Marx e a luta revolucionária – Albano Nunes

Em duzentos anos o mundo conheceu gigantescas mudanças.

Marx não antecipou, não podia antecipar e deliberadamente não quis antecipar – considerando tal pretensão especulação idealista contrária à essência do materialismo dialéctico e histórico – como seria o mundo futuro 1. O que fez foi desvendar as contradições e as forças sociais motrizes do movimento da sociedade, demonstrando que tal movimento, historicamente irreversível, se faz no sentidoda libertação da Humanidade de todas as formas de exploração e opressão, no sentido da sociedade comunista em que «o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos» 2.

Sublinhou simultaneamente o carácter intrinsecamente antidogmático da nova concepção do mundo que, precisamente porque é científica, está aberta a necessários desenvolvimentos e enriquecimentos em função dos novos fenómenos, experiências e conhecimentos 3. Correspondendo à evolução do capitalismo para a sua fase imperialista e à época histórica da passagem do capitalismo ao socialismo, a contribuição de Lénine para o enriquecimento do marxismo foi tão marcante que o seu nome ficou associado ao de Marx na expressão marxismo-leninismo, expressão vilipendiada por aqueles que se vêem forçados a admitir muita coisa de Marx mas recusam sempre fazê-lo quando se trata da sua essência revolucionária, ou seja, a conquista do poder pelo proletariado que, horror dos horrores, teve na Revolução de Outubro a sua primeira realização vitoriosa. É precisamente devido à sua natureza antidogmática que a obra de Marx, a começar pelo Manifesto do Partido Comunista e pelo O Capital, não envelheceu. Pelo contrário, com o tempo agigantou-se na sua dimensão histórica e na perenidade dos seus princípios e conceitos fundamentais.

Não que deva procurar-se na obra de Marx (como aliás na de qualquer outro grande teórico e revolucionário marxista) resposta pronta para os problemas da actualidade, como é característico do verbalismo dogmático esquerdista. Marx seria o primeiro a condenar tal pretensão, tão inconsequente quanto preguiçosa 4. Mas as traves-mestras do pensamento de Marx e os grandes princípios por ele formulados são suficientemente fecundos para continuar a guiar a acção revolucionária nos nossos dias.

A verdade é que comemoramos o II Centenário do Nascimento de Karl Marx numa situação internacional extraordinariamente complexa, caracterizada por uma violenta ofensiva do imperialismo para recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia mundial, em que o fugaz e o fragmentário da «espuma dos dias» se impõe contra toda e qualquer contextualização racional, ocultando as contradições de classe e as tendências de fundo do desenvolvimento social.

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«É preciso fazer escolhas que sirvam os trabalhadores, o povo e o País e isso exige romper com os constrangimentos que o inviabilizam»

Intervenção de Jerónimo de Sousa no “Debate sobre o Estado da Nação”
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Senhor Presidente,
Senhor Primeiro-ministro,
Senhores membros do governo,
Senhoras e senhores deputados,

O estado da Nação é o estado de um País em que há avanços mas que precisa de outra política para garantir o seu futuro.

Foi travada a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo que estava em curso com a política dos PEC e do Pacto de Agressão da troika e foram tomadas medidas de defesa, reposição e conquista de direitos e de resposta a alguns dos problemas mais imediatos dos trabalhadores e do povo mas as opções feitas pelo actual Governo PS em questões centrais da acção governativa não inverteram o rumo de declínio nacional e submissão aos interesses do capital e às imposições da União Europeia.

As medidas positivas para os trabalhadores e o povo tomadas nos últimos dois anos e meio não apagam os problemas acumulados em mais de quatro décadas de política de direita mas dão a noção clara do caminho que há a fazer: prosseguir a defesa, reposição e conquista de direitos, levar mais longe a resposta aos problemas dos trabalhadores e do povo, concretizar uma verdadeira política alternativa, patriótica e de esquerda, que responda aos problemas estruturais do País e assegure o seu desenvolvimento soberano.

