Jantar de encerramento do ano – 2018

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A Comissão Concelhia de Arouca do PCP vai realizar, conforme vem sendo hábito, o jantar de encerramento do ano da CDU Arouca.

A iniciativa irá ocorrer a 8 de Dezembro, pelas 20h30, em Santa Eulália, no Café Gilde. O prato, o tradicional cozido à portuguesa. O custo, 12,5 euros.

As inscrições podem ser feitas junto de Tadeu Saavedra – 912111420, e Francisco Gonçalves – 916893711.

 

Aparece… e traz um amigo também!

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Sobre a regularização dos trabalhadores municipais precários – PCP Arouca

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Piscinas Municipais de Arouca

I – Estamos a iniciar o último mês do ano de 2018 e importa saber em que ponto está a regularização da situação dos trabalhadores precários do Estado, no caso concreto de Arouca dos trabalhadores cuja entidade patronal é a Câmara Municipal de Arouca (CMA).

II – A estabilidade laboral e, em particular, o vínculo de cada trabalhador, é um factor indispensável para o desenvolvimento de condições e relações de trabalho que promovam a qualificação e a motivação. Nas autarquias locais tais condições ainda se revestem de maior importância se tivermos em conta as competências do Estado e, em particular, da administração local, em matérias tão amplas como a cultura, a acção social, o desporto, a educação, entre outras áreas. A estas competências, na sua maioria de obrigatoriedade constitucional, acresce a responsabilidade dos eleitos autárquicos na criação de condições para a prestação de um serviço público de qualidade.

III – Considerando o novo quadro político nacional, resultante da actual correlação de forças na Assembleia da República, ainda que estejamos perante avanços muitos limitados ou quase inexistentes em matéria laboral, muitas autarquias têm dado passos significativos no combate à precariedade, dignificando a situação de cada trabalhador e criando condições para que a cada posto de trabalho permanente corresponda um vínculo de trabalho efectivo.

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Decorar Conhecimentos – Francisco Gonçalves

Francisco Gonçalves – Responsável pela Organização Concelhia de Arouca do PCP

Foi com esta expressão que Ferraz da Costa, um conhecido empresário português, caracterizou a Escola portuguesa, uma escola que não responde aos desafios do presente, disse. Por sua vez, os ideólogos da “Autonomia e Flexibilidade Curricular” e da “Educação Inclusiva”, do actual governo, afirmam que a Escola portuguesa é uma “Escola do Século XIX”. A velha direita de mão dada com a nova esquerda. Confuso? Sim! Mas os tempos são de grandes confusões!

Três breves notas sobre a temática, uma económica, outra sociológica e outra pedagógica.

Estão disponíveis 20 000 milhões de euros de Fundos Comunitários para a Formação, foi aprovado um decreto-lei, em 8 de Novembro de 2018, que transfere competências educativas do ministério e das escolas para os municípios (o qual garante 797 milhões de euros para as autarquias – cerca de 500 milhões correspondem à massa salarial dos mais de cinquenta mil trabalhadores não docentes – e 7% do IVA arrecadado no território em alojamento local, turismo, gás e eletricidade…) e estão posicionados no terreno inúmeros players prontos a fornecer apoio, consultadoria e projectos educativos candidatos a Fundos Comunitários. Projectos de sucesso e excelência, como não podia deixar de ser, e que vão exterminar de vez a tal “Escola do Século XIX”, assente no “decorar conhecimentos”. Faço votos para que estes Fundos Comunitários não tenham o mesmo destino dos do primeiro quadro comunitário de apoio, searas imensas que ninguém colheu e jipes, muitos jipes, deambulando por aí.

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Encerramento do OE 2019

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Intervenção de Jerónimo de Sousa na Assembleia da República – 29 de Novembro

Senhor Presidente
Senhores Deputados,
Senhores membros do Governo,

Votamos hoje o último Orçamento do Estado de uma legislatura que permitiu inverter a intensificação de exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e projectavam ampliar.

Não foram só estes dois partidos que foram derrotados. Com eles foi desmentida a ideia de que ao País apenas restava o caminho do empobrecimento dos trabalhadores e do povo. Derrotados também os que convocaram todos os demónios das opções únicas. Os que pressionaram, chantagearam a partir de fora mas também de dentro sobre cada medida de inversão do caminho do empobrecimento. Os que fizeram da intriga, da amalgamação de tudo, para tudo confundir e para que tudo ficasse como antes planeavam.

