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Hoje apetece contar a história de um povo que não se deixou vergar. Na Islândia houve dois referendos quase seguidos que rejeitaram o pagamento de uma (pretensa) dívida do país a bancos holandeses e ingleses. Vamos lá aos detalhes. Um banco privado captava depósitos e prometia pagar juros muito acima do “normal do mercado” (no BPP e no BPN também faziam isso…). À boleia deste “paraíso”, captou mais de 4 mil milhões de euros de ingleses e holandeses. Para resolver o (“pequeno”) problema de pagar juros tão altos, a criatividade especulativa islandesa (como a dos congéneres gestores do BPP e do BPN), aplicava os depósitos em “produtos de alto risco” sem qualquer sustentação na economia. O resto da história é conhecido: a espiral especulativa atingiu o abismo, a crise surgiu (como se fosse um acaso…), o tal banco deixou de pagar os juros mirabolantes, o valor do dinheiro “investido” nos produtos “altamente rentáveis” passou a ser … zero! E o banco privado islandês entrou em insolvência…

Perante a falência, entram em cena bancos holandeses e ingleses que liquidam os depósitos dos seus nacionais clientes do “eldorado islandês”, combinando com o Governo islandês que este devolveria “o empréstimo”!

Encerrado o banco e conhecida a marosca, foram todos condenados a prisão efectiva, gestores e governantes cúmplices (parece Portugal…). Faltavam os quatro mil milhões pedidos pelos bancos. É aqui que entra o povo, dizendo ao seu governo e aos bancos estrangeiros que não era a Islândia nem o seu povo que deviam dinheiro. Apesar da pressão, apesar das ameaças de bloquearem a sua adesão à UE, o povo islandês encontrou uma solução, não se vergou.

Está também nas nossas mãos levantar a cabeça e dizer não à ingerência e rejeitar a submissão.