O PCP tem tido um papel decisivo nas conquistas alcançadas nesta nova fase da vida política nacional e mantém a sua determinação de continuar a lutar por todos os avanços que seja possível alcançar no quadro da luta pela política alternativa, patriótica e de esquerda.

Luta necessária face à situação do País.

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Requalificação do IP3, evolução nas carreiras, privatização da EDP – José Alberto Lourenço

Não há nem pode haver dinheiro para tudo, mas há sempre dinheiro para satisfazer os interesses de alguns e falta sempre dinheiro para satisfazer as necessidades e as justas reivindicações de muitos.

No início da passada semana, o Senhor Primeiro Ministro, a propósito do lançamento do concurso para a empreitada de reabilitação do primeiro de três troços da obra de requalificação integral do IP3, obra que se estima ir custar na sua totalidade aos cofres do Estado 134 milhões de euros, afirmou que «quando estamos a decidir fazer esta obra, estamos a decidir não fazer evoluções nas carreiras ou vencimentos».

Esta frase lamentável a todos os títulos, porque confunde despesas com pessoal na administração pública com investimento público, porque procura confrontar as justas reivindicações dos funcionários públicos com os anseios das populações da região, que ao longo das últimas décadas assistiram e sofreram com milhares de acidentes, muitos deles mortais, no IP3, é o exemplo mais acabado da falta de argumentos deste Governo perante a luta dos funcionários públicos e em particular dos professores na reposição dos seus direitos salariais, os quais estão congelados desde a década passada.

Mas a frase não é ingénua, porque, na verdade, os recursos do Estado não são ilimitados e são sempre as opções políticas dos Governos que ditam o destino desses recursos, levou-me a consumir algum tempo para mostrar como este Estado, nas mãos deste e outros Governos que o antecederam, tem deliberadamente esquecido a defesa dos interesses públicos em detrimento dos interesses dos grandes grupos económicos privados, nacionais e estrangeiros. E assim os recursos públicos, que não são ilimitados, são cada vez mais escassos e insuficientes para que o Estado cumpra com as suas responsabilidades perante os funcionários públicos e perante os cidadãos.

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Os enfermeiros, esses privilegiados – Francisco Gonçalves

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“Certa vez, numa rede social das antigas, quatro amigos à conversa, uma mesa e uma garrafa de vinho, discutiam-se as obrigações eremitas de um socialista e um deles contava: estava Balzac saboreando faustoso jantar, quando se aproximou um indignado burguês e o questionou – então o senhor passa a vida a criticar o nosso modo de vida e está aqui neste deleite? Retorque Balzac: E vocês acham que as coisas boas da vida são só para os idiotas?”

Saberes e Sabores da Casa Ermelinda Freitas, DOC

 

Uma das últimas matérias, segundo constou, que pôs em brasa as redes sociais, foi uma foto do meu camarada António Filipe numa sala de espera de um hospital privado. Que moralidade esta, a de um comunista utilizar um hospital privado e defender a Saúde é um direito e não um negócio!, postaram prontamente vários livres pensadores da mui dinâmica Sociedade Civil.

Imediatamente, num jornal dito de referência, uma voz autorizada explicou que, discordando da publicação da foto e aceitando o direito de António Filipe ir a um hospital privado, é o preço que os comunistas pagam por serem ideologicamente retrógrados e defenderem as 35 horas de trabalho semanal para os enfermeiros, razão da destruição do Sistema Nacional de Saúde. Pronto, está encontrada a tese que interessa (as 35 horas), o seu responsável político (o PCP e a actual solução política) e o veículo que pôs a ideia feita a circular (as redes sociais).

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Sobre a Cimeira belicista da NATO e a necessidade da luta pela paz

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A Cimeira da NATO, pelos objectivos que estão colocados, representa um passo mais na acrescida ameaça à paz no mundo.

