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A DORAV considerou muito positivo o crescimento eleitoral da CDU e concluiu que o descrédito do PS e a ocultação pelo PSD e CDS do seu apoio ao Pacto de agressão e submissão estão na base dos resultados obtidos por estas forças políticas. O Pacto das troikas, ilegítimo e inaceitável, terá de enfrentar a resistência do nosso povo. É urgente uma política patriótica e de esquerda para Portugal.

1. Para o PCP e a CDU, as eleições legislativas de 5 de Junho, apesar das condições muito difíceis em que tiveram lugar, representam um resultado muito positivo, com um crescimento percentual e a eleição de mais um deputado. A nível distrital a CDU cresceu mais de 5% da sua massa eleitoral, alcançando 15729 votos, mais 754 que em 2009 (e mais 1935 que em 2005), e deu passos importantes na sua consolidação eleitoral. Este é o terceiro crescimento consecutivo da CDU, confirmando a coligação PCP-PEV como a única força em condições de abrir caminho a uma ruptura com as políticas de direita e com o Pacto de agressão e submissão entre a troika estrangeira do FMI/UE/BCE e a troika do PS/PSD/CDS. A CDU emerge destas eleições como a força da ruptura e da mudança, para uma política patriótica e de esquerda em Portugal.

2. A pesada derrota do PS decorre do repúdio popular pelas suas políticas de concentração da riqueza, dos OEs e PECs e do Pacto de submissão. O PSD e o CDS crescem em resultado do descrédito do PS e da mistificação das suas responsabilidades reais nas políticas de direita, a sua maioria resulta de falsas promessas e da ocultação de que o Pacto de agressão, submissão e roubo constitui, de facto, o seu programa comum de governo. Por isso, importa sublinhar que as eleições não legitimam o Pacto das troikas, que é antidemocrático pelo seu percurso e objectivos e inconstitucional pelo seu conteúdo. O Pacto e a sua política de guerra social e liquidação da soberania, bem como o golpe constitucional que daí decorre, são inaceitáveis e em breve serão motivo de mais resistência popular. E terão de enfrentar a intervenção e a luta dos comunistas, até que seja possível um novo rumo para Portugal.

3. A situação económica e social continua em acentuado agravamento. A taxa de desemprego em Março, reconhecida pelo INE, é de 12,4%, atingindo os 17,7% em sentido lato – mais de 1 milhão de desempregados a nível nacional e cerca de 65000 no distrito de Aveiro. A recessão económica está instalada. Agrava-se a situação dos sectores produtivos, particularmente das PMEs e da agricultura familiar. Generalizaram-se novos ataques aos trabalhadores e aos seus direitos, como por exemplo: o despedimento colectivo de 16 operárias da Abel da Costa Tavares, empresa corticeira que beneficiou de chorudos apoios do Governo PS; a pressão junto dos trabalhadores do Grupo Cifial para a redução dos salários; e a situação da Cinca em Fiães, sem aumentos salariais há mais de quatro anos, e sem pagamento das horas extraordinárias, apesar dos lucros de milhões.

4. Degrada-se a situação social – redução de salários, pensões e prestações sociais, aumento dos preços dos medicamentos e bens essenciais e da carga fiscal sobre os trabalhadores e o consumo, limitação do acesso aos serviços públicos essenciais, na saúde, na educação e na justiça. Agravam-se as políticas que fecham o futuro à juventude. Neste quadro de declínio nacional, o Pacto de agressão e submissão vai agravar os problemas e comprometer o desenvolvimento e o futuro do país por largas dezenas de anos. Assim, é na luta de massas e no seu reforço que reside a possibilidade e a esperança de abrir caminho a uma ruptura com a política de direita. Contra a resignação e as inevitabilidades, é indispensável ampliar a luta – em defesa dos interesses mais imediatos dos trabalhadores e das populações, pelo emprego com direitos, contra os despedimentos, pela valorização dos salários e pensões, pelo acesso ao ensino e à saúde, pelo desenvolvimento e a justiça social.

5. A DORAV saúda todos os camaradas e amigos que intervieram na batalha eleitoral e todos os que confiaram o seu voto à CDU – podem sempre contar com o PCP e a CDU no respeito pela palavra dada, na defesa dos trabalhadores e do povo, na afirmação da soberania e dos interesses nacionais. O PCP prosseguirá a sua intensa actividade de reforço e afirmação do Partido, de que destacamos a próxima concretização de Assembleias das Organizações Concelhias de Águeda, Estarreja e Vale de Cambra e um conjunto de medidas de reforço orgânico e de intervenção. A DORAV do PCP dirige-se aos trabalhadores, à juventude e ao povo do distrito de Aveiro reafirmando-lhes que têm força bastante, com a sua luta, determinação e confiança, para derrotar a política de direita e o Pacto das troikas, de agressão, submissão e afundamento do país, e abrir um novo caminho, patriótico e esquerda, vinculado aos valores de Abril, tendo no horizonte a democracia avançada e o socialismo.

DORAV do PCP

Aveiro, 11 de Junho de 2011