Aliás, foi ver PSD e CDS no debate deste Orçamento a exercitar a sua demagogia, a propor mundos e fundos que no passado recente negaram na esperança vã de que os mais distraídos se esqueçam do que representam.

Um exercício pouco consistente, até porque em momentos decisivos deste debate PSD e CDS foram a mão protectora do Governo, da sua fixação numa trajectória do défice que voltou a não permitir os níveis de financiamento e de investimento que o País precisa. Quando foi preciso, lá estiveram PSD e CDS a dar o jeito ao Governo.

Defender, repor e conquistar direitos afirmou-se como um factor de crescimento económico e elevação das condições de vida. Limitado e insuficiente, é certo, porque a resposta aos problemas que o País enfrenta não é compatível com os constrangimentos que o governo do PS impõe a partir das suas opções e compromissos com o grande capital, o Euro e a União Europeia.

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Juro! – João Frazão

Juro-vos. Dou-vos a minha palavra de honra. Aconteceu mesmo. Eu estava lá e vi. E como eu, 600 outros.

Ali estivemos, durante um sábado inteiro, na bela sala do Fórum de Setúbal, a debater o País.

E juro-vos que, durante esse período, por aquela tribuna passaram os problemas e as aspirações dos trabalhadores e do povo e as propostas dos comunistas portugueses para responder a uns e outros.

E se aqui faço esta jura é apenas porque eu próprio me questiono se aquilo foi verdade, tal foi o silenciamento a que foi votada pela generalidade da Comunicação Social.

Produção Nacional? Soberania? Direitos? Alternativa? Isso é para quê? Saídas para os défices estruturais? Caminhos para a defesa dos serviços públicos? Papel da banca no desenvolvimento do País? Respostas para a Segurança Social? Isso interessa a quem?

O saldo das referências à Conferência do PCP na Comunicação Social fica pouco além de zero.

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No choco – Anabela Fino

Corria o ano de 2014, se a memória me não falha, quando Luís Montenegro, putativo futuro dirigente do PSD, proferiu a frase lapidar que o há de acompanhar até à tumba: «A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor». À época, Passos Coelho já tinha arvorado em política de Estado a «necessidade» de os portugueses empobrecerem para o País enriquecer, gabando-se de ir «além da troika» nas medidas para o conseguir.

A filosofia subjacente a tal política nada tem de original e resume-se, falando claro, a condenar a maioria da população a trabalhar mais e em piores condições por menos retribuição e menos direitos para que a economia prospere e uma elite engorde.

O resultado foi o que se viu, com a troika a desancar no falhanço das medidas impostas e a exigir mais medidas idênticas, como se à força de persistir no erro o efeito pudesse ser diferente.

Quatro anos passados, cabe ao CDS de Cristas retomar o discurso, com as devidas adaptações. Pintando de negro a «realidade» em que vivem os portugueses, a dirigente centrista advoga que está tudo pior – famílias, empresas, País – e sem se deter na sua própria contradição garante que a recuperação da confiança dos portugueses, o crescimento económico, mais emprego e menos desigualdade é mérito do governo… PSD/CDS, não obstante a economia nacional ter tido, em 2013, o quarto pior ano desde os anos 60 do século passado.

Traduzindo, na versão PSD/CDS, há quatro anos os portugueses estavam pior mas o País estava melhor. Hoje, os portugueses sentem-se melhor apesar de estarem pior e o País está pior apesar de estar melhor. Confuso? Paciência.

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Sobre o Acordo de Saída do Reino Unido da UE – João Ferreira

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Declaração de João Ferreira, Deputado ao Parlamento Europeu e Membro do Comité Central do PCP

1. A aprovação pelo Conselho Europeu do Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e a Declaração Política sobre as futuras relações UE-Reino Unido não significam o fim deste processo, uma vez que o Parlamento Britânico e o Parlamento Europeu terão ainda que se pronunciar.