Entre outros gravosos aspectos, a NATO impulsiona a sua capacidade belicista; incrementa significativamente as despesas militares e a corrida aos armamentos; promove a militarização da União Europeia; reforça a presença das suas tropas, incluindo dos Estados Unidos da América, no Leste da Europa, dirigida às fronteiras da Federação Russa; persiste no seu incessante alargamento – particularmente nos Balcãs, quase 20 anos passados da sua guerra de agressão contra a Jugoslávia.

Apesar de desacordos evidenciados, a NATO – cujos 29 países membros, no seu conjunto, já gastam mais em despesas militares do que a soma dos restantes 164 países no mundo – decidiu aumentar em mais 266 mil milhões de dólares a sua política armamentista e intervencionista.

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Vamos continuar a pagar a crise da zona euro? – António Abreu

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1. A Cimeira Europeia de 28 e 29 do mês passado, praticamente esgotou na importante questão das migrações as atenções mediáticas. Mas quanto às «tensas» negociações sobre estas, o que é que as resoluções do Conselho relativas à imigração revelam dia após dia, depois de 28 e 29 de Junho? Revelam que a extrema-direita ganhou, em termos formais, em todos os tabuleiros. E que as «conclusões» da cimeira, tendo uma orientação e uma ideologia definidas, ainda não viram a sua concretização. Mas também revelam o plano de cedências à extrema-direita que já tinha sido definido no encontro Macron-Merkel em Meseberg.

2. O que está a ser decidido no plano da União Bancária, e não só, vai ter impacto muito negativo não só em Portugal mas também nos outros países que mais têm sofrido com o euro. Talvez por isso o esmagamento mediático deste Conselho Europeu com a questão das migrações tenha remetido para uma penumbra, pouco apelativa ao debate e escrutínio público, dessas outras questões.

A intenção evidente das medidas tomadas ou a tomar no Conselho de Dezembro deste ano parece seguir a palavra de ordem «Daqui ninguém sai!». Essa dificuldade de decidir sobre a manutenção ou não na zona euro passará a ser acrescida com o aumento dos custos de uma reestruturação da dívida pública soberana, e da saída do euro por parte de um ou mais países-membros. Com o resultado evidente de dificultar ainda mais a saída de países da zona euro.

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«O universal é todo o lugar sem paredes» – Álvaro Couto

A casa, onde se reúne o núcleo duro dos meus camaradas,
é como uma célula gigante . . . com o mundo inteiro lá dentro:
No andar de cima, na porta à direita, vive o jovem homossexual
que toma conta dos gatos e da mãe, longa viúva, que sofre de insónia delirante,
e no número ao lado, vive uma jovem amorosa que está grávida só há cinco horas,
e que, por isso, está proibida de passar para lá do jardim das traseiras,
o qual é frequentado apenas pelos gatos roucos que a olham em trevas,
ao contrário dos animais selvagens do jardim zoológico em frente,
que fornicam directamente como um colar de palpitantes ostras sexuais,
mesmo diante de outros animais propriamente dito racionais,
já que que obedecem a todas as ordens escritas nas tabuletas do zoo.

A radiante manhã acorda os meus camaradas do sono e dos sonhos,
apenas feitos, por agora, em altos e baixos, magros e gordos, novos e velhos,
e é só ao nível do rés do chão que o dia se abre mais dialéctico:
o modesto iraniano do Kebab, depois de muito tempo do tédio semanal,
a ver só telenovelas brasileiras dobradas em árabe,
finalmente seduziu a vizinha do 3º esq.,
e marca presença, agora, em todos os salões de baile da cidade,
onde ele, príncipe apaixonado, acaricia as pernas de macia penugem da dama,
com as mãos húmidas e ardentes, que cheiram a gordura de borrego;
o cangalheiro da agência funerária, que anda com o seu negócio pelas horas da morte, anuncia na vitrina: “Funerais a preços de saldo! Aproveite e encomende já o seu!”, por entre cristos pregados na cruz e imagens de santas virgens,
e há, ainda, a loja que virou em igreja de uma seita evangélica
e que recebe fiéis que se abraçam uns aos outros e que se masturbam,
e, igualmente, o alfarrabista que vende livros baratos, mais ou menos famosos,
mas como sempre famosamente fechados,
e há, mais ainda, a rua que é toda uma outra vida feita de calças e de saias,
e de brilhantinas, perfumes e meias de seda,
e de seios femininos que os olhos dos homens chupam como guloseimas,
e de prostitutas e de adúlteros que, entre carícias e beijos, combinam preços
na paragem do autocarro, feito embarcação até aos quartos baratos da pensão.

