Ruptura com a política de direita ou prosseguimento do rumo de afundamento do País, esta é uma das questões cruciais que os portugueses têm nas suas mãos decidir no próximo dia 5 de Junho.

E esta decisiva opção, com o que em si envolve de condenação desse rumo, penalização dos responsáveis, apoio e reforço da CDU enquanto condição indispensável para abrir caminho a uma outra política – será a razão porque se multiplicam as manobras de diversão, o semear de medos, os apelos à resignação e sobretudo a imensa operação de mistificação que PS, PSD e CDS têm em curso para mostrar diferenças onde só há semelhanças.

Convivendo com as teses de responsabilização dos portugueses sobre aquilo que deve ser assacado a trinta e cinco anos de política de direita – de que são exemplo a fantasiosa ideia de que «viveram acima das suas possibilidades»; ou de resignada aceitação perante as alegadas inevitabilidades – de que a repetida ideia de que «não há dinheiro» ou «antes assim, que pior» são síntese recorrente, os analistas e propagandistas do sistema insistem e voltam a insistir em que, agora, não é tempo de apontar responsáveis, que o que está, está, que o que é preciso é união.

Querendo tomar os portugueses por parvos, pedem aos trabalhadores e ao povo que fechem os olhos, que não olhem com olhos de ver para quem os enganou, para quem os arrastou para este presente cheio de dificuldades e, sobretudo, para quem os quer amarrar a um futuro sem perspectivas.

Vendo onde toda esta corrente de mistificação e engano desagua, fácil é perceber por que a fizeram nascer. Todas no seu conjunto, cada uma por si, somam para esse mesmo objectivo comum de animar artificiosamente uma escolha entre iguais enquanto condição para impedir ou condicionar a opção que pode comprometer o prosseguimento da política de direita.

Toda uma campanha para iludir – na base de uma estafada polémica sobre programas eleitorais (eles que têm dos compromissos eleitorais uma concepção de algo descartável «uso agora para deitar fora a seguir») – que quer PS, quer PSD e CDS, estão unidos por esse programa comum de ataque a direitos e de empobrecimento do País que subscreveram com o FMI, o BCE e a UE.

Toda uma campanha para iludir – na base de uma artificial retórica de acusações mútuas sobre responsabilidades mais ou menos próximas – o percurso comum na concretização da política de direita que conduziu o País a uma situação de declínio e dependência.

Toda uma campanha para iludir – na base de encenadas dramatizações sobre indigitações, maiorias e futuro governo – aquilo que emerge com meridiana clareza: que PS, PSD e CDS se preparam para juntar os trapinhos e impor, após as eleições, mais sacrifícios, injustiças e pobreza.

Contrapondo a estas manobras, agora é tempo de esclarecer e mobilizar para o voto na CDU enquanto condição para contribuir para derrotar a política de direita e dar força a uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

Tempo de os trabalhadores e o povo não fecharem os olhos ou continuarem a dar ouvidos a quem lhes impõe uma vida cheia de dificuldades, mas sim de olharem para quem é responsável por este rumo e esta política de retrocesso, tempo de não se deixarem enganar de novo pelas falsas promessas ou pelas manobras de vitimização ou desresponsabilização.

Agora, o tempo é de, sem hesitações, confiar no PCP e na CDU, confiar em quem nunca faltou quando foi hora de defender os interesses, direitos e aspirações populares, em quem tem de facto uma política alternativa a pensar no País e nos trabalhadores.

Agora é tempo de não ir na velha conversa do PS sobre os perigos da direita, quando foi o PS quem no governo fez florescer a política de direita, quando anos a fio fez o que PSD desejaria poder ter feito, quando anos a fio decidiram e aprovaram juntos, PEC sobre PEC, Orçamento sobre Orçamento.

Agora, é tempo de dar força à CDU. Tempo de nos dirigirmos, nestes dias que faltam, aos trabalhadores e ao povo, a todos quantos nos dão razão, a todos quantos reconhecem que a CDU faz falta à luta pelos seus direitos, a todos que sabem que não somos iguais aos outros, a todos que assim pensando hesitam ainda sobre a utilidade desse voto, lhes dizemos:

Não hesitem! Está nas vossas mãos – e só nas vossas mãos e na vossa vontade – afirmar, com o vosso voto na CDU, que é tempo de isto mudar, que é tempo de não deixar para outros o que nós podemos decidir! Para que no dia 5 de Junho à noite sintam que fizeram aquilo que deveriam ter feito em defesa dos vossos próprios interesses, da defesa dos vossos direitos, da construção de um futuro digno a que justamente aspiram para vós e para os vossos filhos.