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Sem surpresa, ficou-se a saber que a «al-qaeda» se juntou aos esforços das potências imperialistas na guerra não declarada que está em curso para derrubar o regime sírio. Naquele que era não só um esperado, como inevitável, reencontro de amigos, ei-los de novo unidos, depois dos forjados pretextos que serviram para estender a dominação dos Estados Unidos da América no Afeganistão, dar espaço à cruzada sionista contra o povo e causa palestiniana ou justificar a invasão e ocupação do Iraque. Velhos conhecidos e inseparáveis aliados, como já bem se tinha percebido na destruição da Líbia, o que o facto revela são os sólidos laços de comprometimento no assumido uso da destruição e do terror que os liga e anima. Pelo que da sã convivência entre as várias expressões de terrorismo em presença – a de grupos animados por um fanático fundamentalismo, a que assumidamente se afirma como política de Estado ou a que resulta das ambições imperialistas de dominação hegemónica, seja com origem nos EUA ou na União Europeia – nada mais haverá a esperar do que aquilo que o mundo tem sido obrigado a observar: o espezinhamento de princípios básicos da ordem internacional sempre acobertado na deplorável cumplicidade dos principais responsáveis das Nações Unidas; a destruição massiva de cidades e países logo inscritas como janela de oportunidade para o negócio de reconstrução por parte dos que as transformaram em ruínas; um rasto de morte e sofrimento lançado sobre povos inteiros, cinicamente justificado por pretensas razões humanitárias ou altruístas ímpetos libertadores. O que hoje se passa na Síria ou o que se avizinha para o Irão, o que ontem se viu na Líbia ou em tempos não muito mais distantes se viveu no Afeganistão e no Iraque é tão só – para lá da imensa operação ideológica e da verdadeira lavagem de cérebro que os centros de difusão imperialista meticulosamente constroem ou da informação que travestidos «jornalistas» nos vão enfiando pelos ecrãs e páginas de tablóides – a face dos projectos de controlo de recursos, de disputa de influência geo-estratégica e de imposição de regimes de dominação imperialista com vista à exploração de povos, países e continentes.

in “Avante” de 16 de Fevereiro de 2012