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Tocata para Quintino

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(ao camarada Quintino)

Luís Quintino – Lisboa, 9 de Junho de 2018

Ao sol da sua pátria
dardejando em comunismos de luz
camarada Quintino encostou seus ossos cansados

há camaradas no seio dos camaradas
cujo espírito é maior que o corpo
compreendamos os que não sabem

há também pátrias no interior da pátria
pequenas terras perdidas como ovar
compreendamos quem nunca as viu

era por aí que amanhecia Quintino
em cada dia tocava esse fim do mundo
que sempre viajava com ele

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As desigualdades na distribuição do rendimento e as funções constitucionais do Estado – Miguel Tiago

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Estamos perante uma utilização crescente de uma grande parte dos instrumentos formais do Estado – a força, a lei, a fiscalidade, a educação e a cultura – ao serviço da classe dominante e da acumulação e domínio monopolista, com o contributo decisivo dos partidos ao serviço desses interesses. A fiscalidade que constitucionalmente se estabelece como ferramenta para uma das incumbências prioritárias do Estado (Art.º 81.º da CRP) é afinal de contas utilizada como uma ferramenta de concentração de riqueza e de privilégio dos grandes grupos económicos em que se concentram os benefícios fiscais. A política fiscal que devia orientar-se para a distribuição da riqueza, directa e indirectamente, está objectivamente ao serviço das grandes empresas e dos que vivem de rendas, lucros e juros que continuam a ser taxados com uma exigência e uma incidência muito inferior aos rendimentos do trabalho. Ao mesmo tempo, a lei e a força são, não raras vezes, utilizadas para diminuir e conter direitos dos trabalhadores e manter a ordem da grande burguesia, quer no conflito laboral, quer no conflito social. A Educação e a Cultura estão igualmente – e o seu subfinanciamento é um mecanismo para a obtenção desse desígnio – a ser gradual e crescentemente colocadas ao serviço da reprodução da cultura da classe dominante, sendo convertidas em câmaras de ressonância da ideologia burguesa e simultaneamente em mercadorias.

Durante o mês de Abril de 2018, milhares de trabalhadores do mundo das artes e da cultura, centenas de estruturas de criação artística, convocados para a luta pela sua estrutura sindical e pelo Manifesto em Defesa da Cultura, saíram às ruas de cidades de norte a sul do país para demonstrar a insuficiência de recursos para garantir a liberdade de criação artística, nos termos da CRP. Além da reivindicação mais programática do movimento dos trabalhadores da cultura e das artes, em defesa da atribuição de 1% do OE para a Cultura, estava no topo das reivindicações o aumento da verba disponível para os apoios às artes, atribuídos por meio de concurso através da DGArtes.

A questão estava na urgência de obtenção de um aumento de fundos, dos 18 milhões previstos para uns reclamados 25 milhões. O Governo minoritário do PS acaba por libertar apenas mais 2,2 milhões, assim permitindo que pelo menos fosse alargado o número de estruturas de criação artística apoiado, mas ficando muito aquém do necessário e do defendido pelo Partido como limiar mínimo do apoio às artes.

Enquanto os trabalhadores das artes, do espectáculo e da cultura ensejavam esta grande luta, o Governo anuncia que injectará quase 800 milhões de euros no Novo Banco, banco resultante da resolução do BES e entretanto já privatizado e entregue a um fundo de investimento que dá pelo nome Lone Star.

