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Com o zumbido do debate sobre o que significa o novo “acordo” anti-crise da UE ainda nos nossos ouvidos e após uma longa noite de observação ansiosa das deliberações dos nossos líderes, é terrivelmente fácil perder de vista a única verdade acerca desta nova guinada na saga da crise do euro: Praticamente não houve acordo.

A Europa comprometera-se a providenciar uma grande solução para três problemas relacionados: seu sector bancário em colapso, o problema com a dívida pública italiana e espanhola (e seus efeitos potencialmente catastróficos sobre a classificação triplo A da França) e a abandonada economia grega. Nada dito foi sequer remotamente abordado na noite passada. O sector da banca exigia recapitalização agressiva e compulsória a um nível europeu central. Isso não acontecerá. (Não só a soma reservada para isso é fraca como, primariamente, serão dadas aos banqueiros uma multidão de possibilidades para se esquivarem à perda de controle sobre o seus bancos em bancarrota através de vários meios que farão da recapitalização uma letra morta). O EFSF com esteróides anabólicos (a qual é o que a sua versão privada de capital alavancado virá a ser) que foi anunciado não diminuirá o fardo sobre a Itália (nem remove as nuvens escuras sobre a França). Finalmente, o corte (haircut) grega é uma mero estojo vazio de um número (50% é a regra empírica acordada na primeiras horas da manhã, só a fim de ter um número) uma vez que está baseado numa série de suposições ridículas e acordos que têm de ser tratados com os banqueiros que os políticos estão longe de completar.

E portanto a Crise continuará ao longo do seu caminho actual, ultrapassando as últimas defesas da eurozona na sua trajectória para a desintegração final. Em suma, aqueles de nós que ficaram a observar e ouvir, com as antenas viradas para a Bélgica, simplesmente desperdiçaram uma boa noite de sono.

27/Outubro/2011

O original encontra-se em yanisvaroufakis.eu/… 

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