Agora que a renegociação e subsequente reestruturação da dívida se afiguram uma inevitabilidade, fundada, mais do que em valores ideológicos, em meras razões de bom senso económico, vale a pena atentar no resumo da matéria dada feito no “New York Times” pelo Nobel da Economia Paul Krugman (artigo que o “i” publicou em Portugal).

O que Krugman fundamentalmente diz é que Portugal, Grécia e Irlanda não conseguirão pagar as suas dívidas, cujas condições usurárias forçarão a sucessivas e cada vez mais gravosas “ajudas”, acompanhadas de “programas de austeridade selvagens” com efeitos recessivos que bloquearão o crescimento económico e impedirão a geração dos recursos necessários às amortizações e pagamentos de juros.

Se não forem os países “ajudados” a tomar a iniciativa da renegociação, acabarão por, na iminência da bancarrota, ser os próprios credores a fazê-lo (quando concluírem que sugaram todo o sangue que poderiam sugar e preferindo receber alguma coisa em vez de mais nada).

Neste contexto, ganha contornos inquietantes a resposta e Sócrates a Louçã quando, no debate televisivo entre ambos, foi posto o problema da reestruturação da dívida: “Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, desemprego e falências e, pior que isso, significa pôr em causa o projecto europeu e a moeda única”. A minha esperança é que aquele “pior que isso” tenha sido só um nariz de cera retórico.

in JN de 30 de Maio