Quanto custa a liberalização da PAC? – Miguel Viegas

A natureza capitalista da União Europeia determina que a lógica neoliberal deve prevalecer em todos os domínios da esfera social e económica. Em nome da superior eficiência dos mercados, a Política Agrícola Comum (PAC) foi sendo sucessivamente liberalizada, confiando que o mecanismo de preços iria igualar a oferta à procura sem ser necessário qualquer ajuda externa. Lérias!

O fim das quotas leiteiras exemplifica na perfeição as consequências desta liberalização: afundamento dos preços pagos ao produtor, concentração da produção no centro da Europa à custa da periferia e centenas de milhões de euros gastos pela União Europeia através dos mecanismos de intervenção.

O regime das quotas leiteiras salvaguardava a cada país um nível de produção e impedia simultaneamente um excesso de produção ao nível europeu. O fim das quotas leiteiras em 2015 precipitou uma enorme crise de sobreprodução com afundamento do preço do leite e encerramento de milhares de explorações. Perante as inúmeras manifestações dos produtores, a Comissão Europeia apresentou em Agosto de 2016 um pacote de ajudas de 500 milhões de euros, parte do qual destinado a subsidiar o abandono total ou parcial da produção. Ao mesmo tempo, através do mecanismo de intervenção, teve de comprar e secar a quantidade astronómica de três milhões de toneladas de leite para tentar mitigar o excesso de produção.

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Sobre a palavra estrangeira que veio dar nome a Fundo de Greve – Francisco Gonçalves

“Meu Deus, que Era sábia esta em que do horóscopo à bola é tudo ciência!”
Pensamentos de um pós-moderno fascinado

 

Jerónimo de Sousa interrogado sobre a chamada greve cirúrgica dos enfermeiros e o fundo de greve de subscrição pública criado para o efeito terá demonstrado pouca simpatia por este tipo de fundo e afirmado mesmo que a greve tem um lado de sacrifício para quem a faz. Tal ideia, também sublinhada por outros no espaço público, trouxe, imediatamente, Doutores em Ciência Política e em Ciência Sindical à polémica, defendendo o fundo de greve em causa e vertendo lições de História para cima da mesa – o sindicalismo nasceu assim, isto é um salutar retorno às associações mutualistas de trabalhadores. Postulado feito, postulado lavrado.

Pois, mas eu, sem predicados académicos em Ciência Política e em Ciência Sindical, recorrendo a um livrinho (Da Guerra), escrito em 1832 por um general prussiano de nome Karl Von Clausewitz, e à minha experiência sindical acho que o Jerónimo tem razão.

O tal general prussiano afirmava que a guerra é a continuação da política por meios violentos, portanto, a política será a continuação da guerra por meios não violentos. No mundo laboral os “meios violentos” são a luta laboral, os “meios não violentos” a negociação. O acordo entre partes é a paz laboral. Partes que são duas, o patrão e os trabalhadores, e desiguais, a primeira é mais forte (tem o capital) que a segunda (apenas tem a força de trabalho, que vende).

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Mentira. Manipulação. Insídia

INGREDIENTES DE UMA CAMPANHA SEM ESCRÚPULOS

A operação de difamação contra o PCP assume contornos persecutórios intoleráveis. Para procurar sustentar conclusões previamente definidas não se tem olhado a meios.

Escusado seria invocar aqui o manancial de violações grosseiras de critérios e princípios deontológicos a que os jornalistas estão obrigados. Fiquemos apenas pelo cortejo de MENTIRAS. A densidade e presença da mentira, da mais boçal à mais ornada, não permite esgotar aqui o seu elenco.

  • A CM Loures e as lâmpadas
  • Os funcionários da CM Seixal fazem “turnos” na Festa do «Avante!»
  • Os “pecados” na CM Seixal
  • Os despejos promovidos pelo PCP

Mentem, descaradamente.