A assimetria é gritante. Enquanto o Governo minoritário do PS resistia ao cumprimento das suas obrigações constitucionais perante os agentes culturais e apertava os cordões à bolsa para vir a libertar apenas sob imensa pressão os miseráveis 2 milhões de euros, entregava de mão beijada um valor quatrocentas vezes superior a um banco privado, sem resistência e sem obrigação constitucional.

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«O debate e as propostas que aqui trazemos provam de que lado estamos e que país queremos construir» – Rita Rato

Sr. Presidente, Sr. Deputados,

Temos hoje mais uma oportunidade para decidir que caminho queremos para o país:

O caminho da valorização do trabalho e da defesa do emprego com direitos ou o caminho do agravamento da exploração e da degradação das condições de vida e de trabalho.

O Acordo assinado pelo Governo PS com as Confederações patronais e a UGT mantém intocáveis as normas gravosas da legislação laboral e introduz novos elementos negativos.

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Novas da vida selvagem – Álvaro Couto

Contrariando os alarmantes dados da Fundação Mundial da Vida Selvagem (WWF), segundo os quais 30% dos vertebrados terrestres estão em vias de extinção em virtude dos seus habitats naturais, uma espécie que se encontrava em acelerado declínio tem-se multiplicado exponencialmente nos últimos tempos.

Trata-se dos criacionistas, vertebrados terrestres que não acreditam na evolução e estão convencidos de que resultaram de alguma criação divina. Com o desenvolvimento do seu habitat natural, o obscurantismo, a espécie tem-se desenvolvido por toda a parte, com especial incidência nos Estados Unidos (Casa Branca incluída) e em algumas zonas pantanosas na Europa (Itália, Polónia, Áustria, Holanda, entre outras).

Em Portugal, depois desta espécie ter tomado, temporariamente, de assalto o Sporting e o PSD “habituais habitats naturais para leões e tias respectivamente”, faz agora do governo da nação seu instrumento biológico, o qual já anunciou a substituição da teoria evolucionista dos programas escolares e dos códigos oficiais (Código do Trabalho inclusive), por «não estar provada cientificamente a sua compatibilidade orçamental».

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Comunicado do Comité Central do PCP

O Comité Central do PCP, reunido a 29 e 30 de Junho de 2018, debateu aspectos da situação internacional e na União Europeia, avaliou a situação política, económica e social nacional e os desenvolvimentos da luta de massas, e apontou as linhas de orientação para a intervenção e o reforço do Partido.

I. Intervenção e luta – Por uma Alternativa Patriótica e de Esquerda

Os desenvolvimentos recentes da situação política são marcados pelas contradições inerentes às opções do PS e do seu Governo minoritário, ao serviço do grande capital e de submissão à UE, de que sobressai uma crescente convergência com PSD e CDS para garantir o essencial da política de direita em matérias e áreas nucleares da acção governativa.

Opções que impedem a resolução de muitos dos problemas nacionais e limitam o investimento público e a resposta às preocupações e aspirações dos trabalhadores e das populações.

Esta realidade evidencia a actualidade e urgência da luta pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda e, ao mesmo tempo, confirma a necessidade de não desperdiçar nenhuma oportunidade para levar mais longe a defesa, reposição e conquista de direitos.

O desenvolvimento da luta de massas assume particular importância e significado. Luta que, tendo sido determinante para os avanços conseguidos, constitui o elemento mais significativo para resistir e avançar, e para a ruptura com a política de direita.

A realidade confirma o papel central que o PCP tem desempenhado em todos os avanços conseguidos e torna ainda mais evidente a questão fundamental que se coloca para o futuro – a do reforço do PCP e da sua influência.

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Assembleia Municipal de Arouca – 27/06/2018

Questões colocadas por Francisco Gonçalves no período destinado à intervenção dos munícipes.

Arouca, 27 de Junho de 2018

Muito Boa Tarde,
Senhor Presidente da Assembleia e restante Mesa,
Senhora Presidente da Câmara e Senhores Vereadores;
Senhores Deputados Municipais,

Hoje, trago aqui duas questões.