2. Num quadro ainda incerto quanto ao desfecho do processo, o PCP reafirma quatro premissas centrais da sua análise e posicionamento:

– A vontade do povo britânico deve ser respeitada e interpretada correctamente, e não defraudada ou deturpada. É esse o único sentido que pode respeitar a democracia e a soberania;

– A saída do Reino Unido da União Europeia não deve ser utilizada para, em nome de supostos “ajustamentos” ou “impactos” futuros, intensificar os ataques aos direitos sociais e laborais, no Reino Unido ou em outros Estados da União Europeia;

– Independentemente do desfecho final deste processo, os direitos dos trabalhadores migrantes, nomeadamente dos cidadãos portugueses que trabalham e vivem no Reino Unido, devem ser preservados;

– O Governo português deve tomar todas as medidas para garantir, em qualquer cenário, os interesses nacionais e para desenvolver um quadro de relações bilaterais com o Reino Unido mutuamente vantajosas, respeitadoras da soberania de cada um dos países e dos direitos de ambos os povos.

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O «problema» italiano – Miguel Viegas

Miguel Viegas – Deputado do PCP no Parlamento Europeu.

O Orçamento da Itália tem sido notícia ao longo das últimas semanas. Num gesto inédito, a Comissão Europeia «chumbou» a proposta de Orçamento de Estado apresentada pelo Governo de Itália, dando a este um prazo de três semanas para rever o documento e ajustá-lo às regras do euro e da Governação Económica. Este episódio, não sendo novidade, revela mais uma vez o carácter profundamente antidemocrático da União Europeia e confirma a sua linha de ingerência e imposição das regras e constrangimentos do Pacto de Estabilidade e do Tratado Orçamental, mesmo, quando, como é o caso de Itália, os «desvios» não significam uma ruptura com a doutrina neoliberal.

De acordo com as regras do euro definidas na chamada Governação Económica, todos os Estados-membros da zona euro devem apresentar a Bruxelas, no mês de Outubro, o seu orçamento para o ano seguinte. Os orçamentos são depois objecto de um longo e meticuloso processo de escrutínio por parte da Comissão Europeia através do chamado semestre europeu.

Inicia-se com as perspectivas de crescimento publicadas pela Comissão Europeia que apontam as grandes linhas que devem nortear os orçamentos nacionais e prossegue com os relatórios por países, os programas de estabilidade e de reformas e as recomendações por países que fecham o semestre em Julho de cada ano.

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Armistício e Verdade Histórica – Albano Nunes

A passagem dos cem anos sobre o armistício da guerra de 1914/18 foi oficialmente celebrada como uma efeméride de paz e em torno dela abundaram, sobretudo em França mas também em Portugal, as mais hipócritas considerações sobre o apego à paz e à fraternidade universal. Quando o mestre de cerimónias do principal espectáculo comemorativo, Macron, que tem a França envolvida no reforço da NATO, na corrida aos armamentos na União Europeia e em múltiplas operações militares no Médio Oriente e em África e é paladino da criação de um «Exército Europeu» (o que Trump vê como desafio à hegemonia dos EUA no campo imperialista) que crédito pode ter a sua afirmação «vamos prometer dar prioridade à paz e pô-la acima de tudo»?

Sim, a luta pela paz é um imperativo da hora presente mas só será consequente se a estratégia agressiva dos EUA, NATO, UE e Japão for frontalmente combatida e se a escalada militarista em que as grandes potências capitalistas estão empenhadas, coligadas na luta contra os trabalhadores e contra os povos mas rivalizando entre si, for claramente denunciada. Rivalidades que o aprofundamento da crise estrutural do sistema capitalista está a agudizar e que trazem no bojo conflitos de trágicas proporções como aconteceu precisamente com a guerra de 1914/18. Fala-se de paz mas prepara-se a guerra, uma guerra que na era nuclear poderia significar o holocausto da Humanidade.

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Portugal precisa de uma política alternativa capaz de construir um Portugal com futuro

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Conferência «Por um Portugal com Futuro! Por uma Alternativa Patriótica e de Esquerda»

Camaradas:

Estão a terminar os trabalhos da nossa Conferência «Alternativa patriótica e de esquerda, por um Portugal com futuro». Aqui estiveram em análise a situação do País e os grandes problemas nacionais nos mais diversos domínios e aqui se colocaram e avançaram as soluções para lhes dar resposta.

Tratou-se de uma importante iniciativa que actualiza, amplia e consolida o vasto acervo de análise sobre a realidade nacional, as causas que conduziram à fragilização do País e ao seu declínio, e o vastíssimo e muito reflectido património de propostas que o PCP tem apresentado ao País e propõe aos portugueses.