A CM LOURES E AS LÂMPADAS

DATA: 17 de Janeiro de 2019
FONTE: TVI, Jornal da 1, Jornal das 8, Deus e o Diabo
AUTORES: Ana Leal, André Ramos

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«11 mil euros por mês» (…) «num dos meses recebeu esse valor, limitando-se a mudar oito lâmpadas e dois casquilho» (TVI , 19h55) ou «Portanto haverá muitos portugueses e muitas empresas, para fazer, como num determinado mês, como nós vimos, mudar 8 lâmpadas e 2 casquilhos, ganhar 11 mil euros. É isto, factualmente, que está em causa». (TVI, Jornal da 1, Ana Leal – 17 de Janeiro)

MENTIRA! O contrato estabelecia, e era cumprido, a verificação, limpeza e manutenção de 438 abrigos de transportes públicos, assim como à renovação dos suportes de publicidade neles inseridos, dispersos pela área do concelho.

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Os sociopatas e os seus seguidores – José Goulão

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Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

John Bolton, Mike Pompeo e Mike Pence, Casa Branca – Junho de 2018

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.

Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.

A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.

Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.

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Manuel Gusmão, «contra todas as evidências» – Manuel Augusto Araújo

Manuel Gusmão recebeu, a 5 de Fevereiro, a Medalha de Mérito Cultural em reconhecimento, pelo Governo português, do «inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à poesia».

O poeta e ensaísta Manuel Gusmão

Em 1990 é publicado um livro, Dois Sóis, A Rosa a arquitectura do mundo, que revela o que se suspeitava mas não se conhecia: Manuel Gusmão-poeta. Publicado quando já tem 45 anos, os poemas, pelas datas indicadas nos cinco «capítulos» do livro, já tinham sido escritos em anos anteriores, de 1969 a 1986. É uma brilhante estrela que descola da constelação da poesia portuguesa para a iluminar exuberantemente e anunciar um poeta singular que imediatamente se coloca entre os maiores poetas portugueses, em particular os nossos contemporâneos.

Manuel Gusmão já era bem conhecido do universo literário não só como professor na Faculdade de Letras, marcando várias gerações, em que se destacou pelo modo com transmitia saberes, conhecimentos e abria novos caminhos na interpretação dos textos, mas também como ensaísta e crítico literário, actividade que tinha iniciado no jornal Crítica, com Eduarda Dionísio, Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra que, nos anos sessenta, rasgaram novas perspectivas de leitura.

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Chove em Caracas – Agostinho Lopes

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Ou o Chile outra vez. É preciso que a memória não seja curta, ou a amnésia selectiva: os que hoje golpeiam ou apoiam o golpe de Estado contra o povo venezuelano são os mesmos que em 1973 apoiaram o golpe fascista de Pinochet no Chile de Allende, de Neruda e da Unidade Popular.

E não julguem alguns que podem ficar oportunisticamente, face ao rolo compressor da onda mediática golpista, sentados em cima da ponte, no dilema Revolução Bolivariana versus Império do Norte. Que é o que significa afirmar não escolher entre Maduro e Trump. Que se lembrem se poderiam não ter optado por Allende. Ou, mais lá para trás, optar pela «neutralidade» da França e Inglaterra no avanço do fascismo contra a República Espanhola. Ou, em dias próximos, dizer como alguns disseram, «Nem Dilma nem Temer, eleições!»

Há diferenças. O imperialismo norte-americano não conseguiu, até hoje, convocar as forças armadas bolivarianas para afogar em sangue e repressão o povo da Venezuela, como fez no Chile. Mas não foi por falta de tentativas, a começar pelo golpe militar contra Chávez de 20021

Mas tudo o resto é um filme bem conhecido, encenado e desenvolvido pela CIA & Cia. E é absolutamente espantosa a credibilidade ou a hipocrisia com que tanta boa gente repete chavões e refrões de letras e músicas do disco rachado de todos os golpes e subversões do imperialismo norte-americano, incluindo na história da América Latina do século XX.