A primeira está relacionada com a limpeza das faixas laterais à rede viária. 

Apesar do desajustamento da Lei face à realidade, importa saber o que é que a Autarquia fez, em concreto, até hoje, nesta matéria, uma vez que estamos já no Verão.

Não pode esse desajustamento, nem a dimensão da tarefa que Arouca tem pela frente, servir de desculpa para nada fazer. Aliás, mesmo na obra emblemática da autarquia, o Corredor Ecológico, para além do Placard Publicitário pouco mais se vê. 

Senhora Presidente, muito concretamente, o que é que a Autarquia fez até hoje?

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Sobre a contagem do tempo de serviço e o descongelamento da progressão nas carreiras

O PCP reafirma a sua posição de defesa da contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos trabalhadores da Administração Pública, incluindo os professores, para efeitos de descongelamento da progressão nas carreiras, de exigência do cumprimento pelo Governo da Lei do Orçamento do Estado (OE) para 2018 e de recusa de quaisquer iniciativas que dêem ao Governo pretextos para não cumprir com as suas obrigações.

A Lei do OE 2018 estabeleceu que todo o tempo de serviço tem de ser considerado, ficando apenas por discutir entre o Governo e os sindicatos o modo e o prazo em que se processa o pagamento da respectiva valorização remuneratória.

O que se exige, pois, é que o Governo cumpra a Lei e o compromisso assumido com os sindicatos de professores em Novembro de 2017, apresente e discuta com os sindicatos as propostas para a definição do modo e do prazo de pagamento da valorização remuneratória em vez de reabrir a discussão sobre o que está decidido na Lei do OE 2018.

Foi esse o posicionamento que o PCP reiterou na passada sexta-feira, 15 de Junho, no debate com o Governo agendado pelo PCP na Assembleia da República sobre a situação dos professores.

A par da exigência ao Governo do cumprimento da Lei do OE 2018, o PCP recusa quaisquer iniciativas que dêem ao Governo pretextos para não assumir as suas responsabilidades, incluindo a Iniciativa Legislativa de Cidadãos que está em subscrição para discussão na Assembleia da República.

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Em Portugal a sobreexploração dos trabalhadores aumentou em 2018 – Eugénio Rosa

– O custo hora da mão-de-obra em Portugal no 1º trim.2018 diminuiu 1,5% quando comparado com o do 1º trim.2017 
– Nos países da UE aumentou 2,7% no mesmo período 
– A sobreexploração dos trabalhadores em Portugal aumentou em 2018

Numa altura em que a UGT, patrões e governo se uniram na concertação social para impedir qualquer alteração importante do Código de Trabalho que defendesse os trabalhadores — que são a parte mais fraca na relação de trabalho (com a introdução do principio do tratamento mais favorável que até existia antes do 25 de Abril; o fim da caducidade automática dos Contratos Coletivos de Trabalho; a redução da precariedade que cresceu nos últimos anos como mostramos em estudo anterior; o combate à politica de baixos salários praticada pelos patrões, etc) — ográfico que a seguir se apresenta, sobre a evolução do custo hora da mão-de-obra nos países da União Europeia entre 2017 e 2018, divulgado pelo Eurostat no seu comunicado nº 98/2018 de 15-6-2018, chama a atenção para uma realidade grave que é sistematicamente omitida pelo governo e pelas associações patronais.

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Somos do adjectivo ou do substantivo? – Francisco Gonçalves

“O Paiva é o rio mais limpo da Europa”
In Almanaque Um De Abril

Li com agrado a competente entrevista da Presidente da Câmara Municipal de Arouca à revista Sábado, edição nº 732, de 10 a 16 de Maio de 2018. Texto e imagem de forte pendor publicitário, os quais, sem dúvida, promoveram Arouca e os passadiços, os existentes e os vindouros.

