,

Caros Amigos,

Caros Cidadãos,


Na qualidade de mandatário distrital da Candidatura Presidencial de Edgar Silva gostava de iniciar esta intervenção saudando todos os presentes, particularmente os mandatários concelhios do distrito de Aveiro hoje, publicamente, apresentados.

Esta é a primeira sessão pública distrital da Candidatura Presidencial de Edgar Silva, a candidatura que tem por lema – Afirmar Abril,  Cumprir a Constituição.

Estruturei o que vos pretendo dizer em três partes: o contexto das Eleições Presidenciais de 24 de janeiro, a marca distintiva desta candidatura e o papel dos mandatários da candidatura.

Primeira parte, o contexto…

Quase dois meses depois da Eleições Legislativas,  existe uma solução de governo alternativa à PAF, um governo de iniciativa do PS com apoio parlamentar à esquerda, um governo que iniciou funções e tem condições para virar a página à desgraçada política de empobrecimento e exploração, eufemisticamente chamada política de austeridade, que a coligação do PSD/CDS ministrou, em dose cavalar, ao país e aos portugueses ao longo dos últimos quatro anos.

Nunca é demais afirmar, ao contrário do que procura fazer crer a Direita, a solução de governo existente só é a que é porque o voto dos portugueses assim determinou, em simultâneo registou-se a segunda mais baixa votação de sempre à direita do PS e a mais alta votação de sempre à esquerda do PS, isto é, conjugou-se uma baixa votação à direita do Partido Socialista com uma alta votação à sua esquerda, particularmente uma consolidação e crescimento da CDU.

Em suma, a formação do actual governo do PS foi consequência da actual composição da Assembleia da República, por sua vez fruto das opções de voto dos portugueses, só possível graças à luta dos trabalhadores e das populações, que, ano após ano, foi corroendo a base social de apoio da coligação PSD/CDS.   

Desaparecida a maioria absoluta da coligação PSD/CDS e as condições para continuar a governar, foi feito um caminho para criar uma solução de governo alternativa, com apoio parlamentar à esquerda, para reverter muitas das medidas tomadas nos últimos anos e abrir a possibilidade de um rumo alternativo.

É esta possibilidade de inverter o rumo  que levou a Direita e os seus agentes à beira de um ataque de nervos: gritaram que assim era ilegítimo, profetizaram o apocalipse nos jornais e nas televisões, anunciaram (macro)manifestações nas redes sociais, ocorreram (micro)manifestações nas ruas, e, claro, vimos e ouvimos as pífias bravatas de Cavaco Silva.

Agora, apesar da poeira ter assentado, não devemos desvalorizar estas manobras porque, assim ou de outro modo, a coisa vai continuar. A natureza das coisas continua a ser a mesma, a Direita luta por uma Política de Direita, ponto … e o órgão de soberania Presidente da República é um instrumento para isso mesmo.

Para a Direita o Presidente da República é fundamental para não permitir a interrupção da política do PSD/CDS, condicionando a acção do governo, contribuindo, se necessário, para um clima de instabilidade permanente e para a convocação de eleições legislativas antecipadas que possibilitem a continuação da velha política de exploração e empobrecimento.

E a melhor prova de tudo isto temo-la no comportamento de Cavaco Silva. Tudo fez para criar esse clima de instabilidade permanente, afirmou que só dava posse ao governo do PS porque não podia convocar eleições e um governo de gestão não era solução aceite pelos “parceiros sociais” e ameaçou que, nos próximos três meses, tem todos os poderes à sua disposição, à excepção de um.

Ou seja, Cavaco Silva só dá posse ao governo do PS porque não pode não dar. Se pudesse não dava. No fundo segue a sua orientação de sempre, a orientação da Direita, manteve o irrevogável ministro para que sobrevivesse a Política de Direita, inviabilizaria, agora, se pudesse, a possibilidade de interrupção da Política de Direita. São, assim, as coisas.