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A União Europeia e as razões acrescidas para o voto na CDU

Intervenção de João Ferreira, Membro do Comité Central e Deputado ao Parlamento Europeu, no Encontro Nacional do PCP «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Soluções para um Portugal com Futuro» – Matosinhos, 2 de Fevereiro de 2019.

Camaradas,

A situação que vivemos no nosso país é profundamente influenciada pela sua inserção na União Europeia e na Zona Euro.

A União Europeia, e particularmente o Euro e as imposições que lhe estão associadas, são um sustentáculo e um impulsionador da política de direita levada à prática nas últimas décadas por PS, PSD e CDS.

Os três convergiram na destruição da produção nacional; no assalto a empresas públicas e a sectores estratégicos da economia, hoje privatizados e nas mãos do capital estrangeiro; no subfinanciamento, degradação e encerramento de serviços públicos; na precariedade laboral; no comprometimento da independência e soberania nacionais.

O euro prendeu Portugal à estagnação e à “austeridade”. Em duas décadas, é este o seu significado: redução e contenção dos salários, perda de poder de compra dos trabalhadores, redução de direitos sociais, pobreza e desigualdades, emigração, desinvestimento, degradação do aparelho produtivo, endividamento.

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Não aprenderam? – Henrique Custódio

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Enquanto os EUA já promovem golpes de Estado a céu aberto, como está a ocorrer na Venezuela e com cinco dos senhores da UE a reboque de Trump, vemos também o ministro dos NE português, Augusto Santos Silva, a comungar, glorioso, com «o ultimato» que «a União Europeia» fez ao Presidente Nicolas Maduro para «abandonar o poder», esquecendo-se que Portugal só conhece ultimatos pelo que sofreu da sua aliada Inglaterra e que os poderosos da UE (Alemanha, França, Itália, Reino Unido) não constituem os 28 países que a integram, por muito que os tais poderosos gostem de o afirmar, a par do Governo de António Costa, com o belicoso Santos Silva à frente, alinhando no papel de apaniguado diligente, embora insignificante.

Estamos perante uma tentativa de golpe comandada de fora, como dizia Jorge Cadima a semana passada, aqui no Avante!. Desde a eleição de Chavez em 1998, que o problema não é Chavez ou Maduro nem uma suposta «ditadura», «o problema é que o imperialismo não suporta países soberanos». Nestes 20 anos de República Bolivariana a oposição só ganhou duas, das 25 eleições realizadas sob escrutínio internacional. Maduro foi reeleito há nove meses, em eleições não só escrutinadas internacionalmente, como feitas em concordância com a oposição. De repente, os EUA decidem promover um desconhecido que ganhara as eleições da Assembleia Nacional, instigam-no a autoproclamar-se – inconstitucionalmente, frise-se – «presidente» da Venezuela e está o golpe em marcha, com os mandantes da UE a darem «oito dias» ao Presidente Maduro, eleito constitucionalmente, para se demitir e convocar eleições e com Santos Silva, ministro dos NE português, a não querer esperar tanto e a dizer que «tem de se ir embora»…

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Sobre a requisição civil decretada pelo Governo no sector de enfermagem

A pedido de vários órgãos de comunicação social:

Os enfermeiros estão sujeitos a um enorme desgaste e tendo sido reposta uma parte dos direitos cortados por sucessivos governos, em particular pelo Governo PSD/CDS, persistem problemas, no reconhecimento das progressões e valorização das carreiras e na falta de profissionais, a que o Governo deve dar resposta efectiva.

O PCP foi e é solidário com a luta dos enfermeiros em torno destas reivindicações que valorizam a sua actividade indispensável à defesa e valorização do Serviço Nacional de Saúde.