Sobre os vindouros, provavelmente a ponte transparente trará ainda mais gente a Arouca, pelo menos enquanto a moda durar. Contudo, uma interrogação fica: esta conversa moderna da valorização do território deve estar centrada no adjectivo ou no substantivo? Isto é, a essência estará na coisa em si ou no seu qualificativo?

É verdade que percorrido o Paiva, mais ainda junto à linha de água, contemplando o majestoso relevo envolvente até o eucaliptal contínuo se desconta e o som do rumorejar das águas faz esquecer que ali, outrora, foi rica a biodiversidade.

A questão, porém, é se a intervenção significativa a fazer não deve estar centrada no ordenamento da floresta, na qualidade da água e no repovoamento do rio. Uma aposta com um problema sério: não é instantânea, publicitariamente não é forte, exige muitos recursos, partirá obrigatoriamente de nichos e avançará lentamente.

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Deputado do PCP no Parlamento Europeu visitou Arouca

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No passado dia 1 de junho Miguel Viegas, deputado eleito pelo PCP ao Parlamento Europeu (PE), esteve em Arouca, mais concretamente no Parque de Sinja, em Rossas. Esta visita, a convite da estrutura local do PCP, realizada no âmbito da atividade parlamentar do PCP no PE, consistiu numa reunião com pescadores e uma deslocação às imediações da ETAR da Ribeira.

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No Parque de Sinja, o parlamentar tomou nota das preocupações dos pescadores, sublinhando a importância do trabalho de associações como a URTIARDA, da qual lhe foi dado nota pelos pescadores presentes, na recuperação da biodiversidade e da ligação das comunidades aos rios, mas também o potencial turístico das atividades piscícolas na diversificação de públicos. Concluiu, referindo o enorme potencial de Arouca nesta matéria e a necessidade das autarquias se sensibilizarem para estas questões, aproveitando, inclusive, os fundos comunitários que podem contemplar intervenções de valorização dos rios.   

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Carlucci e Companhia – Jorge Seabra

Se a preparada resposta à engendrada «intentona da esquerda» de 25 de Novembro tivesse «dado para o torto» com a derrota da direita, haveria uma solução à chilena, com aviões vindos do Norte a bombardearem Lisboa, «a vermelha».

Frank Carlucci e Mário Soares

Voltar ao passado pode parecer fútil num tempo em que se desenrolam importantes lutas pela reposição de direitos do trabalho e já cheio de temas «fracturantes», que um amigo, com humor, diz serem uma questão ortopédica.

Contudo, as memórias podem ajudar a perceber como algumas forças políticas se alinharam em tempos idos, escondendo, debaixo de um manto diáfano de belas frases, objectivos estratégicos ligados aos piores interesses.

Vem isto a propósito do recente falecimento de Frank Carlucci, antigo embaixador americano em Portugal entre 1975 e 78, indo depois ocupar o cargo de Director-adjunto da CIA (78-81).

«Durante o longo tempo em que esteve em Portugal, criou, com o futuro Presidente Mário Soares, uma cumplicidade estratégica essencial», – declarou o Presidente Marcelo, também ele um amigo de Frank Carlucci.

Na realidade, Carlucci esteve só três anos como embaixador em Portugal mas foi, de longe, o mais famoso de todos. E a forma como se fala dele é, agora, muito diferente. 

«Cumplicidade estratégica» entre Carlucci e Mário  Soares?…

Nos anos 70, se alguém o dissesse, corria o sério risco de ser apelidado de mentiroso, radical, sectário comunista! Mesmo o jovem Marcelo, ainda a adaptar-se à mudança por ter vivido sempre «encostado» à ditadura, talvez dissesse que nem conhecia o ianque…

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Sobre as causas e as medidas que se impõem para travar a escalada no preço dos combustíveis

O País conhece os impactos profundamente negativos para a vida dos portugueses e a actividade das micro, pequenas e médias empresas da subida do preço dos combustíveis. Uma realidade marcada por preços estruturalmente altos que conheceu nos últimos meses novos aumentos.