Uma iniciativa que põe em evidência a capacidade propositiva e de realização de uma força, que se afirma cada vez mais como necessária e indispensável, para a concretização de um projecto de futuro para o País e para a mudança a sério que há muito se impõe realizar e que Portugal precisa.

Desta grande força nacional que tem estado, em todas as circunstâncias, sempre do lado certo na defesa dos interesses dos trabalhadores, do nosso povo, da soberania e da independência nacionais – a grande força política que inequivocamente se bate pelo o direito do povo português a decidir soberanamente sobre o seu futuro.

Um Partido que, mais uma vez e num quadro doloroso de degradação económica e social, tomou a iniciativa para conter o caminho de desastre nacional que estava em curso e que a acção da ingerência estrangeira iniciada em 2011, consentida e aprovada por PS, PSD e CDS tinha desmedidamente agravado.

Tal como deu, nestes últimos três anos, uma contribuição decisiva com a sua intervenção e proposta para resolver problemas urgentes e inadiáveis, recuperar condições de vida e de trabalho, repor direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo e com eles aliviar o peso de uma conjuntura há muito marcada pela estagnação e regressão económica, o desemprego e a degradação da situação social.

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O apelo eleitoral da CIP – Agostinho Lopes

A entrevista de António Saraiva é um manifesto do grande capital português e, no campo das possibilidades (ou das impossibilidades do PSD e CDS), um apelo eleitoral para uma maioria absoluta do PS.

Em mais uma das incontáveis entrevistas do presidente da CIP (Diário de Notícias, 11/11/2018) assistimos a uma declaração notável, entre numerosas aspirações, chantagens, falsificações, manipulações, mentiras «trazendo à mistura» algumas verdades, e muita treta.

Mas avulta uma que deve ser registada. A CIP, pela voz de António Saraiva (AS), aspira muito pragmaticamente a que o PS tenha a maioria absoluta. O registo para memória: «O Governo e o PS, pela percepção que, na minha opinião, os portugueses têm da estabilidade política, da bondade de algumas das medidas que o Governo, gerindo percepções, lhes transmitiu, tem condições para melhorar. Não sei se obtendo a maioria absoluta ou ficando perto dela. Se assim for, liberta-se ou de um ou de dois pesos. Talvez o País ganhe com isso».

Comecemos por saudar a dúvida que assalta AS na hora da conclusão! É ajustado o advérbio! E depois alertemos o grande capital, o grande patronato: o voto certo é no PS! Nada de desperdiçar votos em ruins defuntos, como o PSD e o CDS (ou mesmo nascituros mal paridos, como o novel de Santana)! Mesmo defendendo «a iniciativa privada, a dignidade dos empresários tal como nós defendemos…» foi chão (para já) que deu uvas. O «PSD entrou numa deriva de liderança (…)» e etc.. «A oposição parlamentar à direita [é verdade, há uma oposição parlamentar à esquerda!] tirando uma ou outra boa medida que tem apresentado, tem sido ausente»! Coitada da Cristas do CDS. Tanto esforço e berreiro e, afinal, nada na opinião avalizada de AS. Nem uma referenciazita ao CDS. Vamos lá todos votar no PS…

Diz mais AS: «Se o Governo estivesse mais liberto do peso da esquerda [esta obsessão!] o País ganharia». É verdade que o país de AS – o país do grande capital – ganhava. É verdade que o Governo não é de esquerda. É um Governo do PS amarrado a políticas estruturalmente de direita: legislação laboral, submissão à União Europeia e amarração ao capital monopolista (ver como se despachou um secretário de Estado da Energia que afrontava a EDP e companhia, tal como aconteceu no Governo PSD/CDS de Passos e Portas).

«Verdades» para esconder uma mentira. Porque o País dos trabalhadores e do povo português, perderia! Como todos os governos já passados do PS, de maioria absoluta, ou «perto dela», ou aliado à direita em várias modalidades, sempre demonstraram: o desastre total, nas ruins consequências para os portugueses e na abertura das portas do (des)governo do País ao PSD e CDS.

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A carga – Vasco Cardoso

Vasco Cardoso – Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP

Temos assistido ao matraquear da tese de que nos últimos três anos aumentou a «carga fiscal». PSD e CDS repetem-na até à exaustão e são gentilmente acompanhados por muitos dos ditos comentadores políticos. Trata-se de um embuste que precisa de ser desmascarado.