Ao mesmo tempo o PCP manifestou e manifesta a sua preocupação com a acção em curso que invocando o direito à greve incide sobre as cirurgias em alguns hospitais de forma bastante prolongada e que afecta brutalmente os utentes. O compreensível descontentamento e as reivindicações dos enfermeiros têm sido usados para pôr em causa o SNS e facilitar os lucros dos grupos privados da saúde. Alguns enfermeiros, estão a ser usados e pagos, com centenas de milhar de euros, cuja origem pode estar em grupos privados da saúde beneficiários directos da transferência das operações cirúrgicas. Esta acção afecta o respeito que os profissionais de enfermagem merecem da população, ataca o Serviço Nacional de Saúde e contribui para dar argumentos contra o direito à greve e para o uso da requisição civil.

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Duplicidade e hipocrisia – Manuel Loff

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A opção tomada pelo nosso Governo na Venezuela é errada e é totalmente incoerente.

Parece 2003 outra vez. EUA, Grã-Bretanha e Espanha ateavam a propaganda contra Saddam Hussein, descrevendo-o como o Hitler do séc. XXI, depois de o terem achado bom aliado contra o Irão. Na era das “intervenções humanitárias”, Bush pai explicava que não, não era pelo petróleo que os EUA queriam intervir no Iraque; era mesmo para salvar os curdos e os xiitas e destruir o arsenal de armas de destruição maciça que o Iraque teria na sua posse. O verdadeiro arsenal foi o de mentiras grosseiras que, lembremo-nos, também então se apresentaram como “verdades incómodas” para a França, a Rússia, a China, os pacifistas cobardes e a esquerda global, portadores todos de um incurável antiamericanismo preconceituoso, que “apoiavam” monstros como Saddam. O que fez o Governo português de então? Durão Barroso pôs-se em bicos de pés e, qual miúdo que se cola aos mauzões do recreio, afirmou-se do lado dos “aliados tradicionais de Portugal”, desprezando Direito Internacional, multilateralismo, ONU. Foi o que se viu. E ainda vê. Agora, Costa e Santos Silva decidiram copiar Durão/2003 e juntar-se a um ultimato ao governo da Venezuela que só pode piorar tudo e que decididamente arrisca uma de duas situações más, e uma pior que a outra: ou a intervenção militar estrangeira não autorizada pela ONU, ou a guerra civil.

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Avançar é possível! É possível levar a luta mais longe, dando mais força à CDU! – Jerónimo de Sousa

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, no Encontro Nacional do PCP «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Soluções para um Portugal com Futuro» – Matosinhos, 2 de Fevereiro de 2019

Estamos a encerrar os trabalhos do nosso Encontro Nacional. Uma produtiva e importante realização do nosso Partido de reflexão, debate, mas também de reafirmação de um amadurecido património há muito consolidado de análise e soluções para um Portugal com futuro.

Por esta tribuna estiveram presentes os reais problemas com que os portugueses e o País se confrontam, as causas internas e externas que bloqueiam o seu desenvolvimento. As causas do continuado declínio a que o País foi conduzido pela política de direita, dos persistentes atrasos acumulados em sectores chave por décadas dessa política de desastre nacional protagonizada por PS, PSD e CDS que fragilizaram e debilitaram o País e nele deixaram marcas negativas profundas que estão por superar.

Aqui e na confluência das análises aos principais sectores da vida nacional, inseparáveis da Conferência Nacional que recentemente realizámos e os aprofundou, se demonstrou que está por concretizar a política de que Portugal precisa para fazer face à dimensão e gravidade dos seus problemas e se comprovou que há no País soluções que exigem uma mudança de fundo na orientação política no governo, uma política alternativa coerente, em integral ruptura com a política e soluções do passado.

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Senhora Escadaria – Álvaro Couto

Monumental Escadaria da Granja, Arouca – 02/2019

Senhora Escadaria, onde param tuas escadas?
Quantas são para cima?
Quantos passos são para baixo?

Esqueçamos os que sabem,
ao encostarem as pernas cansadas,
à capela que lá em cima se arrima.

Recordemos apenas os infelizes,
que nunca conhecerão essas pedras,
cheias de segredos, raios e raízes.

