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Pão-pão, queijo-queijo, – gostamos nós da Nossa praça?

Nós – Nós.

Nós – Arouca-real.

Nós que, aqui, ficamos.

Nós que, por aqui, vamos ficando.

Nós que temos por esta terra essa coisa mesclada, esse nome feito de consciência, de instinto, de vontade, de teimosia, de brio, de vaidade, de hábito, de emoção, de história, de adjectivos, de sangue, que se chama  – Arouquense.

A praça para nós – o que é?

Um lugar?

Um arvoredo?

Uma memória?

Uma História?

Uma batalha?

Um encontro?

Um recuerdo turístico?

Um desafio urbanístico?

Um anfiteatro?

Uma casa de espectáculos?

Um tapa-cemitérios?

Um esbanjar de dinheiros públicos?

Gostamos?

Ou não gostamos?

Queremos?

Ou não queremos?

(Já se fizeram referendos por coisas bem menos importantes)

Esta questão, merecendo ou não referendo, para já o que merece é mais debate e um consenso mais alargado.

É que há muitas maneiras de pensar arquitectura – há muitas maneiras de fazer Arouca.

Há muito jeito de movimento e manifestação – como há muita forma do povo revelar opiniões e se fazer representar.

Há, em Arouca, opiniões para todos os gostos sobre a polémica praça versus anfiteatro – a concentração que decorre hoje, pela defesa da praça, vale o que vale, mas não deixa de ser mais um sinal disso mesmo.

Será que o executivo camarário não sabe nada do seu povo – a não ser de arquitecturas de praças?

E que o povo não tendo tradição de fazer grande alarde das suas opiniões, seja públicamente ou pela Internet ou pela vestimenta branca – não tem opinião sobre arquitectura, sobre política, nem sequer sobre a sua própria História?

Tendo a Câmara legitimidade para destruir uma praça e, ali, instalar um anfiteatro, não se deixam de colocar algumas questões ao senhor presidente da Câmara:

Avançar com as obras do anfiteatro será tacticamente certo?

Será isso internamente hábil?

Será isso políticamente correcto?

Será isso futuramente eficaz?

É que não havendo um consenso alargado sobre a questão das obras, amanhã perguntar-se-á: quem é que andou separando, pela memória e pela precipitação, este povo galhardo, forte, que, durante um século, soube reunir-se, fraterno, em redor de uma praça tão dramaticamente portuguesa?

E já agora – uma desunião em nome de quê?

Ó Senhor PRESIDENTE, apenas por um anfiteatro…???

Arouca, 17 de Setembro 2011