Corre por estes dias a notícia da suspensão da conclusão da Via Estruturante, motivada pelas restrições orçamentais do OE 2010, facto que penaliza as aspirações dos Arouquenses e que, de algum modo, poderá condicionar o futuro de Arouca, isto sem falar dos impactos na radiosa versão de desenvolvimento projectada para 2013 pelos actuais poderes concelhios.

Na campanha eleitoral para as autárquicas 2009, em especial no debate transmitido pela Rádio Regional de Arouca, a CDU teve a oportunidade de afirmar que a conclusão da variante corria sérios riscos de ser suspensa, tendo em conta o facto de se encontrar no pacote A32 e que, num quadro pós-eleitoral, os investimentos públicos seriam repensados. Constatamos agora que a realidade nos deu razão, o que, neste caso concreto, lamentamos, uma vez que se trata, efectivamente, de uma perda para a população do concelho.

Sobre a “previsão” que fizemos na campanha eleitoral, gostávamos ainda de referir que não se tratou de uma invulgar capacidade de prognose da nossa parte; qualquer um dos candidatos, qualquer uma das forças políticas, qualquer cidadão mais atento às questões da política adivinharia este desenlace como o mais provável no futuro próximo.

O candidato do PS, e actual Presidente da Câmara, não merece crítica enquanto obreiro da suspensão, uma vez que não é da sua responsabilidade a decisão. No entanto, merece toda a crítica, na substância e na forma, pela garantia messiânica acerca da conclusão da, pomposamente designada, “mãe de todas as obras”.

Na substância porque, por fins meramente eleitoralistas, anunciou repetidas vezes que era ele, candidato Artur Neves, aquele que garantia de facto a conclusão da variante. Na forma porque o registo – “eu falei com fulano de tal… eu conheço sicrano que me garantiu … sou o único que” – além de cheirar a bafio e lembrar tempos de má memória é completamente irreal, dado o peso do PS/Arouca nos socráticos negócios do Estado português.

A suspensão de alguns negócios do Estado, designadamente as denominadas parcerias público-privadas, no caso os da rede viária, devido à situação orçamental do país, tem num ou noutro caso uma parte positiva – diminui o buraco negro de encargos que as gerações futuras teriam de pagar. Estes negócios são, de facto, óptimos negócios… para os grandes interesses privados, uma vez que praticamente eliminam o risco e garantem retorno garantido, seja à luz do conceito do utilizador-pagador, seja por via do Orçamento de Estado, seja pelos dois modos.

Estes negócios, quando existem, são ruinosos para o Estado e para a Comunidade pelos encargos futuros que acarretam. Quando são suspensos, como neste caso da rede viária, encerram uma tremenda injustiça – são as populações do interior as mais lesadas, umas vez que as ligações secundárias dos pacotes rodoviários, e que são as mais necessárias, acabam por ser engolidas com a suspensão do grande negócio, as leoninas concessões.

Esta flagrante injustiça para com Arouca e os arouquenses justifica que todas as forças políticas se unam e usem todos os meios que tenham ao seu alcance para a combater. Por isso desde já se saúda a moção aprovada pelo executivo camarário. Na próxima semana tomaremos posição e anunciaremos as medidas a encetar.

Francisco Gonçalves

Candidato da CDU nas Autárquicas 2009