Não há nada melhor que uma escadaria,
para conhecermos a razão de ser e não ser,
quando levados somos, acima e abaixo, com engenharias.

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PCP condena o «reconhecimento» pelo Governo português do auto-proclamado «presidente interino» da Venezuela nomeado pela Administração Trump

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Avenida Bolívar em Caracas – foto: Aporrea-Agencias – 03/02/2019

O PCP condena o «reconhecimento» e apoio anunciado pelo Governo do PS, com o apoio do PSD e CDS, ao «presidente» fantoche nomeado pela Administração Trump para a Venezuela, que contou com o apoio imediato de Bolsonaro, numa intolerável afronta à soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela, ao povo venezuelano, à Carta das Nações Unidas e ao Direito Internacional.

Desrespeitando a Constituição da República Portuguesa e ao arrepio dos interesses do País e do povo português, o Governo PS opta pelo apoio aberto à operação golpista contra a Venezuela, tornando-se assim co-responsável pela actual escalada de agressão levada a cabo pelos EUA, apoiada pela UE, e pelas suas graves e perigosas consequências para o povo venezuelano e a comunidade portuguesa que vive naquele país.

O PCP considera de extraordinária gravidade tal posição de seguidismo com a acção de ingerência contra a Venezuela, alinhada com os sectores mais agressivos, golpistas e reaccionários, responsáveis por outras agressões, como contra o Iraque, a Líbia ou a Síria.

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Defesa da Escola Pública, Conquistas e Reforço Eleitoral – Francisco Gonçalves

Intervenção de Francisco Gonçalves, Membro da Direcção da Organização Regional de Aveiro (DORAV), no Encontro Nacional do PCP «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Soluções para um Portugal com Futuro» – Matosinhos, 2 de Fevereiro de 2019

Camaradas e amigos,

É sobre a defesa da Escola Pública, conquistas e reforço eleitoral que venho falar.

O ser humano aprende, do nascimento até  à morte,  e aprende nos mais diversos contextos. A questão é o que aprende e para quê. Para nós Educação é a formação integral do indivíduo, o desenvolvimento de todas as suas qualidades potenciais do ponto de vista físico, intelectual, moral e artístico, para uma intervenção activa e consciente na sociedade, visando  a sua transformação. Qualquer que seja o nível de Educação e  Ensino, o fito é sempre o mesmo, elevar a cultura integral de cada um. Uma Educação para todos, não uma Educação de primeira para elites e de segunda para  filhos de trabalhadores, ao sabor dos interesses do Mercado.

O instrumento que pode garantir o carácter integral e a democraticidade da Educação é a Escola Pública. Uma Escola Pública com recursos suficientes para cada um ter o apoio que necessita, para depois o levar, com disciplina e trabalho, ao pleno das suas capacidades.

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Trumpistas – Jorge Cadima

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Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são ‘oito dias’. O Governo PS, pela voz do MNE Santos Silva, não quer esperar tanto: o Presidente eleito e constitucional da Venezuela «tem de se ir embora». Não ficou saciado com a Líbia, Ucrânia, Síria, Iraque. O BE diz que «tem estado em contacto» com o Governo, cuja posição «é sensata». O PS diz que «este é o momento para responder à manifestação da vontade clara dos venezuelanos». Mas alguém pode negar que o momento foi escolhido por Trump? Até o Wall Street Journal (25.1.19) confessa: «O plano secreto do Governo Trump para dar apoio ao chefe da oposição Juan Guaidó foi previamente concebido e coordenado de forma estreita» durante várias semanas. A luz verde chegou na véspera da auto-proclamação do homem que o povo venezuelano não elegeu, através dum telefonema do Vice-Presidente Pence. «Vontade clara do povo da Venezuela»? Não: vontade clara do imperialismo esmagar um país e povo independentes e lançar mãos das maiores reservas petrolíferas comprovadas (24,9% do total mundial, segundo o Boletim Estatístico da OPEP, 2018), maiores que as da Arábia Saudita. Já começou o saque dos bens da Venezuela no estrangeiro.

