Etiquetas

, , , , , , , , ,

1. O INE divulgou as suas primeiras estimativas de evolução do PIB no 4º trimestre de 2011 e na totalidade do ano. O INE estima que o PIB tenha caído -1,5% em 2011 e que em termos homólogos no 4º trimestre a queda tenha sido de -2,7% e em cadeia de -1,3%. O 4º trimestre de 2011 foi sem qualquer margem para dúvida o pior trimestre do ano, com o PIB trimestral a recuar em termos reais para valores inferiores aos registados no 4º trimestre de 2005.

2. Estes dados confirmam que em 2011 após um 1º semestre em que a queda do PIB foi de -0,7%, no 2º semestre o PIB afundou-se caindo -2,2%. Este dado é tanto mais relevante quanto esta é a maior queda registada em termos percentuais no PIB do 2º semestre, desde 1996 ano em que esta nova série de dados trimestrais do PIB se iniciou.

3. O INE confirma que esta acentuada queda do PIB no 4º trimestre de 2011 resultou de um significativo agravamento do contributo negativo da chamada Procura Interna (Consumo Final das Famílias, Consumo do Estado e Investimento), com especial destaque, pela negativa, para a queda do Consumo das Famílias e do Investimento. Nada que surpreenda atendendo à queda considerável verificada no Rendimento disponível das Famílias ao longo de 2011, fruto da queda dos salários e das reformas, dos cortes nos apoios sociais, do aumento da carga fiscal directa (IRS e sobretaxa extraordinária) e indirecta (IVA), do aumento dos transportes e da energia eléctrica.

4. Só o contributo positivo da chamada Procura Externa Líquida que resulta da diferença entre a evolução das Exportações e das Importações impediu que a situação se tivesse agravado mais. Esta evolução reflecte aliás, como não podia deixar de ser, o forte abrandamento que se vem registando na evolução do PIB dos nossos principais parceiros comunitários (Espanha, Alemanha, França, Itália, Reino Unido) e consequentemente na sua Procura Externa de bens e serviços, consequência da crise sistémica na Europa.

5. Vale a pena lembrar que a última previsão do Banco de Portugal para a economia portuguesa incluída no Boletim de Inverno e divulgada na 1ª quinzena de Janeiro p.p., estima para a Procura Interna uma queda em volume em 2011 de -5,2%, enquanto para 2012 essa previsão é de -6,5%. Todos estes elementos confirmam aquilo para que o PCP vem alertando: as sucessivas medidas de austeridade impostas ao povo português, só significam mais recessão para o país, mais exploração dos trabalhadores, mais dificuldades e pobreza para o povo. Dados que dão mais actualidade e urgência à exigência de rejeição do Pacto de Agressão, assinado pelo PS, PSD e CDS, com a União Europeia e FMI e à necessária ruptura com estas políticas de desastre nacional. Uma exigência que tendo tido uma inequívoca expressão na poderosa jornada do ultimo Sábado, no Terreiro do Paço, tem agora de prosseguir na luta em cada empresa e em cada localidade, e que terá no próximo dia 29 de Fevereiro, nas acções descentralizadas anunciadas pela CGTP-IN um novo momento para a afirmar.