Etiquetas

, ,

1- A reunião realizada entre o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, possibilitou uma troca de opiniões e pontos de vista quanto à avaliação de cada um dos partidos sobre a situação económica e social do país e também sobre os últimos desenvolvimentos decorrentes do pedido de intervenção externa, com o rasto dramático de consequências que consigo arrasta.
Uma avaliação que permitiu identificar aspectos onde há apreciações convergentes. Convergência de pontos de vista que não iludem ao mesmo tempo diferenças de opinião e até posicionamentos divergentes sobre matérias várias, em si mesmo um facto natural em partidos com percursos e projectos distintos.

2- Um encontro onde o PCP reafirmou que 35 anos de política de direita conduzidas pelo PS, PSD e CDS-PP levaram país a uma situação de declínio e de retrocesso. O resultado está à vista: O país está mais pobre, menos desenvolvido e mais dependente num rumo em que, ano após ano, se avolumam e agravam problemas, em que a cada imposição de sacrifícios e injustiças se somam menos perspectivas de saída e solução. Mais desemprego e precariedade a fechar as portas ao futuro das novas gerações, mais exploração e menos salário, cortes no apoio social e nas pensões de reforma, abandono da produção, abdicação da soberania nacional. Tudo imposto às ordens do capital nacional e estrangeiro, num processo de saque da riqueza nacional e da acumulação de lucros.

Perante o anúncio pelo Governo PS – com os apoios de PSD, CDS e Presidente da República – de um pedido para uma inaceitável intervenção financeira externa envolvendo a União Europeia, o BCE e o FMI, o PCP sublinhou ainda que se impõe é a renegociação imediata da dívida pública [com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar] e a intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares de dívida pública, visando uma acção convergente para barrar a actual espiral especulativa, travar o saque aos recursos nacionais e novas agressões aos direitos dos trabalhadores e do povo.

3- Neste quadro, em que cada um dos partidos se apresentará às próximas eleições com as suas propostas e projecto próprio, o PCP com a firme convicção e confiança da importância do reforço da CDU para impor a ruptura com a política de direita e para abrir um caminho a uma política patriótica e de esquerda, prosseguirá e ampliará a sua intervenção política e social.
Facto que não obsta a que converjam, como tem acontecido designadamente no plano parlamentar, dando expressão à defesa dos interesses nacionais seja pela rejeição de políticas e medidas gravosas seja pela aprovação de outras que promovam o crescimento económico, a justiça social e a defesa de direitos.

4- A actual situação impõe uma ruptura com a política de direita, uma política alternativa patriótica e de esquerda capaz de abrir caminho ao desenvolvimento económico, ao progresso social e à afirmação soberana do interesse nacional, que exige para a sua concretização a formação dum governo patriótico e de esquerda, capaz de assegurar uma nova fase da vida do País. Um governo constituído com base nas forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes, que se identificam com a política patriótica e de esquerda, apoiado pelas organizações e movimentos de massas dos sectores sociais anti-monopolistas.

Uma proposta que se dirige a todos os democratas e patriotas, aos homens, mulheres e jovens que estão indignados com o actual rumo do país, àqueles que são duramente atingidos pela política de desastre nacional. Uma proposta que coloca a todos e a cada cada um – independentemente de opções anteriores – a possibilidade de contribuir, pela sua luta e pelo seu voto na CDU, para um novo rumo na vida nacional, liberto dos interesses do capital e das imposições da União Europeia, e comprometido com os valores da democracia, da liberdade, do progresso e justiça social.