Estamos perante uma tentativa de golpe, comandada de fora. Mais uma. É assim desde a eleição de Chávez em 1998. O problema não é ‘Maduro’, nem uma suposta ‘ditadura’. O problema é que o imperialismo não tolera países soberanos. A Arábia Saudita pode até esquartejar impunemente nos seus consulados, porque é um vassalo. Alguém acredita que Trump, Bolsonaro, Macrí ou Macron se preocupam com a democracia ou os povos?

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Cuidado com esta sigla: «NPL» – Miguel Viegas

O crédito malparado, pomposamente intitulado de «exposições de mau desempenho» ou «non-performing loans» (NPL) resulta da combinação entre a financeirização da economia, a irresponsabilidade dos bancos na concessão de crédito e a recessão económica.

Mais de uma década após a eclosão da crise financeira de 2008, os balanços dos bancos continuam cheios destes«produtos tóxicos», ou seja, de empréstimos vencidos com fraca possibilidade de serem reembolsados. Sempre muito preocupada com a «saúde sistema financeiro», a União Europeia pretende obrigar os bancos a vender ao desbarato estes créditos. Neste momento, uma parte significativa deste crédito malparado já está nas mãos de fundos de investimento especializados na recuperação de créditos que não deixarão, no curto prazo, de cair em cima daqueles que, por infelicidade, deixaram de ter condições para poder pagar as suas dívidas. Não é por acaso que estes fundos são apelidados de «fundos abutres».

Na terminologia da União Europeia, o crédito é considerado malparado (ou NPL) quando o incumprimento ultrapassa os 90 dias. O crédito malparado aumenta com as crises económicas e pode mesmo explodir quando temos um sistema bancário concorrencial que não hesita em correr riscos acima do razoável para ganhar mercado. Em Portugal, as políticas do pacto de agressão provocaram uma recessão sem paralelo na nossa história recente, seja pela sua amplitude, seja pela sua duração. Milhares de trabalhadores perderam os seus empregos. Milhares de empresas faliram. Não é por acaso que os países intervencionados pela troika são aqueles que apresentam maiores níveis de crédito malparado. Em Portugal, estes NPL representam cerca de 12% do activos dos bancos, qualquer coisa como 30 mil milhões de euros.

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Venezuela: O que eles esquecem – Romain Migus

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O presidente francês, Emmanuel Macron, ordena a Nicolas Maduro que não reprima a oposição, MAS ESQUECE as 3 300 prisões e os 2 000 feridos ligados à repressão do movimento dos coletes amarelos.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sanchez, dá oito dias a Nicolas Maduro para organizar eleições, MAS ESQUECE que não está no seu posto senão graças a uma moção de censura e não por eleições livres.

Portugal deplora a crise venezuelana que, segundo a ONU, empurrou 7,2% dos venezuelanos para os caminhos da emigração, MAS ESQUECE que 21% dos portugueses tiveram de abandonar seu país e vivem no estrangeiro, segundo as mesmas fontes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa Nicolas Maduro de não ser legítimo porque o presidente venezuelano foi eleito senão por 30,45% dos inscritos, MAS ESQUECE que apenas 27,20% dos eleitores estado-unidenses o escolheram.

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Uuuuuuuh, que aí vem o mesmo medo, com os mesmos de sempre! – Álvaro Couto

Não bato no peito por ninguém, até prova em contrário.
Assim não venho, aqui, chorar nenhuma condição,
nem venho acudir a pessoas, vivas ou mortas, em premeditada oração.
Venho, apenas, em nome de gente e de um mundo sem véus,
lembrar-te, a ti e a mim, irmão,
que não nos devemos deixar cair em contramão,
sobretudo quando estão em causa vidas, pátrias, revoluções, 
pois sendo nós portugueses, tu e eu, nascidos em cagaréus,
martirizados pelas pampas e cicatrizados pelo vento,
experimentados estamos pelo sofrimento.

