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Não podia José Sócrates ter escolhido pior local para a segunda rentrée do PS. (ao mesmo tempo, fico a pensar no que levará PS e PSD a fazerem coincidir os seus “segundos pontais” com o cada vez mais impressionante encontro com o Portugal democrático que, há mais de trinta anos, a Festa do Avante! organiza no primeiro fim-de-semana de Setembro…).

Sócrates veio a Matosinhos repetir a estratégia de vitimização e chantagem que adoptou desde que perdeu a sua maioria absoluta “de estimação”. Tal como no Orçamento/2010, na aprovação do PEC 1 e do PEC 2, Sócrates veio repetir rábulas que já tinha antes ensaiado com Ferreira Leite e Passos Coelho. E assim o país caminha, de divergência em divergência virtual até ao voto real de ambos nas políticas de austeridade, injustiça fiscal e cortes sociais que unem PS e PSD. E assim o país caminha, de ataque em ataque virtual até aos costumeiros acordos para PSD e PS darem mais umas talhadas na letra de Abril da Constituição da República.

O que não se esperaria era que o PS escolhesse Matosinhos para fazer mais uma das suas encenações. Foi um autêntico “tiro no pé”. Na verdade, a gestão municipal conjunta, do PS e do PSD, é um exemplo vivo e assumido da assunção política do bloco central (desde a protecção fiscal de grupos económicos às gastadoras empresas municipais onde também o CDS vai cobrar um naco…).

A gestão PS/PSD, em Matosinhos é, assim, a confirmação prática de que Passos Coelho e José Sócrates nos tentam enganar a todos quando fingem discutir na praça pública o que depois acordam e subscrevem nos corredores e gabinetes.

“Olhem para o que dizemos e divergimos, não olhem para o que ambos fazemos aqui em Matosinhos”, poderia bem ser uma frase a dois de Sócrates e Passos Coelho.

in JN de 7 de setembro de 2010