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As projecções do Banco de Portugal para a economia portuguesa (2012-2014), acabadas de divulgar, indicam que a recessão económica vai continuar este ano. A previsão do Banco de Portugal (-1,9%) é quase o dobro da constante Relatório do Orçamento de Estado para 2013.

projecções

A CGTP-IN salienta o facto do próprio Banco de Portugal rever em baixa as suas anteriores projecções. Em Outubro previa uma recessão de -1,6% enquanto o Governo continuava a afirmar que haveria uma retoma do crescimento económico no segundo trimestre de 2013. Foram as medidas de austeridade contidas no Orçamento de Estado para 2013 que levaram o banco central a alterar baixar o valor para o crescimento económico.

Nesta mesma perspectiva, a CGTP-IN considera que o panorama poderá ser pior que o anunciado pelo Banco de Portugal. De facto, a quebra do rendimento dos trabalhadores e dos pensionistas, devido à redução do poder de compra dos salários e do aumento da carga fiscal, bem como das medidas anunciadas para a Administração Pública, poderão conduzir a uma maior diminuição do consumo, privado e público. Como se verifica uma clara desaceleração das exportações, há o risco de uma recessão superior em 2013. Esta desaceleração torna ainda mais evidente a necessidade da dinamização da produção nacional e a melhoria da procura interna, pela via do aumento dos salários, do Salário Mínimo Nacional e das pensões.

O Banco de Portugal prevê a recuperação económica em 2014 (1,3%), mas salienta que os riscos de falha na previsão serão muito maiores devido a não ter admitido medidas adicionais de ajustamento (ou seja, de austeridade) em 2014. A menos que haja uma mudança nas políticas económicas, poderá não haver a luz ao fundo do túnel em 2014. Agravar a austeridade, como pretende o Governo, com medidas de redução da despesa pública a serem aplicadas a partir de 2014 terá, para além das suas consequências económicas, um impacto sobre o crescimento. Estas previsões demonstram uma vez mais que o país não pode manter políticas que estão a destruir o tecido económico e social do país. O Banco de Portugal não indica a taxa de desemprego prevista mas refere que o actual processo “não deixará de implicar também a destruição de postos de trabalho e encerramento de empresas pouco produtivas” – pouco produtivas, ou empresas que encerram porque não conseguem vender os seus produtos devido a não haver procura interna suficiente? Mas prevê uma nova diminuição do emprego este ano em cerca de 2%, o que terá consequências no aumento do desemprego. Desde 2008 foram destruídos perto de 650 mil empregos. É insustentável manter esta situação.

inter_15jan13 Fontes: INE, Governo e Banco de Portugal

Nota: A perda de emprego é calculada com base na seguinte variação anual do emprego: -2,8% em 2009; -1,5% em 2010; -2,8% em 2011, -4,3% em 2012; -1,9% em 2013

DIF/CGTP-IN Lisboa, 15/01/2013 Ver também: