No cume do monte homónimo, com o vale de Arouca a seus pés, sobranceiro à vila, de onde se avistam as serras das cercanias e se advinham os sinuosos percursos de rios, ribeiros e riachos, reina esta singular ermida desde, crê-se, o século XVI.

Na capela há uma pintura de 1827 (ex-voto) que ilustra a lenda: um cristão (um cruzado) de Arouca foi feito prisioneiro pelos mouros, em 1027. Pediu auxílio a Nossa Senhora quando se viu amarrado e enfiado numa arca de milho, com a pedra de uma mó em cima e um mouro sentado nela. Por milagre, cristão, arca, mó e mouro apareceram junto à capela, o sino tocou e o cristão, deslumbrado, perdoou ao mouro pasmado.

Mó, mer, mar, meruge, merugem, meruja, merujo são palavras, antigas, que falam de água (da chuva ao mar, do lençol freático ao olho de água, da rega ao moinho). A água, elemento essencial a homens, animais e plantas, corre nos vales das serras adjacentes ao Monte da Senhora da Mó (protectora das actividades agrícolas). Senhora da Mó, Senhora da Água?

Miguel Torga escreveu no seu diário (“Diário X”, 23 de Agosto de 1965), aquando de uma visita ao local:

“Também no reino de Deus há ricos e pobres. Os que vivem nas sedes do poder e os que vegetam nas sucursais. Lá em baixo, no convento, a segurança, a opulência, o convívio; aqui, nesta pequena ermida, a incerteza, a miséria, a solidão. Mas são os divinos desafortunados que eu admiro. Negam na própria desgraça a graça sobrenatural, e proclamam de cada píncaro a extensão maravilhosa do sobrenatural.”