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A capitalização da banca transformou-se num tema do quotidiano da velha Europa. O assunto domina os noticiários e não há comentador que se preze que o não traga à colacção. Disse-se mesmo que ontem, 26, seria o dia C – de capital, está visto – para a tomada de decisões históricaspara a zona euro. Dando de barato a classificação – tem havido tantos encontros históricos que a designação já virou anedota… –, importa reter um aspecto que até à data não suscitou, curiosamente, as atenções dos especialistas. Vejamos. A capitalização da banca, dizem-nos, é necessária, mesmo indispensável, para que os bancos mais expostos à dívida grega não ‘percam o pé’, digamos assim, e para que possam abrir o crédito tão necessário ao investimento. Coisa meritória, decerto, embora os ignorantes na matéria possam – e devam – interrogar-se:

– Quanto emprestou a banca aos gregos e quanto recebeu com os juros agiotas impostos à Grécia?

– O que vai deixar de receber é calculado em função dos lucros pornográficos que esperava arrecadar?

– Quanto «perdeu» a banca e quanto vai receber?

– E se a banca vai receber dinheiro do Estado, ou seja dos contribuintes, para emprestar aos contribuintes (particulares e empresas), ganhando obviamente com o negócio, por que hão-de os contribuintes financiar a banca para se financiarem a si próprios a mais alto preço?

– Sendo certo que é sempre o dinheiro dos contribuintes que está em jogo, e afirmando os governos que a sua máxima preocupação é o interesse nacional, por que será tão difícil mudar as regras de um jogo que só prejudica os contribuintes?

Responda quem souber, mas lá que esta história está mal contada, isso está. Talvez fosse útil ouvir os banqueiros nacionais que tanto se queixam das agruras do negócio, o que no entanto não os impede de figurar na lista do top 13dos mais bem pagos da Europa. A notícia veio no sábado, 22, no jornal francês Le Parisien, segundo o qual os executivos financeiros cá do burgo estão em nono lugar num conjunto de 13 países, com uma média de 845 mil euros anuais. É dose, embora muito longe dos britânicos (5,7 milhões) ou suíços (4,4), mas mesmo assim a milhas dos belgas (250 mil) ou dos holandeses (623). Coisas da crise.