Desde logo, porque visa branquear aquele que foi de facto o «enorme aumento de impostos» (como disse Vítor Gaspar, ministro das finanças do governo PSD/CDS), que reduziu escalões, limitou deduções e impôs a sobretaxa no IRS, aumentou o IVA sobre bens essenciais, aumentou as contribuições dos trabalhadores para a ADSE, ao mesmo tempo que reduziu o IRC para as grandes empresas. A receita fiscal aumentou globalmente entre 2011 e 2015, mesmo num cenário de profunda recessão económica, e sobretudo, assente no agravamento das desigualdades entre capital e trabalho.

De facto, as receitas fiscais aumentaram globalmente nos últimos três anos. Mas isso deve-se sobretudo à retoma da actividade económica (crescimento do PIB superior a 2%), ao aumento do consumo interno, à quebra do desemprego, que possibilitou, mesmo num quadro em que se desagravaram impostos sobre o trabalho, o aumento da receita fiscal globalmente considerada, bem como das receitas da Segurança Social.

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O País que temos, o País que queremos – Paulo Raimundo

A 29 e 30 de Junho, o Comité Central do PCP decidiu a realização de uma grande iniciativa sobre a situação do País e as respostas necessárias para o desenvolvimento e a soberania, colocando o imperativo da alternativa patriótica e de esquerda para um Portugal com futuro.

Dando seguimento a esta decisão, vai realizar-se no próximo sábado, no Fórum Luísa Todi, em Setúbal, a conferência «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Por um Portugal com futuro». Um debate necessário e oportuno que se realiza num momento em que os avanços, conquistas e reposição de direitos e rendimentos não iludem os problemas estruturais que o País enfrenta e os constrangimentos de que é alvo.

Uma situação que, entre outras, torna claro dois aspectos centrais há muito identificados pelo Partido: por um lado, as limitações da actual fase da vida política nacional e a impossibilidade que neste quadro existe de o País se desenvolver de forma soberana. Esta é uma realidade que decorre das opções de fundo de compromisso com os grandes interesses e de subordinação às imposições da União Europeia e do euro por parte do PS, do seu governo minoritário e dos seus parceiros de sempre nas matérias estruturantes, PSD e CDS.

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MANIFESTO PRÓ 1%! – Álvaro Couto

Em nome da verdade e da cultura sem-fim,
onde grande é a selva e pequena a economia,
onde cada cento é distribuído por Centeno,
em orçamentos nacionais que, enfim,
encurralados em bancos, folhagens e outros afins;
muitos são os semelhantes que retrocedem e pululam,
e poucos são os que realmente avançam;
nada mais há para decifrar,
nada mais há para falar,
e isso é tudo!

PIM!

 

Eu, o homem, o mortal, está cansado de promessas,
de tanto a minha voz ser tão espessa como a terra;
de tanto ser coro com vossemecês;
de tanto a minha boca ser cada vez mais beijada;
de tanto fumo engolir em incessantes conversas,
que procuram dar sentido á vida, uma e outra vez;
de tanto abrir de portas para o sol,
quando a selva se fecha entre sedes de bancos e demais folhagens,
e a lua, pela noite dentro, entretanto sobe a pino,
enquanto o homem se acomoda ao seu destino.

PAM!

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Agricultura familiar em Lisboa por melhores políticas

Cerca de mil agricultores, dirigentes agrícolas e amigos do mundo rural manifestaram-se, dia 8 de Novembro, frente à Assembleia da República, em defesa da agricultura familiar, do mundo rural e da soberania alimentar.

Vindos de vários pontos do País, os participantes – respondendo ao apelo da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e das suas filiadas – começaram por concentrar-se no Largo do Rato, onde foram feitas as primeiras intervenções, dando conta dos principais problemas da agricultura familiar, por um lado, e apontando caminhos para a melhoria das condições de vida dos agricultores portugueses, por outro.

Isménio Oliveira, da direcção da CNA, lembrou os incêndios florestais que acorreram em 2017. O distrito de Coimbra foi o mais afectado com 113 mil hectares ardidos (no País arderam 440 mil hectares de floresta e povoamentos). «O desastre dos incêndios têm sido esquecido pelo Ministério da Agricultura», afirmou o também dirigente da Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO), acusando o ministro da tutela, Capoulas Santos, de não acertar nos «milhões» prometidos, que não chegaram a milhares de pessoas (entre três a cinco mil agricultores) por «questões burocráticas».

