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Já aqui disse que as mensagens natalícias entram (quando entram…) por um ouvido dos portugueses e saem pelo outro em menos tempo do que demora a ler este texto… Sócrates deu a visão cor-de-rosa, no Natal. Cavaco não podia ficar atrás e lá veio dar a sua perspectiva cor-de-laranja do país e do mundo. Diferenças entre o tom rosáceo da mensagem de Sócrates e a acidez laranja da de Cavaco foram poucas ou nenhumas, bem se viu pelos rasgados elogios que a despropósito o Governo veio tecer à mensagem presidencial. Primeiro-ministro e Presidente utilizaram, aliás, as suas mensagens natalícias para desafiarem a paciência de quem trabalha, e Cavaco até o fez no dia dos primeiros contactos com o IVA a 23% e com tudo o mais que ambos andaram a preparar para nos tramar o ano inteiro que agora começa!

Rezava a escrita alheia que muita gente esperava que o ritual das récitas natalícias fosse este ano diferente, que Cavaco não iria usar um tempo de antena extra em vésperas de se iniciar a campanha para as presidenciais. Puro engano ou santa ingenuidade! Alguém imagina Cavaco a prescindir de uma única oportunidade para usar o cargo, que (ainda) ocupa, e fazer promoção pessoal? Alguém imagina Cavaco a perder uma única oportunidade para tirar vantagem sobre os outros candidatos, mesmo que ao abrigo do cargo que continua a usar, para espalhar por aí a ideia mentirosa que não é político?

Curioso foi ver Cavaco dizer (sem se engasgar…) que é possível combater o desemprego e a pobreza em 2011. Como economista rigoroso (palavras próprias, claro), não lhe terão escapado as contas de muitos dos seus colegas, mostrando que, com o Orçamento congeminado por Belém, pelo Governo, pelo PS e pelo PSD, Portugal vai entrar em recessão, com o desemprego e a pobreza a dispararem…