Por isso, quando vemos Marcelo a demarcar-se dos posicionamentos de Cavaco Silva, mesmo que seja perante patológicos estados de alma, não nos podemos esquecer do essencial – Marcelo é candidato da Direita, é o candidato da Direita, necessita de pescar à esquerda desse espaço político para chegar a Belém, e por isso tem que conter danos, especialmente quando pressente elefante à solta na loja de porcelanas.

A diferença entre Cavaco e Marcelo não está entre um ser de direita e outro não, está na forma como cada um entende conseguir cumprir os objectivos da Direita e da sua política. A questão é táctica, não estratégica.

Nunca veremos o candidato do Direita empenhado em defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Por uma razão muito simples, existem incompatibilidades  insanáveis entre a Constituição da República Portuguesa e a Política de Direita.

Estas eleições presidenciais são importantíssimas para quem, como nós, defende uma política patriótica e de esquerda. Por isso, na Presidência da República é necessário estar alguém empenhado em defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Vamos, então, à segunda parte, a marca distintiva desta candidatura…

A marca distintiva da Candidatura Presidencial de Edgar Silva é a de que é uma candidatura patriótica e de esquerda, empenhada na afirmação dos valores de Abril e na defesa da soberania e da independência nacionais.

Mas, tratando-se de uma candidatura à Presidência da República e apesar de enquadrada e suportada num projecto colectivo, não deixa de ser uma candidatura unipessoal, distinguindo-se das demais pela pessoa, pelo cidadão que a encabeça. Biografemos o nosso candidato.

Em vez dos secos dados biográfico-estatísticos, nome completo, data de nascimento, naturalidade, habilitações, profissão, etc., etc., etc., opto por vos deixar aqui um testemunho de uma pena muito mais avalizada que a minha, a do jornalista e escritor Ribeiro Cardoso. 

Ribeiro Cardoso lançou um livro em 2011, editado pela Caminho, titulado «Jardim, a grande fraude – uma radiografia da “Madeira Nova”», cujo capítulo XXI tem por título «O “crime” do padre Edgar», cuja leitura, se me permitem, recomendo vivamente. Se o livro é uma radiografia do Jardinismo, o capítulo XXI é uma radiografia da integridade cívica e moral de Edgar Silva. Deixo-vos dois trechos. Começo por um episódio, ocorrido algures em 1993, ainda Edgar Silva não era militante do PCP:

“(…)estava sentado numa esplanada a tomar café com os miúdos da pedincha. Tinham dinheiro para pagar – mas o dono daquele espaço, não gostando da presença daqueles putos que podiam afastar turistas, quis expulsá-los. O padre opôs-se e explicou aos miúdos que tinham o direito a estar ali como qualquer cidadão. A polícia foi chamada e a cena repetiu-se. Com uma diferença: o padre foi preso e levado para a esquadra. Quando pediram a identificação a Edgar e perceberam que era padre, ficaram aflitos. Mas Edgar Silva não aceitou ir embora: quis saber qual tinha sido o seu crime.(…)”

A este relato de cidadania na vida quotidiana acrescento um outro de cidadania na vida política, uma síntese do próprio Ribeiro Cardoso sobre o deputado da Assembleia Regional da Região Autónoma da Madeira, Edgar Silva:

“(…)Assisti a várias sessões do órgão legislativo da Madeira e vê-se, nele, a diferença: extremamente educado e seguro, não entra nunca na chicana. Não responde a provocações. Mantém o rumo, denuncia, propõe. Coloca o dedo na ferida, imperturbável, tantas vezes sob comentários alarves e arruaceiros dos representantes da maioria. Não será, seguramente, o único deputado a exibir tal dignidade – mas é, sem sombra de dúvida, aquele que o faz de forma mais segura e impressiva. Todos o respeitam – e mesmo aqueles que aparentemente não o fazem, olham-no de baixo para cima.”