O argumento das petrolíferas é a subida do preço do petróleo. O argumento do PSD e do CDS é, demagogicamente, a questão dos impostos. E o Governo minoritário do PS finge que o problema não existe.

Há razões de fundo para que em Portugal se paguem dos mais altos preços pelos combustíveis da União Europeia: a privatização da GALP por governos PS, PSD, CDS; a liberalização dos preços dos combustíveis por um governo PSD/CDS – com o apoio do PS; a cartelização dos preços pelas petrolíferas, assegurando-lhes vultuosos lucros; a ausência de uma política liberta dos interesses dos monopólios que tenha como objectivo assegurar a soberania e a segurança energética do País.

Na verdade, a disponibilidade, a segurança do aprovisionamento e o preço da energia, neste caso dos combustíveis, constituem variáveis estratégicas incontornáveis para o País. Portugal está, desde a privatização da GALP e da liberalização dos preços, privado de importantes instrumentos de intervenção económica e de defesa da soberania nacional.

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A maior manifestação dos últimos anos – 9 de Junho

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Foram muitas as dezenas de milhar de pessoas que participaram na Manifestação Nacional da CGTP-IN, naquela que foi a maior manifestação dos últimos anos.

A concentração junto à Praça do Campo Pequeno arrancou por volta da 15h30 rumo ao Marquês de Pombal, num desfile que durou mais de duas horas a chegar ao fim e que preencheu a Av. da República e a Av. Fontes Pereira de Melo.

Numa clara demonstração de força e unidade, foi sob o lema “Lutar Pelos Direitos, Valorizar Os Trabalhadores!”, que dezenas de milhar de pessoas vindas de vários pontos do país exigiram, de entre outras reivindicações, o fim da precariedade, o aumento geral dos salários e do salário mínimo nacional para 650 euros e o direito à contratação colectiva com direitos.

Hoje, os trabalhadores saíram à rua e rejeitaram claramente as propostas do Governo, afirmando a necessidade urgente de uma política que valorize o trabalho e os trabalhadores.

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A limpeza e o ordenamento da floresta – Comunicado do PCP Arouca

Arouca, 1 de Junho de 2018

“A monocultura do eucalipto e do pinheiro, em povoamentos contínuos, extremes ou mistos, tornam-na vulnerável aos incêndios propiciam a degradação dos solos, erradicam espécies tradicionais, põem em causa rios e ribeiros e contribuem decisivamente para a diminuição da diversidade vegetal e animal.” in Arouca – Desenvolvimento, Ambiente e Recursos Naturais, II Caderno Temático PCP, 2013

I – Terminou, ontem, o prazo dado pelo Governo para a limpeza dos perímetros florestais das aldeias e das faixas laterais da rede viária. O primeiro grande sublinhado a fazer, em Arouca e no país, é que a realidade não acompanhou a lei, não é possível fazer em meses o que se abandonou em décadas. A alteração do estado da floresta só será possível com tempo, recursos e, principalmente, opções políticas de ruptura com quatro décadas de abandono deliberado da floresta e do mundo rural.

II – A campanha do Governo de limpeza da floresta, – imposta pela calamidade dos incêndios de 2017 e o consequente baque psicológico colectivo – sendo necessária, tanto no plano concreto como pedagógico, e apesar de alguns números ridículos de propaganda por alturas do equinócio primaveril, não pode servir para passar culpas às autarquias e aos pequenos proprietários, caso nos deparemos (com novos episódios climatéricos extremos – altas temperaturas, baixa humidade e ventos moderados a fortes) com uma nova vaga de incêndios.

III – Décadas de definhamento da floresta e do mundo rural, de concentração de recursos e investimentos no litoral e nas maiores cidades, de encerramentos maciço de serviços no interior, de uma política agrícola e florestal de abate e abandono dos campos e de extinção dos serviços do Estado de apoio ao sector primário, não podem, agora, num ápice, ser resolvidas com uma excitante primavera de enxada em punho e moto-roçadeira a tiracolo, nem numa campanha de desbaste cego.

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