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Quatro dias de silêncio

A intensidade da agenda do PCP, não só mas também com iniciativas com a presença do Secretário-geral, é assinalável. Na última semana, terá sido o único partido que realizou quatro dessas iniciativas em quatro dias consecutivos. Vejamos o saldo mediático.

Na quinta-feira, 8, Jerónimo de Sousa esteve numa sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado, com uma sala cheia na Baixa da Banheira. Na sexta-feira, numa sessão dedicada à valorização do trabalho e dos trabalhadores, na Covilhã. No sábado, dia 10, numa iniciativa sobre Álvaro Cunhal e o legado de Marx, em Coimbra. No domingo, 11, numa sessão sobre os direitos da juventude, assinalando o aniversário da JCP, em Lisboa.

Nos jornais, tudo se resume a três pequenas caixas em dois jornais: uma com comentários sobre posicionamentos do PS e outras duas com referências ao papel do PCP na solução política. Nas televisões, em sinal aberto, temos registo também de três peças. De Coimbra, o resumo da iniciativa feito nos principais noticiários da RTP e da TVI resumiu-se à resposta a questões sobre os últimos episódios do caso em que o Secretário-geral do PSD se envolveu. Na SIC, estes quatro dias intensos não deram mais do que uns poucos segundos da sessão da Baixa da Banheira, enfiados numa peça em que entravam outros protagonistas, assinalando os três anos da queda do anterior governo do PSD e do CDS, e da actual solução política que se lhe seguiu.

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Capacidade orçamental da zona euro – Miguel Viegas

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Miguel Viegas – Deputado do PCP no Parlamento Europeu.

Está neste momento em discussão a proposta da Comissão Europeia de criação de uma capacidade orçamental da zona euro, alegadamente destinada a combater os choques assimétricos. Apresentada como a cereja que falta no topo da União Económica e Monetária (UEM), esta proposta representa, como iremos ver, mais uma peça do euro e da governação económica que irá cercear ainda mais a política orçamental dos estados membros.

Há muito que o carácter incompleto da integração europeia e, em particular, do euro foi escolhido como premissa central para justificar os fracassos da União Europeia e induzir a necessidade de reformas. Assim, o Relatório dos Cinco Presidentes intitulado «Concluir a União Económica e Monetária Europeia», de 22 de Junho de 2015, e o documento de reflexão da Comissão sobre o aprofundamento da União Económica e Monetária, de 31 de Maio de 2017, apontam ambos, entre outras medidas, para a criação de uma capacidade orçamental da zona euro visando «ajudar» os Estados-membros em crise e presos na «armadilha do euro» que os obriga a cortar na despesa pública agregada quando deviam fazer precisamente o contrário. Três palavras-chave ajudam-nos a entender melhor o verdadeiro alcance desta «ajuda».

Elegibilidade: o apoio deste instrumento depende do «cumprimento pelo Estado-membro envolvido de rigorosos critérios de elegibilidade, baseados no cumprimento das decisões e recomendações no âmbito do quadro de supervisão orçamental e macroeconómica». Ou seja, isto é só para alunos bem comportados que respeitam todas as ordens superiores da Comissão Europeia e dos seus eurocratas.

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Joseph Stiglitz: “Aumentar o salário mínimo não prejudica o emprego”

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Joseph Stiglitz

O Nobel da Economia em 2001 e assessor do ex-presidente Bill Clinton, defende que o aumento do salário mínimo tem um impacto “insignificante ou até mesmo positivo” no emprego.

O economista esteve esta semana e Madrid, para uma conferência organizada pela Mastercard e não evitou um dos temas da agenda política espanhola: a impressionante subida de 22% do salário mínimo. E aplaudiu a medida de aumentar em 165 euros o salário mínimo espanhol.

Em 2019, o valor mensal em Espanha passa para 900 euros (600 em Portugal), multiplicado por 14 meses. A actualização de 20 euros em Portugal foi bem mais modesta:3,4%.

“Os dados são impressionantes. Aumentar o salário mínimo não prejudica o emprego”, diz Stliglitz citado pelo El País, justificando a sua opinião com “centenas de estudos” realizados nos Estados Unidos.

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