Esta marca pessoal de cidadania que Edgar Silva transporta confere a esta candidatura presidencial uma projecção para além do espaço político de partida. É uma candidatura aberta a todos os cidadãos, democratas e patriotas que connosco queiram fazer um caminho de defesa do consagrado na Constituição, os valores de Abril:

– do aprofundamento da democracia económica, social e cultural e da democracia participativa;

– da salvaguarda dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores;

– da defesa do direito à saúde e à protecção social, à cultura, à educação e ao ensino, ao acesso ao direito e aos tribunais e o acesso à habitação;

– da revitalização de uma economia mista que defenda os recursos e a produção nacional e o emprego, que promova a ciência e a tecnologia e desenvolva e modernize as capacidades produtivas nacionais;

– da luta contra a exclusão social e pela erradicação da pobreza, particularmente a criminosa pobreza infantil;

– da afirmação das Autonomias Regionais dos Açores e da Madeira e do Poder Local Democrático;

– da promoção a participação cívica e política das Comunidades  Portuguesas;

– da defesa da independência e da soberania nacionais.

Permitam-me um parêntesis sobre a defesa da independência nacional, dado que hoje se comemora a restauração da independência de Portugal, questão que nós, portugueses, resolvemos em 1640. Sobre isto é bom não esquecer que, por exemplo, para a maioria dos catalães este ainda é um assunto não resolvido.

Mas a nota que gostava de deixar é a seguinte: se para a Direita, para o PSD/CDS, a comemoração dos dias memoráveis da Pátria e das comunidades portuguesas já é dispensável e por razões que nada têm a ver com a Memória, mas sim para baixar o custo do trabalho, para nós não.

A memória das comunidades, a Memória da Pátria, deve ser preservada porque forja a nossa identidade, porque independemente da origem pagã, católica ou política de cada comemoração, o tempo, “esse escultor”, como lhe chamava a Marguerite Yourcenar, integrou-as na Memória do Povo.

Felizmente este será o último feriado que não o foi. Ficará como marca de um tempo em que o Corpo de Deus, a Instauração da República, o Dia de Todos os Santos e a Restauração da Independência de Portugal perderam a dignidade de serem Feriados Nacionais.

E para concluir, a terceira parte, o papel dos mandatários…

Sendo a candidatura à presidência da república, uma candidatura unipessoal, somos nós, os mandatários da candidatura, os rostos, os representantes do candidato e da candidatura em cada  concelho do nosso distrito.

Temos ainda a dificuldade habitual dos que estão neste espaço político – a ostracização, o silenciamento, a caricatura com que nos brinda uma boa parte da comunicação social. Temos que diversificar os meios de divulgação: a comunicação social local, as redes sociais e, o nosso meio de comunicação privilegiado, o contacto pessoal, a conversa, no trabalho, com os amigos.

E temos ainda que, concelho a concelho, ver que iniciativas podemos desenvolver, que campanha podemos fazer no sentido de dar mais força à  candidatura de Edgar Silva, que meios podemos utilizar para dar a conhecer o candidato e a candidatura.

Depois de remover a coligação PSD/CDS do Governo é hora de remover a Direita da Presidência da República, para prosseguir a luta por uma Política Patriótica e de Esquerda. Façamos destas Eleições Presidenciais a grande luta desta viragem de 2015 para 2016.

Ano novo, vida nova, diz o povo.

Está na hora de arejar o Palácio de Belém.

Vamos a isso,  mobilizar muitos mil, para afirmar Abril e cumprir a Constituição da República Portuguesa. Já no dia 18 de Dezembro na Casa da Banda de Música de Salreu, em Estarreja, no Jantar/Comício com Edgar Silva.

Viva a Memória de um Povo e os seus Dias Memoráveis!

Viva Portugal!

 

Casa da Comunidade Sustentável, Aveiro, 1 de Dezembro de 2015

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