Os desenvolvimentos da situação internacional exigem um permanente e aprofundado acompanhamento, nomeadamente para a caracterização das suas principais tendências, cuja evolução, aliás, tem confirmado, no essencial, a correcção das grandes linhas de análise e as teses fundamentais apontadas no XIX Congresso do PCP.

Como é salientado no Comunicado da recente reunião do Comité Central do PCP, para uma correcta compreensão da actual situação internacional, é necessário ter consciência de que o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo continua a determinar os seus principais desenvolvimentos. Aliás, como é evidenciado pelo facto de não ter sido ultrapassada a mais recente e duradoura explosão de crise, que despoletou em 2008 nos EUA e cujos efeitos perduram não só nas principais potências capitalistas como ao nível mundial.

É no quadro da sua crise estrutural que o capitalismo procura levar tão longe quanto possível a intensificação da exploração dos trabalhadores, com as brutais consequências para as suas condições de vida, generalizando o empobrecimento e incrementando incessantemente a acumulação e concentração do capital e da riqueza.

O imperialismo, com o imperialismo norte-americano na dianteira, lança-se numa metódica e generalizada agressão a todos aqueles que resistem ou considera serem um obstáculo para a sua supremacia mundial. Para tal, instrumentaliza sem escrúpulos as mais diversas situações para – a coberto de intensas campanhas que dissimulam as suas reais intenções e objectivos – impor o seu domínio sobre recursos, países e regiões.

No entanto, como a realidade comprova, a esta brutal ofensiva têm respondido os trabalhadores e os povos com a sua determinada e corajosa luta, assim como países (e articulações de países) que procuram e afirmam caminhos para o seu desenvolvimento fora do quadro do domínio do imperialismo.

Neste contexto, continuam a desenrolar-se importantes mudanças, nomeadamente no plano económico, com grandes implicações ao nível mundial, sendo que o sentido da sua evolução dependerá de um amplo e complexo conjunto de factores, como a luta dos povos pela defesa da soberania e independência nacionais, a luta da classe operária, dos trabalhadores, das massas populares contra a exploração e a opressão ou a acção (e articulação) dos estados que se opõem aos intentos de supremacia do imperialismo.

Num quadro em se afirma a natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo e em que, consequentemente, se intensifica a luta de classes – que se expressa de variadas formas, em situações complexas e muito distintas e no quadro da definição de tarefas e objectivos imediatos diversos –, a evolução da situação internacional confirma que, sendo sérios os perigos da ofensiva do imperialismo, simultaneamente, se colocam reais potencialidades de resistência e de desenvolvimento da lutaque pode travar os sectores mais reaccionários e agressivos do imperialismo, impor-lhe recuos e alcançar importantes conquistas e transformações progressistas e revolucionárias.

in Avante a 23 de Out

São complexos os desafios e grandes as exigências que a actual situação coloca, mas também é grande a convicção da justeza do ideal da emancipação social e nacional por que lutamos. Por maiores que possam parecer as dificuldades e intransponíveis os obstáculos, é inevitável que cresça a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus interesses e aspirações. Com confiança, coragem e determinação, o futuro pertence não aos que exploram e oprimem mas aos que resistem e lutam fazendo avançar a história.