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Podem crer que não é nada normal um Governo marcar uma conferência de Imprensa para comentar uma manifestação sindical. Mas, por mais inacreditável que pareça, foi isso mesmo que fez este Governo e a ministra do trabalho, sábado à tarde, logo depois de terminada a megamanifestação da CGTP que juntou à volta de 300 mil pessoas! O número de pessoas que se deslocou a Lisboa no sábado impressiona qualquer um, mesmo os que já estão calejados nestas andanças. Mas Helena André terá pensado que as declarações feitas antes da manifestação, pelo seu antigo líder João Proença, bastariam para desmobilizar os que sofrem (e podem vir a sofrer ainda mais) com as consequências da injusta e perigosa austeridade que o (novo) Governo Sócrates/Passos Coelho quer impor aos trabalhadores, aos pequenos empresários, aos reformados, aos desempregados, enfim, ao nosso país.

Porém, a impressionante manifestação impediu que Helena André “engalanasse em arco” numa conferência de Imprensa convocada para mostrar o “fracasso de mobilização” sindical e a não obtenção dos objectivos de reunir pelo menos 200 mil pessoas contra as políticas de direita do seu Governo…

Como a mobilização popular frustrou o seu plano inicial, Helena André lá foi obrigada a voltar às teses da chantagem e da inevitabilidade. Confesso a minha indignação face às suas declarações: mesmo descontando o facto de ter sido sempre dirigente da UGT, não consigo perceber como é que uma antiga (e mesmo que remota) sindicalista pode de forma tão vil apostar na divisão dos trabalhadores, como pode apelar a que sindicalistas autênticos não contestem um plano que quer eliminar direitos e empobrecer Portugal, e que acusa os desempregados e os excluídos da responsabilidade pela situação deste país de Ferraris!

Honório Novo

in JN de 31-05-2010