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Conforme anunciado, realizou-se, na sexta-feira passada, um debate promovido pela Comissão Concelhia de Ovar do PCP com o tema: “PCP 90 anos – Momento e Significado da sua Criação”. Integrado no quadro das comemorações dos 90 anos do PCP, esta iniciativa contou com a valiosa participação de Domingos Abrantes, membro do seu Comité Central.

A fundação do PCP a 21 de Março de 1921, o seu enquadramento e a singularidade do seu processo foram os temas com que Domingos Abrantes iniciou a sua palestra. Sendo inegável o papel da revolução de Outubro na génese da sua criação, à semelhança de outros partidos congéneres, a singularidade do PCP advém do facto de ter sido criado a partir de correntes anarquistas com largas tradições no campo da luta sindical.

Da criação do PCP até aos nossos dias, foram recordados, em traços gerais, acontecimentos que marcam a sua longa e rica existência, como um primeiro momento fortemente influenciado por Bento Gonçalves nos anos trinta, que culmina com a sua prisão e morte no Campo do Tarrafal. A reorganização de 1941 – com Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro, Pires Jorge, Júlio Fogaça, Sérgio Villarigues, e outros  – marca o início de uma nova etapa fundamental de vida do PCP, que prosseguirá de forma ininterrupta, apesar da repressão, das prisões e da tortura, até ao 25 de Abril de 1974, para o qual contribuí de forma decisiva e à custa de muito sangue derramando entre as fileiras comunistas. O Portugal democrático representa outra fase fundamental da história do PCP, durante a qual se reorganiza face às novas condições de luta e intervenção.

No debate que se seguiu, foram várias as intervenções, umas mais focadas em aspectos e momentos específicos da vida do PCP, que importa sempre estudar e analisar, outras mais viradas para a luta dos nossos dias. Sendo sempre de valorizar a intervenção dos militantes comunistas, que durante a ditadura fascista enfrentavam a prisão e a tortura e, em não poucas vezes, a morte, não é menos certo que os comunistas hoje se defrontam com situações complexas, pois o capital tem instrumentos de domínio ideológicos igualmente eficazes, com que consegue subjugar a grande massa dos trabalhadores explorados, impedindo a sua emancipação e dificultando a luta concreta do dia à dia. Num momento em que se avizinham tentativas de impor à generalidade do povo português um retrocesso social de décadas relativamente a conquistas que levaram anos de luta, a plena actualidade do ideal comunista entra pelos olhos dentro. A luta pela superação deste modelo capitalista, cujos limites históricos se começam a definir no horizonte, é uma luta longa, cujo desfecho é impossível de prever. Mas ser comunista é, nas palavras de Domingos Abrantes, dar o seu melhor em prol de uma causa, cuja concretização plena pode durar várias gerações. Assim foi com o valioso contributo de muitos comunistas que não puderam assistir à queda do fascismo.

Ovar 18 de Junho de 2011

A Comissão Concelhia de Ovar do PCP