É sabido que, ao longo dos séculos, 
não encontrámos dentro dos muros da pátria, 
próximo de nossa casa e de seus quintais,
como por trás do rio de ramagem verde,
como por dentro de quadrados ou de rectângulos, 
como por debaixo de fados e de espigas,
sítio onde, como fogo,
gota de sangue ardesse.

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PCP questiona 1ºMinistro sobre os CTT, o atraso dos aumentos do abono de família e o Bairro da Jamaica

Sr. Primeiro-Ministro,

Ao longo dos anos tem-se comprovado que as privatizações são negócios ruinosos para o povo e o país e simultaneamente campo aberto para a corrupção por via dos negócios milionários em que os grupos económicos se apropriam de importantes empresas públicas e sectores estratégicos.

A privatização dos CTT feita por PSD e CDS é um exemplo flagrante dessa realidade.

Com excepção dos accionistas privados, que estão satisfeitíssimos, o resto do País está de acordo: a privatização é um desastre, o serviço postal está a degradar-se.

Encerraram 75 estações em 2018, deixando 33 concelhos sem qualquer Estação de Correios. A própria ANACOM alertou que rapidamente serão 48 os municípios sem Estação de Correios, recordando que se degrada o serviço quando se substituem Estações por postos.

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Manigâncias da UE… – Pedro Guerreiro

São impressionantes a histérica campanha e o conjunto de manobras, de «voltas» e «reviravoltas», de pressões, de chantagens, de aceno e ameaça com o «caos» e o «desastre», que a União Europeia, os grandes interesses económicos e financeiros e o coro de arautos do processo de integração capitalista europeu protagonizam para condicionar negativamente – e, se possível, reverter – a decisão soberana do povo britânico de saída do Reino Unido da União Europeia, expressa em referendo a 23 de Junho de 2016.

Ao longo de mais de dois anos, conspirando cinicamente, a União Europeia e os seus cúmplices tudo procuraram fazer para a construção de um autêntico «labirinto» negocial que contribuísse para a criação da ideia de um dito «impasse», com o objectivo de dificultar a natural concretização da saída do Reino Unido da UE, como estabelecido, no próximo dia 29 de Março.

A UE é useira e vezeira neste inaceitável comportamento de desrespeito da vontade soberana dos povos quando estes lhe travam o passo. Recordemos os referendos aos tratados realizados na Dinamarca e na Irlanda, repetidos quantas vezes quanto o necessário até o resultado ser o pretendido pela trupe da UE. Recordemos os referendos à dita «constituição europeia» em França e na Holanda, ardilosamente desrespeitados pela imposição do Tratado de Lisboa. Recordemos o desprezo pelo resultado do referendo realizado na Grécia que rejeitou a chantagem e o ultimato da UE.

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PCP condena a nova operação golpista contra a Venezuela

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O PCP condena com veemência a nova operação golpista orquestrada e comandada pelos EUA contra a Venezuela e o povo venezuelano que, através da insólita «auto-proclamação» de um presidente fantoche, dito «presidente interino» – promovido por Trump e logo apoiado por Bolsonaro e outros – afrontando a ordem constitucional deste País, procura colocar em causa o legítimo Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, eleito pelo voto popular.

Operação golpista que se insere na sistemática acção de desestabilização, tentativas de golpes de Estado, boicotes, terrorismo, especulação e açambarcamento, sanções, bloqueio económico, financeiro, político e diplomático, e mesmo a ameaça de intervenção militar por parte dos EUA – que estão na base dos problemas da economia da Venezuela e das dificuldades que o seu povo enfrenta.

O PCP considera da maior gravidade a posição do Governo português que, ao arrepio dos interesses próprios do nosso País e da comunidade portuguesa, optou por uma atitude de seguidismo da União Europeia e dos círculos mais reaccionários alinhados com a inaceitável operação de desestabilização e subversão contra a Venezuela.

