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Não fossem as consequências que provocou e continuará a provocar, e até poderíamos dizer que a crise financeira, ou seja, a crise do “núcleo duro”do sistema capitalista, está a ter a virtualidade de tornar claras certas verdades que são intencionalmente desvalorizadas ou omitidas. A crise – chamemos-lhe assim, para simplificar – tornou mais nítido aos olhos de todos que o que une o PS e o PSD, o que une o bloco central, é muito mais forte que o que os divide. O toque a reunir na defesa do sistema levou-os, no plano nacional, à mesa do Orçamento e dos sucessivos PEC. No contexto europeu, a convergência é já total e completa, com a vantagem de aí nem ser preciso fazer de conta que têm divergências para “entreter” o povo…

A crise mostrou também a enorme injustiça inerente ao sistema que a originou. Claro que essa injustiça sempre lá esteve, no fosso da distribuição da riqueza, na exploração de recursos ou no desemprego. Só que agora, essas injustiças são ainda mais cruéis, por serem os mais fracos e os mais pobres a pagarem duplamente, para superar a crise e para que o sistema se possa recompor!…

Mas a existência da crise, as enormes injustiças que se abatem sobre os trabalhadores e os povos, a consciência de que as “soluções” do bloco central só visam salvar os “ricardos salgados” e reconstruir a economia de casino, ajuda também a tornar mais evidente a necessidade de se encontrarem verdadeiras alternativas que rompam com este ciclo de hipocrisia e exploração do PS e pelo PSD. A crise permite, assim, tomar consciência do enorme desafio que existe para desmontar a convergência do bloco central na defesa do sistema, e para, simultaneamente, lutar contra a chantagem do conformismo, a ladainha da paralisia e a teoria das inevitabilidades.

in JN de 15 de Novembro de 2010