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O Grupo José de Mello entendeu lançar um Oferta Pública de Aquisição sobre o capital da Brisa , empresa de que é o maior accionista.

O director do Negócios escreveu que “a OPA à Brisa é uma farsa”. Não é essa a questão que agora me ocupa, mas o facto de, farsa ou não, ser financiada pela banca em quase 500 milhões [de euros]. É inequívoco que está cada vez mais difícil o acesso das empresas ao crédito, em particular das pequenas e médias, para desenvolverem a sua actividade, para produzirem riqueza e criarem emprego. Mas para financiar uma operação meramente financeira, que não cria valor acrescentado na economia nacional, a banca não hesita e abre os cofres. São prioridades de crédito contrárias às necessidades da economia e aos interesses do País.

Ainda mais grave um dos bancos financiadores ser a CGD. Os objectivos da política de crédito da CGD não podem ser os de um qualquer banco privado. Exige-se que os recursos do banco público privilegiem a produção e o emprego em vez de serem pronto-socorro ao serviço de interesses de capitalistas. Sempre. E com maior pertinência no actual contexto do País e no momento em que a Caixa se apresta para receber mil milhões do Estado, dos contribuintes, para reforçar a sua solvabilidade. É mais uma traficância financeira em que a CGD participa, na linha do que sucedeu, por exemplo, com os financiamentos aos srs. Manuel Fino na Cimpor e Joe Berardo no BCP. Veremos se também financiará os luso-angolanos na Galp e os brasileiros na Cimpor…

E o Governo é corresponsável neste acto escandaloso porque é ele que representa o Estado/accionista único, e como tal tem o dever de definir as orientações estratégicas do banco público adequadas às necessidades da economia real e do emprego.

03/Abril/2012

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