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PCP repudia operação caluniosa da TVI

O PCP reagiu a uma abjecta peça de anticomunismo, sustentada na mentira, calúnia e difamação, com base em critérios editoriais que a TVI parece ter adoptado de opção pela especulação e insulto gratuito e promoção da extrema-direita.

No dia 17, a TVI abriu o seu Jornal das 8 com uma peça envolvendo o PCP e o seu Secretário-geral, insinuando uma relação menos clara entre a Câmara Municipal de Loures e um familiar de Jerónimo de Sousa. Nesse mesmo dia, através do seu Gabinete de Imprensa, o Partido reagiu, repudiando o que considera ser uma «abjecta peça de anticomunismo sustentada na mentira, na calúnia e na difamação», que mostra «até que ponto pode chegar a mercenarização do papel jornalístico».

Evidentes ficaram os critérios editoriais da TVI, precisamente a mesma estação que ainda há poucos dias deu voz a um conhecido elemento da extrema-direita neonazi condenado por vários crimes (incluindo de sangue) motivados pelo racismo.

Contrastando com a normalização e suavização do fascismo, contra o PCP e o seu Secretário-geral a estação optou por uma «gratuita provocação», apresentando factos de forma truncada e retirando deles conclusões – ou pior, insinuações – abusivas. As declarações prestadas por Jerónimo de Sousa e Bernardino Soares (presidente da CM de Loures) foram cirurgicamente cortadas de modo a servirem o guião pré-definido.

Daí o Partido, na sua nota, denunciar o «nível rasteiro do ponto de vista deontológico» atingido pela referida reportagem.

Vamos, então, aos factos: a Câmara Municipal de Loures celebrou, nos últimos anos, contratos por ajuste directo e consulta prévia para tarefas como a manutenção e reparação de abrigos de paragem e a colocação de publicidade institucional; uma das entidades contratadas é a empresa de Jorge Bernardino; este empresário em nome individual é casado com a filha de Jerónimo de Sousa.

Tudo o resto são mentiras, insinuações e mistificações.

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Ai, França, França – Francisco Gonçalves

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“Como a desilusão é filha da ilusão,
Não te iludas se não te queres desiludir”

Mandamentos da descrença

Emmanuel Macron

Sendo certo ser a ilha, a dos anglo-saxões, que está na ordem do dia, é da França, mais uma vez, que sopra o vento do que aí vem, em boa verdade do que já aí está – a cidade do consumo e o cidadão-consumidor. No caso da ilha, vale a ideia do Medeiros Ferreira, no seu derradeiro livro, a “Construção Europeia” mais não é do que uma sucessão de tratados comerciais, assentes na correlação de forças das potências num dado momento. Por isso, mais tarde ou mais cedo, um qualquer acordo comercial será celebrado.

Mas é sobre o cidadão e a cidade do século XXI que se pretende, aqui, deixar um breve registo. Estava o milénio a virar (1998), quando Michel Houllebecq, ainda sem a fama de Bête Noire das letras francesas, nos apresentou, em “As Partículas Elementares”, o francês do século XXI, em bom rigor o humano produzido pela sociedade de consumo do “mundo livre”. Um “Homem novo” – individualista, consumista e tolo – que vemos hoje em França … e no resto do mundo.

Dos vários actores gauleses interessa particularmente a personagem do Presidente-Partido, melhor dizendo a imagem que dele cá chega, até porque da política francesa concreta escapam-me muitos detalhes. Uma imagem de “novo político”, de “nova forma de fazer política” que encanta lá e cá – belo, jovem, moderno, apolítico, livre dos aparelhos partidários (logo incorruptível, só há corruptos nos partidos). Tantas qualidades num homem só!

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Ministro da Educação nega fecho de escolas em Arouca

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Em audição realizada na Assembleia da República, no passado dia 15 de Janeiro, e em resposta à deputada Ângela Moreira do PCP, Tiago Brandão Rodrigues afirmou não estar previsto pelos serviços do Ministério da Educação o encerramento de qualquer escola no concelho de Arouca.

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