No passado domingo, cerca de 500 populares, entre eles autarcas dos concelhos de Castelo de Paiva e Arouca e alguns deputados eleitos pelo distrito de Aveiro, percorreram em marcha lenta automóvel parte da EN 234, em protesto contra o anúncio do encerramento do tribunal de Castelo de Paiva.

Meia-hora de caminho e 365 curvas depois eis o que espera os Paivenses, cada vez que forem ao tribunal da sua nova comarca a situar-se, futuramente, no Tribunal de Arouca.

«Um disparate», rematou Gonçalo Rocha, edil de Castelo Paiva, já frente ao tribunal de Arouca, que maior será se se considerar que «só há um autocarro por dia de Castelo de Paiva para Arouca». No entanto, o autarca ainda acredita que só o desconhecimento da  realidade local explica a decisão governamental em encerrar o tribunal em Castelo de Paiva, daí que «a ministra da Justiça quando tiver oportunidade de a verificar, vai dar-nos toda a razão», dando assim por concluída a concentração de protesto.

Num gesto de solidariedade com os promotores da iniciativa, também os activistas da CDU de Arouca marcaram presença neste protesto, tendo reiterado a sua crítica sobre o novo Mapa Judiciário e o modelo de acesso dos cidadãos à justiça proposto por este governo, referindo a propósito que este «tem suscitado justas preocupações e fortíssima contestação». Tadeu Saveedra, em representação da concelhia do PCP/Arouca afirmou ainda que «não contestamos a necessidade de melhorias na organização e no funcionamento do sistema judicial» mas contestamos «o sentido da reforma  e as consequências negativas que teria para os cidadãos no seu acesso à justiça, mas também para as comunidades e o país, nomeadamente para as populações do concelho de Castelo de Paiva».

Junto do presidente da Câmara de Castelo de Paiva, o mesmo dirigente comunista salientou ainda que «a substituição das actuais 230 comarcas, na base do(s) concelho(s), por 35 novas circunscrições de base geográfica territorial correspondente às NUT’s, é uma opção errada que, abdicando de explorar todas as potencialidades e capacidades do actual modelo de círculos judiciais e comarcas, aposta em soluções que se traduzirão em menos justiça e pior justiça».